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O Livro do Tempo

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

Os longos caminhos das decisões tardías.

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Os longos caminhos das decisões tardías.

 

Quando chegamos a um determinado ponto do percurso, temos a tentação de dizer que a melhor escola é a escola da vida, é o espaço onde se aprende tudo, coisas que nem imaginavamos poderem ser possiveis e outras nem por isso. A vida nos faculta sempre o melhor diploma e ficamos com a melhor licenciatura e doutoramento. Pena é que muitas vezes demora muito tempo, mas também temos a tentação de dizer que uns aprendem mais rápido do que outros.

Esta história da transferência do Neymar Jr. no futebol, do Barcelona para o PSG, onde foram ditas todas as sentenças favoráveis e desfavoráveis, ditos imprevisiveis em relação a um comportamento perfeitamente normal, mas com uma balança equilibrada do outro lado, dos que compreendem o enquadramento.

Desde quando o futebol é um simples desporto? Senão um dos maiores negócios que existe neste ciclo e provavelmente da História. De desporto passou a veículo.

Veio a comprovar-se que de facto o Barcelona não queria o Neymar Jr. a jogar no seu clube, porque demorou demasiado tempo a absorver o choque e outro tanto a tomar uma decisão, que já não era da empresa, mas sim de quem decidiu comandar os seus próprios destinos.

O futebol é um campo fértil e por excelência de tentar fazer casamentos de água com azeite, onde os negócios estão sempre latentes, despojados de campos enormes de comportamentos emocionais. Compram heróis, para lhe chamarem mercenários. Alavancam decisões, nas decisões das massas, para fazer durar actos de heroismo.

Vejamos, os comportamentos são exactamente os mesmos, seja dos clubes, seja dos jogadores, toda a gente joga o seu jogo de negociar pela melhor vantagem.

As perdas e os ganhos se medem pelo nível de tratamento que se dá. Pede-se e ganha-se de acordo com o que se quer.

Uma das formas que temos para avaliar a intensidade da importância é a clareza e a rapidez da resposta.

Quando um homem pede uma mulher em casamento, isto segundo os critérios do século passado e não pode estar muito longínquo,  se passar o primeiro segundo sem resposta, logo é identificada uma imensidão de dúvidas. É nesse mesmo segundo que é tomada a decisão se o casamento se realiza ou não, se a coisa vai para a frente, ou se ficou alí mesmo.

Que crueldade, as dúvidas. As incertezas são assim mesmo, servem para testar a importância do enquadramento, clarear as garantidas certezas, que afinal ninguem estaria certo até o choque rebentar.

A grande dúvida persiste nos grandes conselhos dados pelos outros à grande plateia. Quanto mais ouço dizerem ao povo que é necessário saír da zona de conforto, mais vejo os homens do palanque, confortavelmente nos seus sofás de adormecer a testar quem ouve.

Costumo dizer que, grande parte das perdas, se deve às decisões tardías que se tomam. Gente que aponta o dedo aos males do mundo, grandes teorias que devem atravessar a complexidade indicifrável da gente que tenta viver um dia de cada vez e grande parte das vezes é esta gente que toma as decisões, os senhores das grandes teorias impraticaveis, instalados nas suas zonas de conforto, porque cansa levantar do sofa para praticar o acto.

Esta história do Neymar Jr., serve mesmo para entreter, para passatempo de fazer passar o tempo, nas questões essênciais, onde as decisões têm que ser tomadas a tempo e horas e não foram de um prazo que já não tem mais efeito.

Partindo do princípio que tudo o que nasce, morre ou se transforma, este planeta, que chamamos de casa comum, também está nesse processo e provavelmente na fase inicial ou que precedeu o seu nascimento e um pouco o seu desevolvimento, os seus habitantes não tinham conhecimento que tal processo poderia ser possivel a uma coisa tão grande quanto esta, ou seja, que pudesse acontecer um fim final ou fim transformador.

A história recente diz-nos que nas ultimas dezenas de anos, existe um forte movimento na Terra, para alterar comportamentos e dessa forma exercer algum controle sobre a preservação, sustentabilidade e longevidade do planeta que habitamos, que teimosamente chamamos de casa comum, mas muito pouco ou nada o identificamos como lar e a discussão centra-se na realidade se queremos ou não ter casa para morar ou se é melhor deixar rebentar com isto, até para ver o que acontece e na melhor das hipóteses é aproveitada a oportunidade para mostrar aos grupinhos que tanta birra fizeram para alterar tanta coisa, que afinal a razão morreu solteira.

Há dezenas de anos, que tentam alterar o processo e a forma como devemos viver por cá neste espaço, sem grandes avanços, alguns com certeza felizmente, quase sempre e na quase totalidade devorados pelos habituais recuos. Há dezenas de anos, que se demora a tomar decisões, tardiamente percepcionadas que mais parece uma não verdade encarada com ligeireza, com indentificação de pseudo factos contrários, ancorados nos mais largos disparates, de acordo com as necessidades de quem defende o facto encontrado para melhor justificação.

E, assim andamos, de pé em pé, ano após ano, brevemente a medir o tempo pelos séculos a perguntar que mundo é que vamos deixar para os nossos filhos. Mais grave, que temos a obrigação de garantir as melhores condições de vida aos descendentes, aos vindouros, à continuidade da espécie, porque a memória que deixarmos não perdoará as hesitações.

Quem estiver por fora, num gesto de apreciação, largo um riso bem aberto e diz, esta gente só pode estar a brincar.

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