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O Livro do Tempo

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

O labirinto

A passada semana foi noticiado em todo o mundo, que uma coluna de autocarros de pessoas comuns, seres humanos, homens, mulheres e crianças, tinha sido completamente devastada, com mais de uma centena de mortos, na Síria.
A notícia espalhou-se por todo o lado, em todas as latitudes, com condenações mais ou menos veêmentes, comentários com mais ou menos profundidade, declarações oficiais para que a história possa mais tarde ter como registo do acontecimento.
Isto é sério, muito sério, o que aconteceu.

Há certo tempo, tivemos mais um acontecimento trágico de um homem que mata a ex-mulher, porque não admitia que ela fizesse vida sem ele.

Temos todos os dias na comunicação social, também porque os amigos nos contam, porque participamos em conversas, informações de toda a natureza, muitas das quais nos fazem pensar ao que o mundo chegou com comportamentos tão estranhos, que apenas o são porque o mundo está cada vez mais pequeno e o seu acesso agora nada custa, tudo está acessível, até mesmo para que este sistema funcione com mais eficácia.

Podemos encontrar relatos com maior ou menor complexidade, com uma abrangência social muito grande, completamente transversal a todas as classes sociais, culturais e até mesmo do simples cidadão analfabeto, até ao mais formado académicamente, porque na realidade ter medo e incutir medo, não se cinge a questões de um status de preparação na evolução social e profissional. Ter medo e incutir medo, faz parte de uma essência humana que nos liga ao exercício de poder.

A velha escola com um exercício apoiado por uma experiência segura.

Tão antigo e velho quanto a existência do mundo, o conforto do medo como um refúgio de segurança para quem dá e para quem recebe.
Nos dias de hoje até se poderia dizer que de tão velho que é que até se poderia reformar, mas de tão seguro que está, que resolveu se instalar definitivamente.

Para que o medo não se desinstale, foi criado um labirinto de citações motivacionais e instituições de ajuda, citando inclusivamente que ter medo é bom para o equilibrio humano. Assim, homens e mulheres, jovens, crianças sentem-se mais seguros, mais senhores de si próprios e já agora, também mais senhoras de si próprias.

O pior é quando isto atinge o sentido e a prática da ameaça, por tudo e por nada, basta que um ou uma esteja um degrau acima. Ameaçar tornou-se uma arma de controle comum, para complexizar ainda mais o labirinto.
Uma vez dentro dele, as dificuldades são cada vez maiores para encontrar a saída, por isso talvez não seja má ideia ficar junto à porta de entrada e não avançar para o interior, porque a teia é muito forte.

O Professor José Gil, no seu livro “Portugal, o medo de viver”, retrata um cenário histórico deste país Portugal, dito à beira mar plantado, para fazer escorrer as lágrimas do acorrentado viver em que nos tornamos.
Não é desde o velho do Restelo, não, mas o homem lá estava para fazer história numa marca profunda do país. O sinal estava dado, para que pudessemos pensar mais do que duas vezes, se necessário fosse, sempre que se decidisse avançar em mais alguma empreitada.

O medo tornou-se a arma mais poderosa.
Um labirinto de entradas e saídas, de avanços e recuos, de nortes e desnortes, para fazer dirigir a mente humana no sentido mais lúdico dos momentos que são necessários.
Mata-se, como e quando, para o fazer instalar bem visivel, até porque não se pode pôr em risco os ganhos.
Controla-se, para que em nome de superiores interesses, que raramente se sabe quais, o proveito próprio ganhe substância.

O factor matar contemporâneo não tem mais uma ligação física, de eliminação pura e simples da matéria.
Mata-se socialmente, politicamente, pessoalmente, familiarmente, religiosamente e por aí adiante. Os campos de actuação são vastos.
Mete-se medo ou cria-se condições para que o seu ambiente seja adequadamente oportuno.

As sociedades são tão mais fortes e capazes, quanto a liberdade de pensamento e actuação que lhe são conferidas.
No seu desenvolvimento, são providenciadas armas de reação, para fazer prevalecer as raízes da razão e da responsibilidade, que sempre é orientada para a construção de sociedades mais fortes e capazes.

Os exemplos que temos são muitos, quer ao longo da história, quer na actuação de hoje. Os que são mais desenvovidos e os que não conseguem prosseguir, os que são mais cultos e os que têm gravissimos problemas de literacia, os que se sentem mais seguros e os que sempre se escondem.

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