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O Livro do Tempo

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

A filosofia do enquanto der...

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A filosofia do enquanto der...

 

No início a alimentação existia para fazer sobreviver, para alimentar energia física necessária à substituição de queima de calorias, evitar a debilidade do corpo. Hoje a alimentação existe para engordar, mais e mais e enquanto houver comida que chegue para comer e para desperdiçar, assim continuará a ser, numa filosofia de ostentação, de mais, enquanto houver e enquanto der para engordar, não só fisicamente de acrescentar gordura, supérfulo, engordar uma coisa inexistente.

Quem diz alimentação, diz tudo o resto e quando digo tudo, é tudo mesmo sem restrições, porque restringir não é bom para o consumo e a dinâmica é consumir quanto mais melhor, porque isso engrandece todos os espíritos ganhadores de qualquer índice de crescimento, de prosperidade, de tardiamente constatar que enquanto houver disposição para consumir, foi uma farta mesa.

Já passou bastantes anos que tive a oportunidade de escutar Ernâni Lopes numa conferência, uma apresentação sobre economia e negócios e sobre os desafios do futuro. Uma mente brilhante que tivemos entre nós. Na altura não tinha assimilado completamente o significado do que havia sido dito, como: “inclusivamente exploramos e utilizamos o petróleo para queimar, é pobre demais” referia Ernâni Lopes. É como uma conta bancária, se apenas fazemos retirada de dinheiro, chegará o dia em que a conta estará a zeros e pior do que isso, as responsabilidades de pagamentos continuam a recaír sobre uma conta vazia de cumprimento de responsabildade.

A discussão sobre a sustentabilidade do planeta é, neste momento, uma teoria avançada assente numa filosofia do enquanto der, consome-se, quando não houver, logo se vê.

Louváveis são as inúmeras acções sobre a criação de alicerces à sustentabilidade da vida e esta palavra, sustentabiidade, não pode ser mais um termo para um aproveitamento de negócio, só para fazer mais dinheiro , para criar mais endividamento. Sustentabilidade passará a ser, cheguemos ou não a tempo de sustentar o planeta, a obrigação de manter viva a alma disto tudo.

Recordo-me do primeiro ensaio, nos meus tempos, aquele que tive consciência de constatar, que se começou a falar sobre a substituição do mais, para o melhor, que ainda hoje perdura. Ou seja, em vez de apenas considerar fazer mais, a primazia da quantidade, optar por fazer melhor, melhorar os índices, caminhar numa direcção de aprimorar, de melhor aproveitar.

Uma vez mais é necessário ter em consideração que sair da zona de conforto e incentivar a refazer e fazer de novo para melhor, não pode ser apenas para os outros ou para o vizinho. O chico espertismo, quando aplicado, tem de primeiramente assegurar servir o chapeu de quem fez.

Recorde-se Pepe Mujica, mais conhecido por ter sido Presidente do Uruguai de 2010 a 2015, com o seu carocha de trinta anos. Hoje, ninguém em seu perfeito juizo tem um carro utilitário com trinta anos de estrada. Normal hoje é trocar de carro, de preferência todos os anos, na pior da hipóteses até cinco anos e na maioria das vezes. Não porque o carro deixou de ter capacidade de transporte, mas porque passou de moda.

Alguém me dizia que tudo na vida é uma questão de prioridades. Até pode ser assim, com esta definição, porque a prioridade não está em sustentar o planeta.

A Dinamarca está a caminho, dentro de poucos anos, ser completamente auto suficiente em energia, com uma politica efectiva de instalação de energias renováveis, mas quem mais está nesta direcção? Quem mais está tomar as decisões certas para caminhar neste sentido? Estaremos perante formalizações de um sistema ou de facto as coisas estão a mudar e mudarão a tempo?

Desenvolvimento sustentável, com a finalidade de criar um sistema que se regenere. As coisas não morrem por si sós, apenas porque são consumidas, e ponto final, mas existirá um sistema que auto regenerará o meio, a capacidade. Não haverá um processo de apenas subtração. A reposição por meios que afectem positivamente todo o sistema.

O biólogo e professor universitário americano Barry Commoner, dizia: “A primeira lei da ecologia, é que tudo está ligado a todo o resto”. Talvez este seja um conceito de necessidade primária a ter em consideração, para evitar o desmoronamento. Todo este corpo é uno pelo que representa num sistema de interdependências. Há um cuidado acrescido pelos laços que estão a ser cortados.

A tendência de crescimento da população mundial é muito elevada e sabemos que a prazo, não será possivel sustentar todos os seres humanos que habitam na terra. Hoje morrem milhões de pessoas à fome, não porque falta comida, mas porque a comida não chega a essas pessoas. Hoje, há partes do mundo que nada comem de alimentos e outras partes que deitam ao lixo, toneladas de alimentos.

No ano de 1650 estima-se que a população mundial se situava nos 500 milhões de habitantes.

No ano de 1900, seriam cerca de 1,6 mil milhões.

No ano 2000, eramos 6,1 mil milhões (ou seja, em apenas 100 anos, a população da terra cresceu quase 4 vezes).

Estima-se que em 2050, sejamos cerca 10 mil milhões.

Não está apenas em causa a disponibilidade de recursos para sustentar toda a gente, mas e mais importante, assegurar a continuidade do sistema de sobrevivência e essa segurança passa exclusivamente pela criação de um sistema global de regeneração dos meios, todos eles.

A educação consciente, aquela coisa que pega nas pessoas e as leva a se assegurarem que é da sua inteira responsabilidade fazer pela vida no local onde habitam, ou então estamos todos tramados. Como isso é uma tarefa com um alcance inimaginável, ficará como que ao critério de boas vontades, ver no que isto dá. É certo que não é mais possivel continuar com o sistema do, vai-se gastando até ver, ver no que dá e ver se dá e isto não é mais um meio de lá chegar, que é isso que temos vindo a fazer.

Antigamente, já muito antes da actualidade, costumava-se dizer que é nossa obrigação deixar o mundo melhor do que o encontramos. Continua essa obrigação. Os meios que temos à disposição, sem bem superiores e maiores, do que o necessário para que isso aconteça. Não é uma questão de meios.

O que é que a economia tem, para ser governada pelos sentidos?

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O que é que a economia tem, para ser governada pelos sentidos?

 

Imaginemos que a partir de agora, a pasta da economia, será entregue a um psicólogo, ou a um filósofo, ou então a um cientista da área comportamental. O convite é sempre extensivo e aberto a homens e mulheres. Não estou certo que em todos os casos o resultado possa ser o mesmo. Tenho observado que em certas situações, o homem economista não tem conseguido os melhores resultados, pese embora o facto de se tratar de uma figura de relevo académico e social e com provas dadas na sua área de actuação. O mesmo acontece à figura feminina, ao ser mulher e vice-versa quanto ao facto de ser um ou uma economista, apenas porque lhe é atribuída a função, tenha tido capacidade de obter os resultados necessários. Portanto, o género não é importante, mas acredito que o relevo e enquadramento de quem é nomeado, com sorte até pode ter sucesso.

E porque é que a sorte está incluída aqui? Porque sendo a economia uma arte de bem governar a casa, a ciência que estuda e coloca em prática a arte de bem administrar um país, uma empresa, uma área, também é preciso ter sorte para se ser bem sucedido, sendo que a sorte é uma competência inerente à sabedoria de quem sabe. A sorte continua neste sentido, porque todos esperam que não exista um cataclismo que abale o normal funcionamento da economia, ou para sermos mais práticos, todos esperamos que, para que as previsões económicas dêm certo, ninguém dê um espirro maior do que aquele que foi autorizado, caso contrário a economia entra em convulsão. O que muito pouca gente sabe é que a economia é uma parte desta vida que vivemos, débil, insegura,  constantemente segura por escoras, muitas vezes enterradas em areia movediça, porque as bases que tentam segura-la não são grande coisa também

Conheço heróis e heroínas que governam a sua casa com a maior das mestrias, com a arte de fazer omeletes sem ovos, mestres da sobrevivência que nenhuma escola de gestão do mundo ensina, nenhuma mesmo, apenas com o sentido de alimentar a família, ter a garantia que os filhos estão vivos, lutar para que os filhos tenham alguma instrução escolar, fazer do impossivel uma palavra sem sentido, inexistente, porque tudo é possivel, em nome da maior arte que é a arte de fazer sobreviver e lutar pelos objectivos de vida, pelo maior sentido da vida. Deixou de ser importante se estes heróis e heroínas são mestrados, ou diplomados, ou apenas com a formação escolar básica. O que passou a ser importante, é a capacidade e o caracter da pessoa.

Existe um homem no mundo dos negócios que me fascina, na agilidade do pensamento, na leveza do dircurso, na sagacidade de movimentação, na visão do foco, do seu foco. Este homem é Warren Buffet, que teve a sorte de saber lutar pelo que quer, manteve a sorte de não desviar atenções para um superfulo que nunca o atraiu, nem tão pouco de ser uma dos homens mais prósperos do mundo. Também teve a sorte de ter nascido num país cheio de problemas, principalmente quando o mundo estava a atravessar a segunda guerra mundial e saber que não podia esperar favores de alguém que nunca viria, a não ser dele próprio.

Pessoas como o Warren Buffet ou como a Maria, que governa a sua casa com mão de mestre, têm o conhecimento fundamental do sentido que as coisas têm que tomar. Para dar sentido à responsabilidade, é necessário estabelecer parametros de actuação segundo o conteúdo de cada e o conteúdo, fundamentalmente o conteúdo, é preciso sorte para se ter bom, porque se não se tiver sorte em receber um bom conteúdo, então a força de recuperação só estará ao alcance dos grandes heróis e grande parte deles nem os conhecemos.

Hoje, corremos o risco de fazer da economia um ciência intrincada de equações, de complexos teoremas matemáticos e de fascinantes teias neuronais.

Não sou adepto da economia lógica, porque a economia não é uma área de saber lógico.

Não existe nada na economia que nos permita dizer que amanha os proveitos de uma empresa serão de x valor, ou que o índice de crescimento de uma negócio será de y percentagem. Basta uma tempestade que arrase o local, para se dessiparem completamente as previsões, ou ainda mais simples, um concorrente fazer melhor.

Mas, não acho oportuno entrar por esta direcção, porque não é disso que se trata. O equilibrio do meio na direcção dos crescimentos e dos proveitos, está na capacidade de ver e controlar de alguma forma, a imprevisibilidade.

De quem são os grandes sucessos no mundo dos negócios? Dos homens de grande visão estratégica, dos que focam o seu pensamento no rumos dos seus objectivos, dos que estão atentos a escutar as oportunidades da vida, dos que têm tacto para saber tocar as regras do meio e dos que gostam de apreciar para si próprios o sabor das vitórias. Hoje, sentir a vibração do mundo, também se tornou numa virtude de sorte apenas para alguns, dos que sabem gerir o equilíbrio do meio, com as necessidades das suas máquinas de fazer dinheiro.

Não haja ilusões, a proporção reflete o sentido das coisas. O panorama é aquele que está disponível ou se deixa disponível.

O que aconteceria se colocassemos uma pessoa a governar a economia de um país, que não tivesse grandes conhecimentos de economia, mas que fosse um grande economista?

Da mesma forma que temos bons médicos e ao mesmo tempo bons curadores, da mesma forma que temos bons mecânicos de automóveis e ao mesmo são excelentes conhecedores de potenciais falhas do motor, ou então temos o padeiro que faz o melhor pão do bairro e não esquece o forno para não deixar queimar o pão

Da mesma forma que temos um Warren Buffet bem preenchido de conhecimentos tecnicos, porque a sua sagacidade economica é superior.

Não poderia ser de outra forma, caso contrário teriamos um mundo de economistas e se já não há emprego para todos os que estão disponiveis, imagine-se o que seria. Cada um tem que ser bom, naquilo está predestinado. Acontece muitas vezes que, quando se pretende ser algo para o qual não se está preparado, a coisa dá em asneira. Na economia também.

O economista americado John Kenneth Galbraith dizia: “Em Economia, a fé e a esperança coexistem com grande pretensão científica e também um desejo profundo de respeitabilidade.”

A saga de ser humano, numa terra de cachorros.

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A saga de ser humano, numa terra de cachorros.

 

Os dias de verão têm destas coisas, podemos com maior acuidade prestar atenção a determinados detalhes, sem prejuízo das importantes tarefas diárias que uns dias de recarga exigem a qualquer humano que se preze.

Por erro ou omissão, sabe-se lá agora o que terá acontecido, a celebre frase de “quanto mais conheço o ser humano, mais gosto de cães” erradamente atribuida a Eça de Queiróz, não é mais do que um desabafo de Alexandre Herculano. Pese embora a época do romantismo estar sempre presente, foi um dos grandes aprendizados obtido estes dias e isto graças a uma desenvolta conversa que apreciei junto a um jardim público em que vizinhos trocam uma animada conversa de fim de manhã, juntamente com o cachorrinho de um dos presentes, atrelado e bem controlado, porque embora pequeno, não vá o diabo tece-las e começar a importunar por aí toda a gente.

A determinada altura, um dos presentes solta a setença proverbial do dia, quiça dos anais da história recente, proferindo ao som de que se ouvisse claramente: os cães são mais inteligentes do que a maioria do seres humanos.

Acredito que o cachorrinho, se soubesse o que estava a fazer e lhe fosse dado pelo menos um neurónio em perfeitas condições, teria dito que seria melhor os donos terem trazido a casa de banho junto, porque ele estava a sentir-se envergonhado, pela merda que estava a participar.

Com certeza que a maior qualificação, vai para os de casa, aquele que vinha atrelado, que necessita de ser controlado e que ninguém ouve.

O meu espanto vai, também, que após umas muito ligeiras investigações, estes desabafos na relação que o ser humano pretende entre si próprio e os animais, é muito mais abrangente no tempo e na tipologia social. Parece haver uma tentativa de amestrar um ou eventualmente um ao outro. Ao longo da história temos inúmeros casos, só os mais famosos, de grande companhias.

Ainda estou na dúvida se esta classificação de melhor amigo do homem, seres mais inteligentes do que os seres humanos, fiel amigo, não deverá ser identificado apenas o cachorro ou cão, se tem alguma ligação ao facto do animal ser obediente, submisso ou se é assim naturalmente.

Se reflectirmos um pouco, existem também inumeras histórias de animais, do mais variado tipo, desde domésticos, até de entretenimento, que ficam completamente passados dos carretos e viram-se contra tudo e contra todos, principalmente contra o dono, chegando a vias de facto muito dolorosas e muitas vezes terríveis, com consequências devastadoras e aí surjem as notícias de que cão de boa gente, sempre foi bem comportado e obediente, deixou de o ser, para virar cão para abater ou se tiver sorte, vai preso para um qualquer canil. O pobre cachorro tinha cansado de comparações com o ser humano e de tantas vezes ouvir que era mais intelegiente e mais amigo do que o homem ou a mulher. Provavelmente tinha tentado fazer-se ouvir por diversas vezes, mas como não encontrou eco, decidiu revoltar-se. Pobre cachorro, que vida que levava e a troco de deixar de ser obediente e submisso, perdeu-se para a vida,  pelo menos para esta.

Que coisa estranha. Afinal parece que a relação entre os seres humanos, do mais diverso padrão social e até mesmo familiar, passando pelas relações inter raciais, são classificadas pelo nível de obediência e submissão entre os pares.

Fulano é uma excelente pessoa, com um comportamento exemplar, um profissional da mais elevada classificação e mesmo com tudo isto, ainda consegue ser um amigo como já não existe neste mundo, é um exemplar em vias de extinção. E porquê? Porque faz tudo o que o seu classificador diz para fazer, há hora e nas condições que o mesmo assim determina.

Certo dia, a mesma pessoa decide seguir outro caminho, que não em relação ao seu anterior classificador e então o dito fulano passou a ser um desviado, dono de ter cometido um atentado a uma amizade de tantos anos. Como, por cá, costumamos dizer, de fulano bestial com as mais altas condecorações, passou a uma reles besta desclassificada e então aí seria bem melhor ter um cachorro, de preferência daqueles que come pouco, porque a trabalheira não seria muita.

Recuso-me a pensar e admitir que a comparação possa ser deste âmbito, nivelar-se a um desconhecimento completo do que são os animais e o respeito que deveremos ter por eles, como admitir que homens e mulheres não tenham a capacidade de reagir aos tratamentos que lhe são dados.

Naquele dia, tive a tentação de perguntar à pessoa, se lhe desse um valente de um murro na cara, se ele iria gostar, mas não quis aventurar-me a uma falta de inteligência, que com certeza iria me chocar ainda mais.

Parece haver uma grande dificuldade, neste contexto de tratamento de relação, seja ela próxima, seja com desconhecidos, em atribuir a mesma qualidade que é atribuido ao cacharro.

Vejamos, muitas das vezes que os animais reajem com violência, mesmo sendo principescamente tratados, ou até mesmo nos parametros reais, reagem mal pelo cansaço de serem tão bem tratados, imagine-se isso com homem e com mulher e não precisam ser casados, bastou o cansaço.

Esquecemo-nos com facilidade, nós os eleitos humanos, donos de pensamento próprio, que os ditos foram criados para gerar pensamento diferente, todos entre si. Actualmente, dos sete mil milhões de cabeças pensantes existentes na terra, não existem duas iguais, como também não existem duas formas de reacção iguais. Por vezes até apetece reagir como cachorrinho, mas outras vezes tem que a reacção é mais de acordo com a personalidade do reagente.

Quem sabe um dia, talvez mais próximo do que se possa pensar, o jardim estará cheio de gente a dizer que quanto mais passeia o cachorro, mais gosta do ser humano. As perspectivas sempre se adequam a cada circunstância.

Também acredito que o Alexandre Herculano possa ter tido aquele desabafo, porque o dia não terá sido muito bom, nas sua perspectiva.

Os longos caminhos das decisões tardías.

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Os longos caminhos das decisões tardías.

 

Quando chegamos a um determinado ponto do percurso, temos a tentação de dizer que a melhor escola é a escola da vida, é o espaço onde se aprende tudo, coisas que nem imaginavamos poderem ser possiveis e outras nem por isso. A vida nos faculta sempre o melhor diploma e ficamos com a melhor licenciatura e doutoramento. Pena é que muitas vezes demora muito tempo, mas também temos a tentação de dizer que uns aprendem mais rápido do que outros.

Esta história da transferência do Neymar Jr. no futebol, do Barcelona para o PSG, onde foram ditas todas as sentenças favoráveis e desfavoráveis, ditos imprevisiveis em relação a um comportamento perfeitamente normal, mas com uma balança equilibrada do outro lado, dos que compreendem o enquadramento.

Desde quando o futebol é um simples desporto? Senão um dos maiores negócios que existe neste ciclo e provavelmente da História. De desporto passou a veículo.

Veio a comprovar-se que de facto o Barcelona não queria o Neymar Jr. a jogar no seu clube, porque demorou demasiado tempo a absorver o choque e outro tanto a tomar uma decisão, que já não era da empresa, mas sim de quem decidiu comandar os seus próprios destinos.

O futebol é um campo fértil e por excelência de tentar fazer casamentos de água com azeite, onde os negócios estão sempre latentes, despojados de campos enormes de comportamentos emocionais. Compram heróis, para lhe chamarem mercenários. Alavancam decisões, nas decisões das massas, para fazer durar actos de heroismo.

Vejamos, os comportamentos são exactamente os mesmos, seja dos clubes, seja dos jogadores, toda a gente joga o seu jogo de negociar pela melhor vantagem.

As perdas e os ganhos se medem pelo nível de tratamento que se dá. Pede-se e ganha-se de acordo com o que se quer.

Uma das formas que temos para avaliar a intensidade da importância é a clareza e a rapidez da resposta.

Quando um homem pede uma mulher em casamento, isto segundo os critérios do século passado e não pode estar muito longínquo,  se passar o primeiro segundo sem resposta, logo é identificada uma imensidão de dúvidas. É nesse mesmo segundo que é tomada a decisão se o casamento se realiza ou não, se a coisa vai para a frente, ou se ficou alí mesmo.

Que crueldade, as dúvidas. As incertezas são assim mesmo, servem para testar a importância do enquadramento, clarear as garantidas certezas, que afinal ninguem estaria certo até o choque rebentar.

A grande dúvida persiste nos grandes conselhos dados pelos outros à grande plateia. Quanto mais ouço dizerem ao povo que é necessário saír da zona de conforto, mais vejo os homens do palanque, confortavelmente nos seus sofás de adormecer a testar quem ouve.

Costumo dizer que, grande parte das perdas, se deve às decisões tardías que se tomam. Gente que aponta o dedo aos males do mundo, grandes teorias que devem atravessar a complexidade indicifrável da gente que tenta viver um dia de cada vez e grande parte das vezes é esta gente que toma as decisões, os senhores das grandes teorias impraticaveis, instalados nas suas zonas de conforto, porque cansa levantar do sofa para praticar o acto.

Esta história do Neymar Jr., serve mesmo para entreter, para passatempo de fazer passar o tempo, nas questões essênciais, onde as decisões têm que ser tomadas a tempo e horas e não foram de um prazo que já não tem mais efeito.

Partindo do princípio que tudo o que nasce, morre ou se transforma, este planeta, que chamamos de casa comum, também está nesse processo e provavelmente na fase inicial ou que precedeu o seu nascimento e um pouco o seu desevolvimento, os seus habitantes não tinham conhecimento que tal processo poderia ser possivel a uma coisa tão grande quanto esta, ou seja, que pudesse acontecer um fim final ou fim transformador.

A história recente diz-nos que nas ultimas dezenas de anos, existe um forte movimento na Terra, para alterar comportamentos e dessa forma exercer algum controle sobre a preservação, sustentabilidade e longevidade do planeta que habitamos, que teimosamente chamamos de casa comum, mas muito pouco ou nada o identificamos como lar e a discussão centra-se na realidade se queremos ou não ter casa para morar ou se é melhor deixar rebentar com isto, até para ver o que acontece e na melhor das hipóteses é aproveitada a oportunidade para mostrar aos grupinhos que tanta birra fizeram para alterar tanta coisa, que afinal a razão morreu solteira.

Há dezenas de anos, que tentam alterar o processo e a forma como devemos viver por cá neste espaço, sem grandes avanços, alguns com certeza felizmente, quase sempre e na quase totalidade devorados pelos habituais recuos. Há dezenas de anos, que se demora a tomar decisões, tardiamente percepcionadas que mais parece uma não verdade encarada com ligeireza, com indentificação de pseudo factos contrários, ancorados nos mais largos disparates, de acordo com as necessidades de quem defende o facto encontrado para melhor justificação.

E, assim andamos, de pé em pé, ano após ano, brevemente a medir o tempo pelos séculos a perguntar que mundo é que vamos deixar para os nossos filhos. Mais grave, que temos a obrigação de garantir as melhores condições de vida aos descendentes, aos vindouros, à continuidade da espécie, porque a memória que deixarmos não perdoará as hesitações.

Quem estiver por fora, num gesto de apreciação, largo um riso bem aberto e diz, esta gente só pode estar a brincar.

O assédio moral ou a reconversão de um conceito milenar.

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O assédio moral ou a reconversão de um conceito milenar.

 

Há cerca de três semanas tive a oportunidade de ler um relatório sobre o assédio moral no trabalho, do qual ressaltam para mim, as seguintes conclusões:

Este tipo de informações tem uma base cada vez mais forte de estatísticas, mais fiaveis, mais completas e mais abrangentes.

A transversalidade social e de género.

São muito difíceis as condenações, pela dificuldade de obtenção de provas.

Como apoiante moral do nosso actual Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, digno-me reverênciar as suas sábias palavras dos últimos dias, a propósito dos últimos incendios em Portugal e que, sem pretender sublinhar ipsis verbis, observa que a grande diferença entre estes desastres no tempo do antigamente e na actualidade, é que a agora informação sobre os acontecimentos está disponivel e acessivel a todos.

De facto esta é a única diferença.

Quais as diferenças entre os grandes incêndios e o assédio dito moral? É mesmo e só a cor do lume que emerge da queimada e provavelmente um tem mais reuniões e conferências de imprensa, do que o outro. Tudo se resume a estatísticas, constatações, base legal eleita para proteger os eventos e eventuais.

Os significados literais de assédio e suas derivantes, foram encontradas directamente no dicionário e que resumem de uma forma inquestionável a direção actual:

Nome masculino

Conjunto de operações que visam a conquista de uma posição inimiga, cerco, sítio.

Perseguição insistente em geral com o objectivo de conseguir algo, importunação.

Assédio moral

Pressão psicológica exercida sobre alguém com quem se tem uma relação de poder.

Assédio sexual

Conjunto de actos ou comportamentos, por parte de alguém em posição priviligiada, que ameaçam sexualmente outra pessoa.

Que grande atrevimento chamar-lhe assédio moral, nome pomposamente diminuido para não chocar conceitos, ou seja, estão a tentar dizer que isto não passa de um assalto à moralidade da pessoa, diminuindo assim o impacto nos resultados. Quão pobre é. Quase apetece dizer que é bem melhor, com esta designação, não desmoralizar as tropas.

Lacunas nas estatísticas habituais:

Quantos mortos têm sido consequência do assédio moral?

Quais os custos directos para o estado (ou seja, para todos nós) que todo este processo gera?

Quantas famílias têm sido destruídas com as operações de assalto à dignidade humana e respectivas consequências?

Nos locais e nos espaços onde são praticados, quais os resultados práticos e reais, que têm trazido?

A  exemplo da problemática falta de provas para gerar condenação, os dados relativos a estas questões estão ensombrados pela legitimidade que supostamente esconde uma dinamica activa, dispersa por todas as áreas, algumas das quais de difícil digestão, ou seja, como é possível.

Todos os crimes são precedidos de actos, que são classificados como provas, que não se conhecem, até se conhecerem.

O povo hebreu foi subjugado no antigo Egipto durante anos a fio, subjugado à escravidão, a quem foi retirado qualquer direito a uma vida minimamente digna, impedindo, desta forma, direito à sua existência, como povo com as suas tradições e com uma cultura diferenciada.

Nestes tempos não havia leis. Bastava o desejo do senhor.

Milus é um adolescente com 16 anos e frequenta a escola do bairro onde mora. Tem sido recorrentemente atacado à sua dignididade, a ponto de ter, por várias vezes, decidido por fim à vida.

O que acontece com o Milus, acontece com milhares ou milhões de crianças e adolescentes, por todo o mundo.

A escola é um meio pequeno, muito pequeno, que não seja possivel prevenir e corrigir estes comportamentos.

Isto não é bullying. A isto se chama atentar contra a vida humana, no espaço temporal de criar os alicerces da vida, onde a escola e os pais e a sociedade deveriam assumir o papel de desenvolvedores de consciências.

Na realidade, qual o objectivo de diminuir ou até mesmo eliminar o Milus? Não era porque o Milus era fraco, mas sim porque o Milus fazia sombra aos ditos mais fortes, que se sentiam ameaçados pela sua relevância. Na realidade queriam ser como o Milus.

Mais sério é o facto de se criar em continuidade um ambiente de impunidade e desresponsabilização de comportamentos classificados socialmente como inaceitáveis, dependendo das condições de actuação.

O sistema cria filtros.

As práticas têm consequências mais visiveis, provavelmente, no ambiente profissional. As história são conhecidas, as consequências são evidenciadas. Os resultados tendem a desaparecer com o tempo, o que leva a perguntar, então porquê?

O dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues dizia: “os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”.

Estava quase com tendência para acreditar que Nelson Rodrigues, como já não está entre nós desde 1980 e tanta água já correu debaixo da ponte desde então, a frase teria ficado um pouco desactualizada, mas não, parece o oposto. Parece? Só isso? Vejam meus senhores o que para aí vai.

Quando alguém não evolui, dizemos que é incompetente, porque as suas competências não foram actualizadas. É como o software de um computador que tem que ser actualizado.

Provavelmente, o software não necessita de actualização, porque excede as competências de um hardware ainda mais fossilizado.

Aparentemente, o espectro apenas mudou de nome.

Existe limite para o precipício?

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Existe limite para o precipício?

 

Há medida que o tempo passa, dá a sensação que o limite é elástico, sempre tem forma de se formar um pouco mais, de acordo com as necessidades do ciclo, tem sempre um pouco mais de espaço para se trabalhar, vem o espaço da tolerência, para o início do precipício.

Estamos a ficar velhos, diz o homem da padaria, estas coisas já só são para os mais novos.

Era domingo pela manhã, a grande cidade estava a começar a acordar. Ninguém em seu perfeito juízo se põe à estrada pelas sete horas da manhã de domingo e vai assistir a uma palestra do meu grande amigo e mestre Luiz Mota, mas foi isso que fiz novamente a cada quinze dias quase não perco ouvi-lo.

Parece que o ambiente fazia adivinhar que, o que iriamos encontrar se relacionava com algo que sempre estava latente, sem saber o significado, sempre havia espaço nas conversas para falar alto e em bom som, que o mundo está louco. Isso mesmo, nunca como hoje mais actual. Ou, talvez tenhamos mais acesso e lá vem a coisa da tanta informação disponível, porque hoje é tudo muito mais rápido e em quantidades que humanamente não é possivel lidar.

Mas, Luiz Mota o abordou com a sua profunda sabedoria. A loucura será a doença do século, é o que está a matar o mundo, com pedaços cada vez maiores. Preparem-se para ver um desatino completamente louco.

Tem muito poucos dias que passaram e escreviam nos jornais, um desabafo de dois senadores republicanos sobre o seu presidente, que ele está louco, pela sua forma de comportamento, pelas decisões que toma, pelas atitudes de um não presidente, que os Estados Unidos não estão habituados a ver ou ter.

Na Venezuela, existe um Maduro que teima em se manter em processo de crescimento, quando não tem o vislumbre de que já tinha sido tempo de cair. Há uma honra a cumprir em todas as frutas, pois devem cair de Maduras. Milhões de pessoas estão em risco de uma não vida, uma completa geração arrisca estar perdida para uma luta de sobrevivência.

No outro lado do mundo, experimentam o amedrontamento das bombas a cair sobre o mar. Uma festança de fogo de artifício, num deslumbre que mais parece um bullying de mocinhos de escola.

Estes episódios são os mais mediáticos e porque temos mais acesso, diário mesmo, a todas as peripécias que vão acontecendo.

O mundo está louco ou a doença está a propagar-se mais rapidamente? Provavelmente sempre foi assim, mas no nosso tempo temos a nossa identificação dos ciclo que vivemos.

Não me convence que a locura que vivemos seja de grandes casos globais, de gente que aparece todos os dias na televisão e mobiliza loucura para todos. A loucura é uma coisa local, que forma, desenvolve e projeta a partir do local, do pequeno espaço, do individual.

De são e de louco todos temos um pouco. Será que medimos o grau de atrevimento, de capacidade de enfrentar, pela intensidade de loucura que insanamos da pessoa de cada um? Ou porque somos loucos e isso nos dá a liberdade de entrar onde nem sequer somos convidados?

A Rute é uma menina com 14 anos, a iniciar uma juventude incrível, uma vida promissora à sua frente, com um nível de inteligência acima da média, uma essência de humanidade digna de registo, mas muito só, com tantos colegas de escola à sua volta, só tem mesmo marginalização por grande parte da escola, com maus tratos, uma enorme falta de respeito para com o ser humano, que é a Rute. A loucura de não aceitar os outros como eles são, dá o direito à loucura de espezinhar, em nome de uma guerra de absurdos, que se acha no direito de existir.

O jogo da sobrevivência tornou a vida vazia de conteúdo, para a classificar para um campo de batalha fraticida, onde nada nem ninguém é poupado. Amigos e estranhos, familia e parentes afastados, colegas de trabalho e de escola, a loucura de quebrar todas as ligações que os valores desenvolveram. Humanamente estamos em risco de extinção e por isso estamos a caminhar a passos largos para a robotização social, com e sem robots. A capacidade de destruição que assume os genes humanos, é infinitamente maior, do que a capacidade de construir.

Estava a lembrar-me dos conteúdos de programas de televisão, desde os filmes, programas para as crianças e sobretudo para os adolescentes. A linha de programas decidida pelos canais de televisão é a que rende mais financeiramente, ou seja, aquela que tem mais audiência e as audiências são construídas segundo os gostos individuais, ou os interesses que cada mais nutre por seguir.

Salvaguardando alguma carência de precisão nos numeros, talvez cerca de noventa por cento dos programas de televisão, sejam eles de ficção, sejam eles de informação, são programas orientados para violência, desastres, conflitos. É isto que mais vende e é neste panorama que são geradas mais receitas. Os decisores televisivos não criam audiências, eles seguem as audiências.

É neste panorama que construimos a base social, uma base sedente cada vez mais de exercitar as suas necessidades de violência, que quando não existe, eles próprios a criam.

Mas, são pequenos grupos de pessoas que estão ligados a este fenómeno? Não, não são. Queremos acreditar que estes, são fenómenos isolados, muito orientados para grupos marginalizados de rua. Nada disso. Encontramos um fenómeno, sim, à escala global, transversalmente, nas estruturas mais básicas da organização social, até às mais complexas.

A loucura de reação, a loucura sedenta de protagonismo, a loucura de eliminar obstáculos, a loucura do facilitismo, a loucura do deslumbramento.

Se, mente sã em corpo são, também temos uma mente doente em corpo doente. A combinação de esforços se transmite, de acordo as vivências, com os exemplos, com as bases construidas.

Normalmente, os grandes males são combatidos, de novo, por grandes eventos que tendem à destruição. É essa a natureza do que existe, se a aceitarmos como um facto inabalável. Loucura leva à loucura das decisões que são tomadas

Nunca foi presenciada uma outra forma de um grande remédio pacífico, como solução de um grande mal e talvez porque tanta injeção de destruição foi colocada nesse corpo, que chega o dia em que o corpo fica doente de uma forma permanente.

Estou convicto que a gente não sabe no que se meteu!

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Estou convicto que a gente não sabe no que se meteu!

 

De uma forma pura e dura, podemos chegar a esta conclusão, porque por alturas em que nascemos é tudo muito bonito, há a comemoração, bem vindo ou bem vinda, ou mesmo bem vindos ao mundo, grandes planos para o futuro, dependendo do enquadramento em que cada um se encontra ou do enquadramento que cada um consegue criar e só passado algum tempo, começa a consciência da fragilidade que é isto tudo.

Em bom português, quase que poderia dizer que, estou mesmo convencido que a gente não sabe na empreitada que se meteu. Sem juizos de valor, ou seja, não me atrevo mesmo antecipar se este desconhecimento é bom ou mau, ou mesmo se a empreitada é boa ou menos boa. Não são juizos pessoais de valor, mas sim a atribuição do processo.

Aquelas taças de vidro muito fino, que se pegarmos de uma forma menos protectiva, partem imediatamente, assim é a fragilidade da vida que vivemos. Podemos abordar desta forma mais directa, ou então tentar remendar com paninhos mais suaves, o que não é recomendável, para não continuar a hibernação.

Quantas empresas no mundo, passaram de líderes na sua área de actuação, líderes mundiais alguns deles, até quase ou mesmo à extinção? Temos casos recentes da Yahoo, ou mesmo a Kodak, um pouco mais lá para trás. Quais os motivos? Cada um tem os seus.

Quantas empresas no mundo, que ao fim de 10 anos encerram? Quantas empresas conseguem desenvolver negócios durante 100 anos e em pouco tempo entram em declínio e sobram poucos anos para enfrentar o encerramento?

É provavel que não tivessem o cuidado de se actualizarem, reformular o negócio, mas mais importante do que isso, não tiveram capacidade de ver as fragilidades do mesmo e combate-las, porque num mundo de equilíbrios frágeis, a própria fragilidade da vida obriga aos nossos checks and balances.

Todas as relações são fortes e duradouras, até ao dia que terminam e para dar um abanão numa relação (e olha que não é apenas nas relações pessoais) não é necessário muito, muitas vezes basta uma pequena constipação, um desentendimento sobre as condições de um negócio, um desencontro para a hora de um jantar e logo se coloca tudo em causa. Claro que nós não entendemos como é que estas coisas podem acontecer. Nas relações mais fortes, ou seja, onde os interesses estão mais alicerçados, até é possivel ter mais do que uma gripe e a casa continua intacta, noutras basta um espirro e a coisa fica logo questionável. Há quem diga que até é bom isso, porque uma relação assim não era muito boa. Va lá.

Uma família tinha uma plantação de oliveiras em Nisa, que lhe garantia o sustento e o incendio desta semana levou tudo. Em poucas horas desapareceu o trabalho de várias décadas e o que seria um sustento seguro de família, passou a ser uma preocupação de sobrevivência. Num abrir e fechar de olhos. Provavelmente a passada semana, esta família estaria a fazer outro tipo de planos para a sua vida.

Ocasionalmente e só assim é porque nem todas estas informações são do conhecimento geral, sabemos que um asteróide passou perto da terra, mas estava a ser monitorizado há já bastente tempo, não vá o dito resolver vir contra isto tudo e de repente o filme passava a ser real. Não, desta vez veriamos mesmo o filme, no ínicio. Pelo menos já está em preparação (?) um sistema de ataque aos asteroides, caso algum deles resolva fazer marcha em frente.

No que nos toca mais pessoal, quando temos alguém muito próximo, de família, amigos e que resolvem partir, sem qualquer informação prévia e aí nos questionamos sobre o que andamos aqui a fazer, não somos nada, somos tão insiginificantes, se a gente soubesse o que anda mesmo por cá a fazer, tratava das coisas de outra forma.

Há um factor muito positivo que a presidencia de Donald Trumpo trouxe ao mundo e não é por acaso que ele se tornou presidente dos Estados Unidos, nesta altura tão importante da Humanidade. O famoso sistema americano das verificações e equilíbrios.

Questionar a existência, a nossa existência, é um puro acto de nos verificarmos e nos equilibrarmos e esta deverá ser uma fórmula mais sólida para nos mostrarmos perante um equilíbrio menos frágil.

Outro dia estava a conversar com um amigo, já com uma idade acima da legal de reforma, que me dizia que quer que agora seja o seu repouso do guerreiro. Mas, nós ainda não percebemos que enquanto cá andarmos, repouso é coisa que não existe. Repousar é uma forma de atiçar a fragilidade.

Basta analisar ao de leve o que se passa ao redor de cada um, naquele espaço que percorremos diariamente, no lemos, no que ouvimos, no que vemos e levantar uma breve análise dessa fragilidade real e latente. Tudo é importante e nada é importante. A verificação existe permanentemente, nossa e dos outros, do próprio sistema, para garantir que o equilibrio permance o mais tempo possivel e sem grandes sobressaltos, para que coexistência seja pacífica, seja pelo menos habitável.

São demasiado simples e tenazes os cliques que colocam tudo em causa e como habitualmente os processos simples são pouco importantes e tudo o que é pouco importante, fomos habituados a dar pouca atenção e por isso não devemos minimizar esta verificação. Sempre que desvalorizamos, algo ou alguém valoriza para nós.

Antes que algo ou alguém coloque em causa o que é importante para nós, é bom que se aprenda a questionar os nossos factores, os nossos vectores, as nossas circunstâncias.

Esta fragilidade não pergunta o que é importante para cada um.

Então se isto é assim uma coisa que até parece cascas de ovos, o que andamos por cá a fazer? Se tudo isto necessita de tanto cuidado, de tanta atenção, ou não.

Provavelmente não deverá ser um processo obrigatório, daqueles de fazer as coisas por obrigação, para que esse mesmo sistema não entre em colapso.

Ainda não sabemos, pelo menos ainda não foi tornado público, mas existe uma razão para tudo isto.

O dia em que o Papa Francisco decidiu colocar um cartaz junto à entrada do seu quarto escritório.

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 O dia em que o Papa Francisco decidiu colocar um cartaz junto à entrada do seu quarto escritório.

 

Em Junho passado o Papa decidiu aceitar o repto do psicólogo italiano Salvo Noé e fixou um cartaz junto à entrada do seu quarto, que também serve de escritório e que lhe foi oferecido, dizendo: Proibido queixar-se. Literalmente isto.

O cartaz dispõe posteriormente de um pequeno texto, que traduzido deu no seguinte:

“Os transgressores estão sujeitos a uma síndrome de vitimismo com a consequente diminuição do humor e da capacidade de resolver problemas. A sanção é dupla se a violação for cometida na presença de crianças. Para tornar-se o melhor de si mesmo, é preciso focar nas próprias potencialidades e não nos próprios limites. Portanto: pare de queixar-se e aja para tornar a sua vida melhor”.

A medida simbólica tem um enorme alcance siginifcativo, cujo espaço de acesso muito limitado, diria mesmo aos previligiados, aos que são muito próximos de uma dependência que deverá chegar a ser doentia. Com certeza que é isto que o Papa pretendeu transmitir e não deverá ter ficando pelas intenções dos seus pequenos corredores do poder, até porque os seus aposentos não se localizam no palácio do Vaticano.

Existe um forte simbolismo em todo este processo, que é pena não ter sido possivel ser transportado para o resto do mundo, pese embora o facto de Francisco ter pensado nisso e lhe teria dado muito jeito, aproveitando o fluxo de informação proveniente deste “incidente”

Vejamos as grandes cortes europeias de séculos passados, cortes abastadas de gente em rodopios para bater à porta do escritório, mas naqueles tempos era mesmo obrigatório tocar a sineta, pedir conselhos do obrigatório beija mão, pedir licença veniada para poder fazer, o que na maioria das vezes não tinha que ser feito. Nem tão as placas existiam naquele tempo, porque as portas eram grandes demais para que sentido estético da placa tivesse o melhor enquadramento.

No passado os constrangimentos eram muitos, os deveres em demasia para uma carga muito pesada, muitas vezes ou mesmo a maioria das vezes sem conteúdo, porque havendo a ousadia de ter algum, haveria uma chamada de inquisição.

Mas, convenhamos, hoje o cenário não é muito diferente. Vivemos um espectro social e humano, onde não se aprende a pensar, onde ter a iniciativa de pensar pode dar direito a transgredir, mesmo que transgredir seja um bem maior para a sociedade e em último lugar para a humanidade.

Não é surpresa que o Papa tenha tido necessidade de colocar uma placa junto ao seu escritório, proibindo os seus de se lamentarem.

Quanto mais perto se está do acessível, mais aptidão existe para o lamento, quanto mais fácil se consegue, mais rápido é o desperdício, não porque ser humano é assim, mas porque a aprendizagem ensina a força do lamento.

O lamento não é uma incapacidade, mas sim um vício e como qualquer comportamento aditivo é susceptível de correção. Tudo depende dos meios que se lhe colocarem para o combater.

A missiva sendo bem clara que, contra o lamento é necessário arregaçar as mangas e por mãos à obra para fazer as coisas, com uma forma de incentivo à própria estima, ao reconhecimento pessoal.

Muitas vezes os comportamentos de lamento, são precedidos de tentativas de controle de situação, para atingir finalidades com operações de manobras. Isto é tanto mais verdade, quanto mais perto do poder se estiver, o que vem a revelar um sinal de inteligência maior por parte do Papa, nesta difícil missão de governar o Vaticano.

A importância das instutuições seculares é tão maior, quanto a dificuldade de tentar desfossilizar conceitos e critérios de instuição, seja com o Vaticano, seja com qualquer outra .

É, com certeza, um sinal muito positivo, por a rapaziada a pensar e a trabalhar por sua própria iniciativa, porque o capacidade de fazer, a iniciativa de desenvolver acção engrandece a alma e prospera a vida.

Quem sabe, instituições, com mais ou menos secularidade, irão pedir autorização ao Papa para utilizar a mesma placa à porta do escritório.

Como se, não acreditar, fosse viável.

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Como se, não acreditar, fosse viável.

 

É o debate do costume, quando se ouve por aí alguns entendidos dizendo que não acreditam em nada, não acreditam em Deus, este é o primeiro passo para se demarcar a posição do eu sou diferente da populaça que anda sempre atrás de coisas que não existem, depois não acreditam na existência da vida, não acreditam na espiritualidade, mas, pasme-se, acreditam no futebol, nos golos fora de série que são marcados, acreditam na sua própria força de vontade e finalmente, por vezes acreditam em milagres, de qualquer tipo; quem diria que os não acreditantes pudessem chegar a um destino que, com certeza, é tão inóspito para músculos cerrados.

Eu acredito, tenho Fé!

Pois é, cada um tem o que lhe diz respeito, porque Fé não está apenas atribuído a instituições religiosas, nem à espiritualidade e muitos menos a quem se diz dono da verdade, possuidor de forças indestrutíveis, ou até mesmo aos gurus  da Fé. A Fé que eu acredito, que é a minha identificação como ser humano, tem raízes humanas do, também estamos por cá para cumprir uma missão.

Até pode ter algum grau de veracidade, sempre tem com certeza na prespectiva individual, ou mais do que veracidade, identificar âmbitos crediveis que cada um se apresenta perante a Fé, perante a suprema ligação ao Poder.

Como existem muitos que dizem que são agnósticos e outros que se dizem ateus e ainda outros que apenas acreditam no materialismo, tambem afirmo que nada disso existe.

Acreditar não é apenas um acto místico, é sobretudo uma presença natural, física, material e espiritual. Todos nascemos, fruto de uma força, que acreditou em cada um de nós.

As empresas nascem porque se acredita que o plano de negócios a ela atribuído é a base de viabilidade e futuro. O atleta de alta competição ganha troféus, porque acredita que o seu potencial desportivo pode levá-lo a grandes reconhecimentos e cada um dos quase sete mil milhões de seres que cá estão, estão de facto cá, porque no fundo acreditam que a coisa funciona, ou mesmo e no extremo pode vir a funcionar, mesmo com dificuldades.

São incontáveis a quantidade de  histórias que existem um pouco por todo o mundo, sobre factos de sucesso de pessoas que conseguiram realizar o que desejavam e o que planearam e com grande incidência pessoas de poucos recursos, com grandes limitações a acessos, mas que conseguiram chegar onde queriam.

O único factor determinante em qualquer processo, é acreditar. Quantas vezes já ouvimos o, se eu não acreditar em mim, quem mais acreditará.

O não acreditar é um não facto, é uma falha de um sistema integral ao ser humano, é a mesma coisa que dizer que fulano não tem fala e que sem a sua fala, fulano está completo. O mesmo se passa com o poder de acreditar.

Vivemos uma casa comum, mais relativa do que pensamos ou mesmo imaginamos. A diversidade desta casa comum é tão mais igual, quanto as capacidades que nos são entregues e não nos é dado o direito de recusar a atribuição.

Quando não se acredita, recusa-se ao próprio, está a colocar-se a negação do ser no patamar mais absoluto que a humanidade possa recusar. Não acreditar, não é viável.

A reflexão sobre o sucesso e o falhanço de projectos e causas, está no quanto a individualidade abraça o critério, na capacidade que tem de acreditar.

Vejamos, os ditos elementos cheios de recursos, que aparentemente só dariam para ter sucesso: O Brasil é um dos países com mais e mais valiosos recursos naturais do mundo, contrariamente à Suiça, que de recursos naturais tem muito pouco. Entendam-se de recursos naturais, o que na fórmula clássica vem da terra, apenas. Ainda não chegamos à parte mais importante, que é nos classificarmos a nós próprios, como a melhor qualidade de resursos. Mas até há quem diga que não possivel comparar entre estes dois países, porque o seu tempo de existência é muito desigual. Então comparemos entre o Brasil e os Estados Unidos, que são dois países do mesmo novo mundo.

A história de Jean-Marie Roughol, um sem abrigo francês, que foi ajudado por uma alta figura do estado para começar a escrever, com sucesso, é envolta de uma singular capacidade de renovação da humanidade, em prol do indivíduo.

Não vale sequer prestar atenção na força que cada um acredita, mas só é possivel inverter estes processos, quando se acredita que é possivel e que acontecerá mesmo.

O mundo é feito de relações, ligações, inter ligações, com direitos e deveres nas suas consequências.

A cada indivíduo está atribuido o direito e o dever de intervir, no que a sua capacidade ditar para a memória do seu percurso, porque não acreditar, não é viável.

E se a cimeira da ética, se tivesse realizado antes da cimeira do clima?

e se a cimeira da ética, se tivesse realizado ant

E se a cimeira da ética, se tivesse realizado antes da cimeira do clima?

 

“Estou cada vez mais convencido que chegou o momento de encontrarmos uma maneira de pensarmos a espiritualidade e a ética, acima da religião!

Esta citação de Dalai Lama, é profundamente coadjuvada por Grandes líderes mundiais, por Grandes pensadores que têm atravessado a humanidade, por Grandes seres humanos que cá estão e outros que partiram.

Foi citado Dalai Lama, como poderia ter sido citado o Papa Francisco, ou Daisaku Ikeda, ou Martin Luther King, ou Nelson Mandela, ou Jesus Cristo.

Também estou convencido que o grande motivo desta convergência de esforços no sentido de levar a humanidade à prática de valores éticos, está relacionada com uma forte identificação na grande distância entre o que falado e o que é, na realidade, praticado.

Não tenhamos ilusões que esta desconexão ou falta de ligação entre as doutrinas, as filosofias que enraízam as nossas crenças, se passa apenas a um nível social superior, porque trata-se de um comportamento transversal a todo o ser humano, em que a organização social pouco ou nada está relacionada com esta prática. Reflecte-se, isso sim, na vida social, no convívio diário, nas relações humanas.

Estas descoordenação de atitude comportamental tem a sua raíz em cada um de nós, no comportamento individual. Engane-se quem pensa que toda esta parafrenália desconvexa, está posicionada nas grandes organizações, ou nos segmentos macro da sociedade. Basta olhar para as passagens que temos no dia-a-dia, na rua, no local de trabalho, na escola, no restaurante e até mesmo na própria casa, a sua origem é bem simples e de enorme amplitude.

Porque estamos habituados a olhar estas coisas para o lado, para, olha, estás a ver, eu não te disse, aí tens o exemplo, é para ali, então é sempre aquela gente ou gente deste tipo que faz sempre estas coisas, como é possivel...

E, os grandes enganos estão sempre assim, ao lado, porque é sempre o outro que se embrulha nestas grandes causas, causadores dos males da vida.

O Ruben tem uma das filhas na universidade, já num estado avançado, inclusivamente a própria universidade decidiu inclui-la num grupo de estudos avançados, coordenados por membros professores da própria universidade. O grupo está com enormes dificuldades em continuar o trabalho, porque alguns dos seus professores sempre colocam dificuldades à progressão dos alunos integrantes e esta colocação de dificuldades é feita de diversas formas, seja por repetir continuadamente os trabalhos sem objectivos concretos, seja pela criação de obstáculos no desenvolvimento do prórpio trabalho.

A própria criação de um ambiente sob pressão psicológica, para a qual os alunos não estão preparados, levou a situações extremas.

E porque acontece isto? Não vou incluir aqui o facto de se tratar de uma escola, nem o facto de se tratar de professores. Este exemplo está muito para além do factual isolado.

Cada um posiciona a importância das suas coisas nos lugares que cada um tem para posicionar. O lugar de cada importância está reservado aos aspectos da vida que cada um lhe tem atribuido.

Da mesma forma que não pode pedir a um advogado que faça cirurgias médicas, também não podemos pedir ao grande jogador de futebol, que seja dos melhores nadadores do mundo.

Toda a prática cultiva-se, seja com uma profissão, seja com uma cultura, sejam os valores e não temos visto grande interesse neste processo, de cima a baixo, ainda gera pouco proveitos cultivar uma atitude ética e digo ainda porque acredito que, depois dos grandes desafios e acordos feitos sobre o clima, iremos ter o grande desafio da ética, que levará a humanidade a debater e acordar sobre o desafio da ética para a sobrevivência do mundo.

Provavelmente, se tivessemos começado por este ponto, teriamos melhores resultados a outros níveis, nomeadamente sobre o clima.

Se a questão do clima é pouco importante, vide a quantidade de anos que se levou para negociar um acordo, que continua com sobressaltos, imagine-se como seria negociar a simples possibilidade de realizar uma cimerira da ética.

Criamos o hábito de fazer grandes acordos, quando já é demasiado tarde, ou acordar demasiado tarde para evidências tão reais, que até dá medo mexer no que está.

A história da escola, dos professores e do grupo de alunos, não passa de um factor de impreparação, ao que comumente se habitou chamar de incompetência, onde existe medo de perder espaço para jovens em ascenção, num mundo onde cada vez mais escaceia o trabalho.

A impreparação está na mediania dos que estão responsáveis pela nossa educação, nossa e dos nossos.

O resultado, ficará atribuido à mediocridade do ambiente que se vive, na qualidade de vida que teremos pelos esforços e desesforços feitos.

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