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O Livro do Tempo

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

A idade crítica da inocência

A idade crítica da inocência.jpg

A idade crítica da inocência

 

O Reboredo é um personagem digno de ser apreciado. Está hoje com mais de setenta anos e pautou toda a sua existência pela sua luta contra, o que classifica, está tudo mal e faz saber em alto e bom som que está mesmo tudo mal.

Começou por dizer aos pais, alguns anos após a sua entrada na idade de uma maior consciência, que a data que nasceu foi mal escolhida, não deveria ter nascido no mês de novembro, mas sim no mês seguinte, porque seria muito melhor para ele. Hoje, aparentemente, não teria grande parte dos problemas com que se depara hoje.

Passou as diversas fases da vida, desde a escola, até à várias profissões, cujos trabalhos lhe foram permitindo ganhar a vida e o pão que sempre ele amassou, porque a farinha de era feito, tinha sempre defeitos. Pobre Reboredo, nunca chegou, pelo menos até aos dias de hoje, a encontrar a melhor farinha para fazer o pão que tanto apreciava, que nem o próprio sabia qual o bom sabor, mas o paladar de dizer que era mau esse pão, que estava mal cozido, sempre lhe encheu a barriga de satisfação.

Está tudo mal.

Nunca isso deveria ter sido feito dessa forma.

Eu bem disse que isso não iria resultar, mas nunca niguém me quis dar ouvidos. Assim o Reboredo tem contribuído para a sua existência, como importante cidadão, contribuinte directo para o desenvolvimento do seu país e da sua comunidade.

Hoje, ultrapassados que estão os primeiros setenta passos de existência, Reborado acha que deveria ter nascido novamente, para mostrar ao mundo como se faz as coisas, porque o Reboredo pertence aquele grupo que nasceu com o dom especial de dizer ao mundo qual o único caminho que deve seguir.

Estou certo que veremos o Reboredo morrer na hora errada, no local errado e posteriormente se queixar a São Pedro, que ele não teve culpa nenhuma do que aconteceu, porque o mundo não seguiu os seus conselhos.

Pobre Reboredo.

Formataram o Reboredo dessa forma, numa divina inocência crítica a quem se acha no direito de apelar aos comandos de uma actualizada versão de habitante do restelo.

Inocentemente é a amplitude que se oferece, em forma de contribuição de cidadania.

Claro que não existe essa consciência. Seria ir demasiado longe nas pretensões.

Os apelos esporádicos para inverter algum do sentido, que visualmente esta a remoldar este panorama, se esvaziam em saco roto, porque isso não vende, vende muito pouco, dá pouca receita e as pessoas não entederiam o que é isso.

O sentido de responsabilidade que eleva uma empreitada dessa natureza, levaria a chamar novamente Hercules a entrar em odisseias que obrigariam os deuses a intervir.

É muito difícil fazer, colocar em prática, deitar mãos à obra, para concretizar.

A história do sobreiro é bem o exemplo disso mesmo. Hoje, é muito difícil gerir investimentos de quarenta ou cinquenta anos, de retorno e tal é a dificuldade que até o próprio sobreiro esta a ser testado para que o seu retorno de investimento seja encurtado para cerca de um terço do tempo. Se o Reboredo tivesse a oportunidade de opinar sobre essas mesmas experiências, teria decidido mesmo que se fosse com ele o sobreiro nunca teria existido.

Convenhamos que até dá muito jeito, deixar estar as coisas como estão, porque a realização das coisas para o dia seguinte requerem mesmo esta dinamica.

O Reboredo não vê mais as caravelas partir do Tejo, mas o Tejo por lá continua, bombando água vinda  de Espanha e do interior de Portugal.

Engane-se quem pensa que o Reboredo é portugês. O Reboredo é cidadão do mundo, dono disto tudo e com uma respeitável bagagem intelectual, cujo dever é ensinar ao mundo, as bases do seu invejável conhecimento, a ponto de fazer lei.

O nosso Reboredo passou a ser heroi, porque soube adaptar-se ao que foi chamado e nem ousou contrariar a fundamental designação do estabelecido.

Dá vontade de dizer, grande Reboredo. Estar tudo mal e antecipar a vontade de designar obervatórios, passou ser desígnio heróico.

O Reboredo não está cá, nem nasceu finalmente, para estar com o trabalho de comprovar ou fazer o que quer que seja. O Reboredo, na sua inocência, cavalga os trilhos de um panorama que é só dele.

Está tudo mal Reboredo, a ponto de não ver o que se passa.

Acredito que no fundo, no fundo, o Reboredo tem a ambição de apreciar as coisas boas e de passar a aplaudir as coisas bem feitas e contribuir para a construção do seu país, mas também sei que, se o Reboredo ainda aí não chegou é porque manifestamente não sabe como lá chegar. Teve pouca instrução e a que lhe deram esteve direccionada para este comportamento.

Está tudo mal e pronto.

Deixem de existir, porque isso não leva a lado nenhum.

Quem sabe ainda veremos a conversão do Reboredo.

Mudam-se as idades e com elas as inocências.

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