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O Livro do Tempo

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

Existe limite para o precipício?

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Existe limite para o precipício?

 

Há medida que o tempo passa, dá a sensação que o limite é elástico, sempre tem forma de se formar um pouco mais, de acordo com as necessidades do ciclo, tem sempre um pouco mais de espaço para se trabalhar, vem o espaço da tolerência, para o início do precipício.

Estamos a ficar velhos, diz o homem da padaria, estas coisas já só são para os mais novos.

Era domingo pela manhã, a grande cidade estava a começar a acordar. Ninguém em seu perfeito juízo se põe à estrada pelas sete horas da manhã de domingo e vai assistir a uma palestra do meu grande amigo e mestre Luiz Mota, mas foi isso que fiz novamente a cada quinze dias quase não perco ouvi-lo.

Parece que o ambiente fazia adivinhar que, o que iriamos encontrar se relacionava com algo que sempre estava latente, sem saber o significado, sempre havia espaço nas conversas para falar alto e em bom som, que o mundo está louco. Isso mesmo, nunca como hoje mais actual. Ou, talvez tenhamos mais acesso e lá vem a coisa da tanta informação disponível, porque hoje é tudo muito mais rápido e em quantidades que humanamente não é possivel lidar.

Mas, Luiz Mota o abordou com a sua profunda sabedoria. A loucura será a doença do século, é o que está a matar o mundo, com pedaços cada vez maiores. Preparem-se para ver um desatino completamente louco.

Tem muito poucos dias que passaram e escreviam nos jornais, um desabafo de dois senadores republicanos sobre o seu presidente, que ele está louco, pela sua forma de comportamento, pelas decisões que toma, pelas atitudes de um não presidente, que os Estados Unidos não estão habituados a ver ou ter.

Na Venezuela, existe um Maduro que teima em se manter em processo de crescimento, quando não tem o vislumbre de que já tinha sido tempo de cair. Há uma honra a cumprir em todas as frutas, pois devem cair de Maduras. Milhões de pessoas estão em risco de uma não vida, uma completa geração arrisca estar perdida para uma luta de sobrevivência.

No outro lado do mundo, experimentam o amedrontamento das bombas a cair sobre o mar. Uma festança de fogo de artifício, num deslumbre que mais parece um bullying de mocinhos de escola.

Estes episódios são os mais mediáticos e porque temos mais acesso, diário mesmo, a todas as peripécias que vão acontecendo.

O mundo está louco ou a doença está a propagar-se mais rapidamente? Provavelmente sempre foi assim, mas no nosso tempo temos a nossa identificação dos ciclo que vivemos.

Não me convence que a locura que vivemos seja de grandes casos globais, de gente que aparece todos os dias na televisão e mobiliza loucura para todos. A loucura é uma coisa local, que forma, desenvolve e projeta a partir do local, do pequeno espaço, do individual.

De são e de louco todos temos um pouco. Será que medimos o grau de atrevimento, de capacidade de enfrentar, pela intensidade de loucura que insanamos da pessoa de cada um? Ou porque somos loucos e isso nos dá a liberdade de entrar onde nem sequer somos convidados?

A Rute é uma menina com 14 anos, a iniciar uma juventude incrível, uma vida promissora à sua frente, com um nível de inteligência acima da média, uma essência de humanidade digna de registo, mas muito só, com tantos colegas de escola à sua volta, só tem mesmo marginalização por grande parte da escola, com maus tratos, uma enorme falta de respeito para com o ser humano, que é a Rute. A loucura de não aceitar os outros como eles são, dá o direito à loucura de espezinhar, em nome de uma guerra de absurdos, que se acha no direito de existir.

O jogo da sobrevivência tornou a vida vazia de conteúdo, para a classificar para um campo de batalha fraticida, onde nada nem ninguém é poupado. Amigos e estranhos, familia e parentes afastados, colegas de trabalho e de escola, a loucura de quebrar todas as ligações que os valores desenvolveram. Humanamente estamos em risco de extinção e por isso estamos a caminhar a passos largos para a robotização social, com e sem robots. A capacidade de destruição que assume os genes humanos, é infinitamente maior, do que a capacidade de construir.

Estava a lembrar-me dos conteúdos de programas de televisão, desde os filmes, programas para as crianças e sobretudo para os adolescentes. A linha de programas decidida pelos canais de televisão é a que rende mais financeiramente, ou seja, aquela que tem mais audiência e as audiências são construídas segundo os gostos individuais, ou os interesses que cada mais nutre por seguir.

Salvaguardando alguma carência de precisão nos numeros, talvez cerca de noventa por cento dos programas de televisão, sejam eles de ficção, sejam eles de informação, são programas orientados para violência, desastres, conflitos. É isto que mais vende e é neste panorama que são geradas mais receitas. Os decisores televisivos não criam audiências, eles seguem as audiências.

É neste panorama que construimos a base social, uma base sedente cada vez mais de exercitar as suas necessidades de violência, que quando não existe, eles próprios a criam.

Mas, são pequenos grupos de pessoas que estão ligados a este fenómeno? Não, não são. Queremos acreditar que estes, são fenómenos isolados, muito orientados para grupos marginalizados de rua. Nada disso. Encontramos um fenómeno, sim, à escala global, transversalmente, nas estruturas mais básicas da organização social, até às mais complexas.

A loucura de reação, a loucura sedenta de protagonismo, a loucura de eliminar obstáculos, a loucura do facilitismo, a loucura do deslumbramento.

Se, mente sã em corpo são, também temos uma mente doente em corpo doente. A combinação de esforços se transmite, de acordo as vivências, com os exemplos, com as bases construidas.

Normalmente, os grandes males são combatidos, de novo, por grandes eventos que tendem à destruição. É essa a natureza do que existe, se a aceitarmos como um facto inabalável. Loucura leva à loucura das decisões que são tomadas

Nunca foi presenciada uma outra forma de um grande remédio pacífico, como solução de um grande mal e talvez porque tanta injeção de destruição foi colocada nesse corpo, que chega o dia em que o corpo fica doente de uma forma permanente.

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