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O Livro do Tempo

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

A filosofia do enquanto der...

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A filosofia do enquanto der...

 

No início a alimentação existia para fazer sobreviver, para alimentar energia física necessária à substituição de queima de calorias, evitar a debilidade do corpo. Hoje a alimentação existe para engordar, mais e mais e enquanto houver comida que chegue para comer e para desperdiçar, assim continuará a ser, numa filosofia de ostentação, de mais, enquanto houver e enquanto der para engordar, não só fisicamente de acrescentar gordura, supérfulo, engordar uma coisa inexistente.

Quem diz alimentação, diz tudo o resto e quando digo tudo, é tudo mesmo sem restrições, porque restringir não é bom para o consumo e a dinâmica é consumir quanto mais melhor, porque isso engrandece todos os espíritos ganhadores de qualquer índice de crescimento, de prosperidade, de tardiamente constatar que enquanto houver disposição para consumir, foi uma farta mesa.

Já passou bastantes anos que tive a oportunidade de escutar Ernâni Lopes numa conferência, uma apresentação sobre economia e negócios e sobre os desafios do futuro. Uma mente brilhante que tivemos entre nós. Na altura não tinha assimilado completamente o significado do que havia sido dito, como: “inclusivamente exploramos e utilizamos o petróleo para queimar, é pobre demais” referia Ernâni Lopes. É como uma conta bancária, se apenas fazemos retirada de dinheiro, chegará o dia em que a conta estará a zeros e pior do que isso, as responsabilidades de pagamentos continuam a recaír sobre uma conta vazia de cumprimento de responsabildade.

A discussão sobre a sustentabilidade do planeta é, neste momento, uma teoria avançada assente numa filosofia do enquanto der, consome-se, quando não houver, logo se vê.

Louváveis são as inúmeras acções sobre a criação de alicerces à sustentabilidade da vida e esta palavra, sustentabiidade, não pode ser mais um termo para um aproveitamento de negócio, só para fazer mais dinheiro , para criar mais endividamento. Sustentabilidade passará a ser, cheguemos ou não a tempo de sustentar o planeta, a obrigação de manter viva a alma disto tudo.

Recordo-me do primeiro ensaio, nos meus tempos, aquele que tive consciência de constatar, que se começou a falar sobre a substituição do mais, para o melhor, que ainda hoje perdura. Ou seja, em vez de apenas considerar fazer mais, a primazia da quantidade, optar por fazer melhor, melhorar os índices, caminhar numa direcção de aprimorar, de melhor aproveitar.

Uma vez mais é necessário ter em consideração que sair da zona de conforto e incentivar a refazer e fazer de novo para melhor, não pode ser apenas para os outros ou para o vizinho. O chico espertismo, quando aplicado, tem de primeiramente assegurar servir o chapeu de quem fez.

Recorde-se Pepe Mujica, mais conhecido por ter sido Presidente do Uruguai de 2010 a 2015, com o seu carocha de trinta anos. Hoje, ninguém em seu perfeito juizo tem um carro utilitário com trinta anos de estrada. Normal hoje é trocar de carro, de preferência todos os anos, na pior da hipóteses até cinco anos e na maioria das vezes. Não porque o carro deixou de ter capacidade de transporte, mas porque passou de moda.

Alguém me dizia que tudo na vida é uma questão de prioridades. Até pode ser assim, com esta definição, porque a prioridade não está em sustentar o planeta.

A Dinamarca está a caminho, dentro de poucos anos, ser completamente auto suficiente em energia, com uma politica efectiva de instalação de energias renováveis, mas quem mais está nesta direcção? Quem mais está tomar as decisões certas para caminhar neste sentido? Estaremos perante formalizações de um sistema ou de facto as coisas estão a mudar e mudarão a tempo?

Desenvolvimento sustentável, com a finalidade de criar um sistema que se regenere. As coisas não morrem por si sós, apenas porque são consumidas, e ponto final, mas existirá um sistema que auto regenerará o meio, a capacidade. Não haverá um processo de apenas subtração. A reposição por meios que afectem positivamente todo o sistema.

O biólogo e professor universitário americano Barry Commoner, dizia: “A primeira lei da ecologia, é que tudo está ligado a todo o resto”. Talvez este seja um conceito de necessidade primária a ter em consideração, para evitar o desmoronamento. Todo este corpo é uno pelo que representa num sistema de interdependências. Há um cuidado acrescido pelos laços que estão a ser cortados.

A tendência de crescimento da população mundial é muito elevada e sabemos que a prazo, não será possivel sustentar todos os seres humanos que habitam na terra. Hoje morrem milhões de pessoas à fome, não porque falta comida, mas porque a comida não chega a essas pessoas. Hoje, há partes do mundo que nada comem de alimentos e outras partes que deitam ao lixo, toneladas de alimentos.

No ano de 1650 estima-se que a população mundial se situava nos 500 milhões de habitantes.

No ano de 1900, seriam cerca de 1,6 mil milhões.

No ano 2000, eramos 6,1 mil milhões (ou seja, em apenas 100 anos, a população da terra cresceu quase 4 vezes).

Estima-se que em 2050, sejamos cerca 10 mil milhões.

Não está apenas em causa a disponibilidade de recursos para sustentar toda a gente, mas e mais importante, assegurar a continuidade do sistema de sobrevivência e essa segurança passa exclusivamente pela criação de um sistema global de regeneração dos meios, todos eles.

A educação consciente, aquela coisa que pega nas pessoas e as leva a se assegurarem que é da sua inteira responsabilidade fazer pela vida no local onde habitam, ou então estamos todos tramados. Como isso é uma tarefa com um alcance inimaginável, ficará como que ao critério de boas vontades, ver no que isto dá. É certo que não é mais possivel continuar com o sistema do, vai-se gastando até ver, ver no que dá e ver se dá e isto não é mais um meio de lá chegar, que é isso que temos vindo a fazer.

Antigamente, já muito antes da actualidade, costumava-se dizer que é nossa obrigação deixar o mundo melhor do que o encontramos. Continua essa obrigação. Os meios que temos à disposição, sem bem superiores e maiores, do que o necessário para que isso aconteça. Não é uma questão de meios.

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