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O Livro do Tempo

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

O assédio moral ou a reconversão de um conceito milenar.

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O assédio moral ou a reconversão de um conceito milenar.

 

Há cerca de três semanas tive a oportunidade de ler um relatório sobre o assédio moral no trabalho, do qual ressaltam para mim, as seguintes conclusões:

Este tipo de informações tem uma base cada vez mais forte de estatísticas, mais fiaveis, mais completas e mais abrangentes.

A transversalidade social e de género.

São muito difíceis as condenações, pela dificuldade de obtenção de provas.

Como apoiante moral do nosso actual Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, digno-me reverênciar as suas sábias palavras dos últimos dias, a propósito dos últimos incendios em Portugal e que, sem pretender sublinhar ipsis verbis, observa que a grande diferença entre estes desastres no tempo do antigamente e na actualidade, é que a agora informação sobre os acontecimentos está disponivel e acessivel a todos.

De facto esta é a única diferença.

Quais as diferenças entre os grandes incêndios e o assédio dito moral? É mesmo e só a cor do lume que emerge da queimada e provavelmente um tem mais reuniões e conferências de imprensa, do que o outro. Tudo se resume a estatísticas, constatações, base legal eleita para proteger os eventos e eventuais.

Os significados literais de assédio e suas derivantes, foram encontradas directamente no dicionário e que resumem de uma forma inquestionável a direção actual:

Nome masculino

Conjunto de operações que visam a conquista de uma posição inimiga, cerco, sítio.

Perseguição insistente em geral com o objectivo de conseguir algo, importunação.

Assédio moral

Pressão psicológica exercida sobre alguém com quem se tem uma relação de poder.

Assédio sexual

Conjunto de actos ou comportamentos, por parte de alguém em posição priviligiada, que ameaçam sexualmente outra pessoa.

Que grande atrevimento chamar-lhe assédio moral, nome pomposamente diminuido para não chocar conceitos, ou seja, estão a tentar dizer que isto não passa de um assalto à moralidade da pessoa, diminuindo assim o impacto nos resultados. Quão pobre é. Quase apetece dizer que é bem melhor, com esta designação, não desmoralizar as tropas.

Lacunas nas estatísticas habituais:

Quantos mortos têm sido consequência do assédio moral?

Quais os custos directos para o estado (ou seja, para todos nós) que todo este processo gera?

Quantas famílias têm sido destruídas com as operações de assalto à dignidade humana e respectivas consequências?

Nos locais e nos espaços onde são praticados, quais os resultados práticos e reais, que têm trazido?

A  exemplo da problemática falta de provas para gerar condenação, os dados relativos a estas questões estão ensombrados pela legitimidade que supostamente esconde uma dinamica activa, dispersa por todas as áreas, algumas das quais de difícil digestão, ou seja, como é possível.

Todos os crimes são precedidos de actos, que são classificados como provas, que não se conhecem, até se conhecerem.

O povo hebreu foi subjugado no antigo Egipto durante anos a fio, subjugado à escravidão, a quem foi retirado qualquer direito a uma vida minimamente digna, impedindo, desta forma, direito à sua existência, como povo com as suas tradições e com uma cultura diferenciada.

Nestes tempos não havia leis. Bastava o desejo do senhor.

Milus é um adolescente com 16 anos e frequenta a escola do bairro onde mora. Tem sido recorrentemente atacado à sua dignididade, a ponto de ter, por várias vezes, decidido por fim à vida.

O que acontece com o Milus, acontece com milhares ou milhões de crianças e adolescentes, por todo o mundo.

A escola é um meio pequeno, muito pequeno, que não seja possivel prevenir e corrigir estes comportamentos.

Isto não é bullying. A isto se chama atentar contra a vida humana, no espaço temporal de criar os alicerces da vida, onde a escola e os pais e a sociedade deveriam assumir o papel de desenvolvedores de consciências.

Na realidade, qual o objectivo de diminuir ou até mesmo eliminar o Milus? Não era porque o Milus era fraco, mas sim porque o Milus fazia sombra aos ditos mais fortes, que se sentiam ameaçados pela sua relevância. Na realidade queriam ser como o Milus.

Mais sério é o facto de se criar em continuidade um ambiente de impunidade e desresponsabilização de comportamentos classificados socialmente como inaceitáveis, dependendo das condições de actuação.

O sistema cria filtros.

As práticas têm consequências mais visiveis, provavelmente, no ambiente profissional. As história são conhecidas, as consequências são evidenciadas. Os resultados tendem a desaparecer com o tempo, o que leva a perguntar, então porquê?

O dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues dizia: “os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”.

Estava quase com tendência para acreditar que Nelson Rodrigues, como já não está entre nós desde 1980 e tanta água já correu debaixo da ponte desde então, a frase teria ficado um pouco desactualizada, mas não, parece o oposto. Parece? Só isso? Vejam meus senhores o que para aí vai.

Quando alguém não evolui, dizemos que é incompetente, porque as suas competências não foram actualizadas. É como o software de um computador que tem que ser actualizado.

Provavelmente, o software não necessita de actualização, porque excede as competências de um hardware ainda mais fossilizado.

Aparentemente, o espectro apenas mudou de nome.

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