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O Livro do Tempo

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

A lenda do mais forte

 

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A lenda do mais forte

 

Nos idos tempos de mais jovem, corria um célebre programa radiofónico, que se chamava, “dos fracos não reza a história”, que relatava, muitas vezes com uma ironia nortenha de rua, as sagas de quem se afirmava no mundo do musculado, independentemente do local onde poderia se encontrar o músculo.

Hoje não temos o dito programa, porque os protagonistas decidiram ocupar o seu lugar. Se acharam donos e senhores desse espaço e sem mais delongas, se auto imposeram como a lenda somos nós e nenhum programa é mais importante. Nós somos o programa.

A lei das lendas para quem trilha caminhos de mais forte, com a supremacia de domínios e benefícios, direccionados para gestos e movimentos ao vento de sopros maiores, ou pelo menos localizados em patamares difíceis de atingir, a menos que se permitam deixar permitir, deixando que tudo pode acontecer de acordo com quem envia os ventos e define as suas direcções.

Arrumem-se seus inoportunos, calaceiros, principalmente caloteiros, aqueles que não pagam o que devem, que juraram fidelidade ao grupo, ao sistema, nem que seja para sua própria defesa. Difícil de pensar nos dias de hoje que o episódio fosse passar directamente na televisão para mundo ver e ficar estefacto com o que estava a assistir. É claro que também eu fiquem completamente siderado. Impensável ver em apreciação de camâra lenta, quase roçando um debate arbitral. Que cena foi, memorável, difícil de retirar dos anais da história.

Enganam-se, não é apenas um caso.

Um famoso jornalista da nossa praça, distinto escritor, classificou a violência doméstica, não como tal, porque não justifica tal minoridade de sub importância.

É violência ipsis verbis, quando é detonado literalmente um mais fraco fisicamente, mulher ou homem, abusados de uma impreparação para o que não vieram ao mundo.

Com certeza.

Ou ainda não saímos da pré-história, ou estamos de regresso a esses tempos.

Foram criadas lendas à volta do mais forte, na tentativa de cimentar lei eterna. Chego a pensar que sim. Ainda o genoma está mal identificado, corre um certo vagar de tempo, que ainda não permitiu saber as raízes deste mal, que é únicamente social. Recuso-me a aceitar que seja humano.

O mais forte queria se tornar lenda.

Triste a figura que passeia todos os dias nossos olhos.

O que vemos de mais forte, num feudalismo actualizado pela posse de faculdades temporárias e usadas, nesses ditos ventos de sopros alheios.

O que de forte e fraco se torna a lenda, em ápices de uso.

O que foi forte e é usado, o que é forte e se deixa usar. Difícil é ter a consciência plena dos actos, a importância na sociedade, o elemento humano que passeia meia dúzia de anos por esta aventura, muito provavelmente inesperada, com um acordar tardio, normalmente acima dos setenta anos e tardiamente arrependido de males que só se quer curados e perdoados, como se Deus estivesse à disposição numa última hora meio desgraçada, porque o momento estava a chegar e era necessário garantir um lugar no paraíso, quando o inferno esteve sempre presente.

Estas lendas, nomeadamente as que exigem primeiros planos de fotos, exigem julgamentos da história, como se heróis se tratasse.

São grandes e pequenas, estas lendas, as que vemos na televisão e as que passeiam no dia a dia.

São lendas, porque não são reais. São apenas isso mesmo.

A vida desprezível de uma lenda que pretendeu se inventar num contexto virtual, agora este sinonimo é mais real, numa coisa que não se consegue apalpar ou tocar, que existe pelas exigências de uma agenda muito própria.

O que falamos e participamos no desenvolvimento de conceitos de liderança, fora de uso, fora de contexto similar ao que vem formulado numa vida de percepções aprendidas, seja em livros, seja proveniente do berço nascido, com a humildade de um pobre ou de um rico de recursos.

Provavelmente é mesmo necessário arranjar e com urgência, mais um ou mais planetas, para distribuir estes sete mil milhões, antes que sejam mais e seja tarde.

A ferocidade da escassez de espaço faísca na inaptitude do conhecimento e da tolerância.

A competência humana, vai muito mais além do que a animalidade de circunstância.

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