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O Livro do Tempo

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

Será o conhecimento compatível com os negócios?

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Será o conhecimento compatível com os negócios?

 

Outro dia estava a ler uma pequena reportagem, havendo um claro lamento de um evento, mais ou menos desportivo, ser a grande ocupação mental da população.

Não se fala de outra coisa que não seja a situação do Sporting, pobre ambiente em que vivemos; em jeito enternecedor lá se ia lamentando quem escrevia. Quase fazia lembrar aquela coisa do ópio do povo e o futebol, ou, sei lá, até pode ser outra coisa que não o futebol, mas vai dar tempo na mesma coisa.

Bom..., apenas uma pequena diversão da linha de chegada, sendo que a ideia é que, não é possivel haver negócio sem haver consumidor, não é possivel criar uma ideia consumista, se não houver retirada dos benefícios objectivados.

Quem conhece o mundo dos “media” há mais de ciquenta anos (informação, entretenimento, etc...) sabe que a  sua evolução tem sido feita à medida da formatação que tem sido injectada na massa de consumo. Não é melhor, nem pior, é diferente e cada um classifica este pequeno mundo de acordo com as suas necessidades e é de necessidades que se trata. Por um lado, rentabilizar uma operação de negócios, por outro preencher o mundo mental do consumidor que a faz rentabilizar.

Os exemplos se espalham e se desenvolvem de acordo com a necessidade criada.

Se bem me lembro, de Vitorino Nemésio, não teria o mesmo impacto hoje,  que as tertúlias literárias que hoje em dia são realizadas em diferentes espaços acomodados à forma de cultura segmentada.

António Vitorino d’ Almeida não seria de novo o protagonista de mesmo nível que os The Rolling Stones, em entrevista em uma cadeia de televisão.

Mas, cada um enquadra a necessidade de um punhado de consumidores, admiradores compradores, seguidores baixadores.

Punhados grandes ou pequenos, de acordo com as necessidades de cada um e sobretudo necessidades mentais, porque a mente cria, puxada ou não por ventos.

O que é que tudo isto tem a ver com o conhecimento ou a falta dele e o facto de ter uma sociedade mais ou menos culta e o que é que cultura significa?

Hanna e António Damásio vivem o seu percurso de cientistas e investigadores, com um preenchimento próprio de vida e conhecimento, que lhes é proporcionado por suas necessidades individuais.

Existe um enquadramento alicerçado e construido, nas etapas adequadas ao seu próprio mundo.

As salas onde são exibidos os espectáculos de ópera, têm uma dimensão fisica menor que os estádios de futebol.

Os espaços, onde se desenrolavam as conversas filosóficas de Aristóteles, eram com certeza de muito menor dimensão espacial, do que os espaços onde se travavam as lutas de gladiadores na antiga Roma.

Poderia ser o oposto? Claro que sim, mas a formatação da necessidade está direccionada para quem a consome.

Isso que dizer que quem vai ao futebol é menos culto do que quem vai assistir a um espectaculo de ópera? Ou, quem assiste a um reality show de televisão, possui menos conhecimento do que aquele que presencia a um sarau literário de escritor erudito?

Não creio. Hoje temos a possibilidade de saber e ver que ditos eruditos, cientistas, escritores, empresários bem sucedidos, tanto participam em eventos massificados, como são presença de acontecimentos mais restritos e embora o oposto aconteça com menor regularidade, não deixa de ser verdade, também.

O aproveitamento do conhecimento para gerar negócio tem sido ao longo dos tempos uma mais valia e continuará a ser um grande motor de desenvolvimento para o prover de conteúdo e conteúdos consistentes, exploratórios da identificação de necessidades ou a criação deles.

O espectro global tem a sua medição, pelo abrir de paixões geradoras de enquadramento propositado a uma mais valia do negócio.

Somos assim, animal de paixões com a circunstância que alimenta a necessidade que cada um impõe ao seu elã.

Pelos vistos nem todas as atrocidades são ruins; depende de quem as vê!

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 Pelos vistos nem todas as atrocidades são ruins; depende de quem as vê!

 

Nunca é bom escrever alguma coisa sobre a qual não se possa ter, pelo menos,  algum grau de certeza que possa contribuir construtivamente para fazer evoluir e tirar os nós de algo muito embrulhado e provavelmente esta possa ser a caracterização correcta, quando algo não é pretendido que se mostre de uma forma clara, embrulha-se. Mas, todo e qualquer embrulho, seja de presente, seja de mercearia, mais cedo ou mais tarde é com certeza desembrulhado.

É claro que tive sérias dúvidas se seria oportuno, talvez nunca seja, mas que fazer perante tanto questionamento inoportuno, quando o que se pretende é apenas suscitar dúvidas oportunas ou inoportunas, perante qualquer tipo de atrocidade, que nem todos vêm do mesmo ângulo e de facto a perspectiva pode matar o significado do acto.

Graças ao acelarado desenvolvimento, os dias têm se revestido de novos aromas. Poderá ser a nova primavera a espalhar sabores, que esperamos sejam doces, de deslumbrar o sentido mais apurado.

A classificação tem mudado ao longo dos tempos, porque nem sempre o acto atroz correspondeu ao mesmo peso emocional que é vivido hoje e diga-se de passagem, não fora o peso da proliferação de informação e a selecção das coisas a transmitir ao mundo seria mais directa. O mundo tornou-se uma coisa pequena, de tão grande que é e de tanta gente que abriga, que se utiliza como uma aldeia, para boatizar arremessos, espalhar notícias, vingar ideias, muitas das vezes construidas sobre estacas torpes.

Dá vontade de perguntar se tem diferença ser habitante feminina na Nigéria, ou ser multidão no Médio Oriente, ou mesmo se a importancia de uma actriz de cinema nos Estados Unidos, se sobrepõe à de uma criança de escola infantil de uma familia pobre no Afeganistão, ou se um parisiense tem mais predicados efémeros que o sujeito que habita Bangui.

É, com certeza, de difícil compreensão os parametros pelos quais são construidas as importâncias das classificações, porque independentemente de vivermos em pleno século XXI, apenas se mudou o registo da actuação.

A eliminação, pura e simples, seja física, pelo que representa o desaparecimento do ser, seja processual, pelo que é bloquear acessos ou cortar caminhos que estão sendo percorridos, apenas se diferenciam pelos ditames ditados na circunstância.

Ocasionalmente somos confrontados com notícias de condenados a prisões, umas de longos anos, outras perpétuas, que matam para o resto da vida. Uns são condenados pelos crimes que não cometeram, outros são condenados por crimes que de facto cometeram e os restantes são libertos pelos crimes que deveriam ter cometido, mas que por engano tinham sido presos.

Ainda, ocasionalmente são-nos apresentados factos que na realidade existem ou existiram e que mereceram a lucidez de alguém para os interpretar, como noutro sentido e também ocasionalmente é-nos ofertada a possibilidade de presenciar cenas de consumo ocasional, que permitem disfrutar correntes apetites temporais.

Alguém dizia que a única coisa que nos é dada é o tempo, nascemos com um tempo que nos é entregue e dele cada um faz o que quer, o que muito bem entende. Ninguém é culpado por não aproveitar bem o seu tempo, nem tão pouco é premiado por ter dado o melhor proveito ao tempo que lhe foi concedido.

Ser árbitro em causa própria é uma tarefa árdua, difícil. Quem não quereria recusar tal juizo? As armas de arremesso são difíceis de receber de volta.

Habituamo-nos a considerar que uma mentira passa a verdade a partir do momento que a insistência da sua mentira é aceite socialmente. O mesmo se passa em relação às leis, que são reguladas a partir do momento que existe uma quantidade suficiente de cidadãos que aceita o acto como sendo normal. Assim é em relação aos pecados, em relação ao céu e ao inferno e o que cada um faz desses planos.

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