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O Livro do Tempo

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

Existe limite para o precipício?

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Existe limite para o precipício?

 

Há medida que o tempo passa, dá a sensação que o limite é elástico, sempre tem forma de se formar um pouco mais, de acordo com as necessidades do ciclo, tem sempre um pouco mais de espaço para se trabalhar, vem o espaço da tolerência, para o início do precipício.

Estamos a ficar velhos, diz o homem da padaria, estas coisas já só são para os mais novos.

Era domingo pela manhã, a grande cidade estava a começar a acordar. Ninguém em seu perfeito juízo se põe à estrada pelas sete horas da manhã de domingo e vai assistir a uma palestra do meu grande amigo e mestre Luiz Mota, mas foi isso que fiz novamente a cada quinze dias quase não perco ouvi-lo.

Parece que o ambiente fazia adivinhar que, o que iriamos encontrar se relacionava com algo que sempre estava latente, sem saber o significado, sempre havia espaço nas conversas para falar alto e em bom som, que o mundo está louco. Isso mesmo, nunca como hoje mais actual. Ou, talvez tenhamos mais acesso e lá vem a coisa da tanta informação disponível, porque hoje é tudo muito mais rápido e em quantidades que humanamente não é possivel lidar.

Mas, Luiz Mota o abordou com a sua profunda sabedoria. A loucura será a doença do século, é o que está a matar o mundo, com pedaços cada vez maiores. Preparem-se para ver um desatino completamente louco.

Tem muito poucos dias que passaram e escreviam nos jornais, um desabafo de dois senadores republicanos sobre o seu presidente, que ele está louco, pela sua forma de comportamento, pelas decisões que toma, pelas atitudes de um não presidente, que os Estados Unidos não estão habituados a ver ou ter.

Na Venezuela, existe um Maduro que teima em se manter em processo de crescimento, quando não tem o vislumbre de que já tinha sido tempo de cair. Há uma honra a cumprir em todas as frutas, pois devem cair de Maduras. Milhões de pessoas estão em risco de uma não vida, uma completa geração arrisca estar perdida para uma luta de sobrevivência.

No outro lado do mundo, experimentam o amedrontamento das bombas a cair sobre o mar. Uma festança de fogo de artifício, num deslumbre que mais parece um bullying de mocinhos de escola.

Estes episódios são os mais mediáticos e porque temos mais acesso, diário mesmo, a todas as peripécias que vão acontecendo.

O mundo está louco ou a doença está a propagar-se mais rapidamente? Provavelmente sempre foi assim, mas no nosso tempo temos a nossa identificação dos ciclo que vivemos.

Não me convence que a locura que vivemos seja de grandes casos globais, de gente que aparece todos os dias na televisão e mobiliza loucura para todos. A loucura é uma coisa local, que forma, desenvolve e projeta a partir do local, do pequeno espaço, do individual.

De são e de louco todos temos um pouco. Será que medimos o grau de atrevimento, de capacidade de enfrentar, pela intensidade de loucura que insanamos da pessoa de cada um? Ou porque somos loucos e isso nos dá a liberdade de entrar onde nem sequer somos convidados?

A Rute é uma menina com 14 anos, a iniciar uma juventude incrível, uma vida promissora à sua frente, com um nível de inteligência acima da média, uma essência de humanidade digna de registo, mas muito só, com tantos colegas de escola à sua volta, só tem mesmo marginalização por grande parte da escola, com maus tratos, uma enorme falta de respeito para com o ser humano, que é a Rute. A loucura de não aceitar os outros como eles são, dá o direito à loucura de espezinhar, em nome de uma guerra de absurdos, que se acha no direito de existir.

O jogo da sobrevivência tornou a vida vazia de conteúdo, para a classificar para um campo de batalha fraticida, onde nada nem ninguém é poupado. Amigos e estranhos, familia e parentes afastados, colegas de trabalho e de escola, a loucura de quebrar todas as ligações que os valores desenvolveram. Humanamente estamos em risco de extinção e por isso estamos a caminhar a passos largos para a robotização social, com e sem robots. A capacidade de destruição que assume os genes humanos, é infinitamente maior, do que a capacidade de construir.

Estava a lembrar-me dos conteúdos de programas de televisão, desde os filmes, programas para as crianças e sobretudo para os adolescentes. A linha de programas decidida pelos canais de televisão é a que rende mais financeiramente, ou seja, aquela que tem mais audiência e as audiências são construídas segundo os gostos individuais, ou os interesses que cada mais nutre por seguir.

Salvaguardando alguma carência de precisão nos numeros, talvez cerca de noventa por cento dos programas de televisão, sejam eles de ficção, sejam eles de informação, são programas orientados para violência, desastres, conflitos. É isto que mais vende e é neste panorama que são geradas mais receitas. Os decisores televisivos não criam audiências, eles seguem as audiências.

É neste panorama que construimos a base social, uma base sedente cada vez mais de exercitar as suas necessidades de violência, que quando não existe, eles próprios a criam.

Mas, são pequenos grupos de pessoas que estão ligados a este fenómeno? Não, não são. Queremos acreditar que estes, são fenómenos isolados, muito orientados para grupos marginalizados de rua. Nada disso. Encontramos um fenómeno, sim, à escala global, transversalmente, nas estruturas mais básicas da organização social, até às mais complexas.

A loucura de reação, a loucura sedenta de protagonismo, a loucura de eliminar obstáculos, a loucura do facilitismo, a loucura do deslumbramento.

Se, mente sã em corpo são, também temos uma mente doente em corpo doente. A combinação de esforços se transmite, de acordo as vivências, com os exemplos, com as bases construidas.

Normalmente, os grandes males são combatidos, de novo, por grandes eventos que tendem à destruição. É essa a natureza do que existe, se a aceitarmos como um facto inabalável. Loucura leva à loucura das decisões que são tomadas

Nunca foi presenciada uma outra forma de um grande remédio pacífico, como solução de um grande mal e talvez porque tanta injeção de destruição foi colocada nesse corpo, que chega o dia em que o corpo fica doente de uma forma permanente.

Estou convicto que a gente não sabe no que se meteu!

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Estou convicto que a gente não sabe no que se meteu!

 

De uma forma pura e dura, podemos chegar a esta conclusão, porque por alturas em que nascemos é tudo muito bonito, há a comemoração, bem vindo ou bem vinda, ou mesmo bem vindos ao mundo, grandes planos para o futuro, dependendo do enquadramento em que cada um se encontra ou do enquadramento que cada um consegue criar e só passado algum tempo, começa a consciência da fragilidade que é isto tudo.

Em bom português, quase que poderia dizer que, estou mesmo convencido que a gente não sabe na empreitada que se meteu. Sem juizos de valor, ou seja, não me atrevo mesmo antecipar se este desconhecimento é bom ou mau, ou mesmo se a empreitada é boa ou menos boa. Não são juizos pessoais de valor, mas sim a atribuição do processo.

Aquelas taças de vidro muito fino, que se pegarmos de uma forma menos protectiva, partem imediatamente, assim é a fragilidade da vida que vivemos. Podemos abordar desta forma mais directa, ou então tentar remendar com paninhos mais suaves, o que não é recomendável, para não continuar a hibernação.

Quantas empresas no mundo, passaram de líderes na sua área de actuação, líderes mundiais alguns deles, até quase ou mesmo à extinção? Temos casos recentes da Yahoo, ou mesmo a Kodak, um pouco mais lá para trás. Quais os motivos? Cada um tem os seus.

Quantas empresas no mundo, que ao fim de 10 anos encerram? Quantas empresas conseguem desenvolver negócios durante 100 anos e em pouco tempo entram em declínio e sobram poucos anos para enfrentar o encerramento?

É provavel que não tivessem o cuidado de se actualizarem, reformular o negócio, mas mais importante do que isso, não tiveram capacidade de ver as fragilidades do mesmo e combate-las, porque num mundo de equilíbrios frágeis, a própria fragilidade da vida obriga aos nossos checks and balances.

Todas as relações são fortes e duradouras, até ao dia que terminam e para dar um abanão numa relação (e olha que não é apenas nas relações pessoais) não é necessário muito, muitas vezes basta uma pequena constipação, um desentendimento sobre as condições de um negócio, um desencontro para a hora de um jantar e logo se coloca tudo em causa. Claro que nós não entendemos como é que estas coisas podem acontecer. Nas relações mais fortes, ou seja, onde os interesses estão mais alicerçados, até é possivel ter mais do que uma gripe e a casa continua intacta, noutras basta um espirro e a coisa fica logo questionável. Há quem diga que até é bom isso, porque uma relação assim não era muito boa. Va lá.

Uma família tinha uma plantação de oliveiras em Nisa, que lhe garantia o sustento e o incendio desta semana levou tudo. Em poucas horas desapareceu o trabalho de várias décadas e o que seria um sustento seguro de família, passou a ser uma preocupação de sobrevivência. Num abrir e fechar de olhos. Provavelmente a passada semana, esta família estaria a fazer outro tipo de planos para a sua vida.

Ocasionalmente e só assim é porque nem todas estas informações são do conhecimento geral, sabemos que um asteróide passou perto da terra, mas estava a ser monitorizado há já bastente tempo, não vá o dito resolver vir contra isto tudo e de repente o filme passava a ser real. Não, desta vez veriamos mesmo o filme, no ínicio. Pelo menos já está em preparação (?) um sistema de ataque aos asteroides, caso algum deles resolva fazer marcha em frente.

No que nos toca mais pessoal, quando temos alguém muito próximo, de família, amigos e que resolvem partir, sem qualquer informação prévia e aí nos questionamos sobre o que andamos aqui a fazer, não somos nada, somos tão insiginificantes, se a gente soubesse o que anda mesmo por cá a fazer, tratava das coisas de outra forma.

Há um factor muito positivo que a presidencia de Donald Trumpo trouxe ao mundo e não é por acaso que ele se tornou presidente dos Estados Unidos, nesta altura tão importante da Humanidade. O famoso sistema americano das verificações e equilíbrios.

Questionar a existência, a nossa existência, é um puro acto de nos verificarmos e nos equilibrarmos e esta deverá ser uma fórmula mais sólida para nos mostrarmos perante um equilíbrio menos frágil.

Outro dia estava a conversar com um amigo, já com uma idade acima da legal de reforma, que me dizia que quer que agora seja o seu repouso do guerreiro. Mas, nós ainda não percebemos que enquanto cá andarmos, repouso é coisa que não existe. Repousar é uma forma de atiçar a fragilidade.

Basta analisar ao de leve o que se passa ao redor de cada um, naquele espaço que percorremos diariamente, no lemos, no que ouvimos, no que vemos e levantar uma breve análise dessa fragilidade real e latente. Tudo é importante e nada é importante. A verificação existe permanentemente, nossa e dos outros, do próprio sistema, para garantir que o equilibrio permance o mais tempo possivel e sem grandes sobressaltos, para que coexistência seja pacífica, seja pelo menos habitável.

São demasiado simples e tenazes os cliques que colocam tudo em causa e como habitualmente os processos simples são pouco importantes e tudo o que é pouco importante, fomos habituados a dar pouca atenção e por isso não devemos minimizar esta verificação. Sempre que desvalorizamos, algo ou alguém valoriza para nós.

Antes que algo ou alguém coloque em causa o que é importante para nós, é bom que se aprenda a questionar os nossos factores, os nossos vectores, as nossas circunstâncias.

Esta fragilidade não pergunta o que é importante para cada um.

Então se isto é assim uma coisa que até parece cascas de ovos, o que andamos por cá a fazer? Se tudo isto necessita de tanto cuidado, de tanta atenção, ou não.

Provavelmente não deverá ser um processo obrigatório, daqueles de fazer as coisas por obrigação, para que esse mesmo sistema não entre em colapso.

Ainda não sabemos, pelo menos ainda não foi tornado público, mas existe uma razão para tudo isto.

O dia em que o Papa Francisco decidiu colocar um cartaz junto à entrada do seu quarto escritório.

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 O dia em que o Papa Francisco decidiu colocar um cartaz junto à entrada do seu quarto escritório.

 

Em Junho passado o Papa decidiu aceitar o repto do psicólogo italiano Salvo Noé e fixou um cartaz junto à entrada do seu quarto, que também serve de escritório e que lhe foi oferecido, dizendo: Proibido queixar-se. Literalmente isto.

O cartaz dispõe posteriormente de um pequeno texto, que traduzido deu no seguinte:

“Os transgressores estão sujeitos a uma síndrome de vitimismo com a consequente diminuição do humor e da capacidade de resolver problemas. A sanção é dupla se a violação for cometida na presença de crianças. Para tornar-se o melhor de si mesmo, é preciso focar nas próprias potencialidades e não nos próprios limites. Portanto: pare de queixar-se e aja para tornar a sua vida melhor”.

A medida simbólica tem um enorme alcance siginifcativo, cujo espaço de acesso muito limitado, diria mesmo aos previligiados, aos que são muito próximos de uma dependência que deverá chegar a ser doentia. Com certeza que é isto que o Papa pretendeu transmitir e não deverá ter ficando pelas intenções dos seus pequenos corredores do poder, até porque os seus aposentos não se localizam no palácio do Vaticano.

Existe um forte simbolismo em todo este processo, que é pena não ter sido possivel ser transportado para o resto do mundo, pese embora o facto de Francisco ter pensado nisso e lhe teria dado muito jeito, aproveitando o fluxo de informação proveniente deste “incidente”

Vejamos as grandes cortes europeias de séculos passados, cortes abastadas de gente em rodopios para bater à porta do escritório, mas naqueles tempos era mesmo obrigatório tocar a sineta, pedir conselhos do obrigatório beija mão, pedir licença veniada para poder fazer, o que na maioria das vezes não tinha que ser feito. Nem tão as placas existiam naquele tempo, porque as portas eram grandes demais para que sentido estético da placa tivesse o melhor enquadramento.

No passado os constrangimentos eram muitos, os deveres em demasia para uma carga muito pesada, muitas vezes ou mesmo a maioria das vezes sem conteúdo, porque havendo a ousadia de ter algum, haveria uma chamada de inquisição.

Mas, convenhamos, hoje o cenário não é muito diferente. Vivemos um espectro social e humano, onde não se aprende a pensar, onde ter a iniciativa de pensar pode dar direito a transgredir, mesmo que transgredir seja um bem maior para a sociedade e em último lugar para a humanidade.

Não é surpresa que o Papa tenha tido necessidade de colocar uma placa junto ao seu escritório, proibindo os seus de se lamentarem.

Quanto mais perto se está do acessível, mais aptidão existe para o lamento, quanto mais fácil se consegue, mais rápido é o desperdício, não porque ser humano é assim, mas porque a aprendizagem ensina a força do lamento.

O lamento não é uma incapacidade, mas sim um vício e como qualquer comportamento aditivo é susceptível de correção. Tudo depende dos meios que se lhe colocarem para o combater.

A missiva sendo bem clara que, contra o lamento é necessário arregaçar as mangas e por mãos à obra para fazer as coisas, com uma forma de incentivo à própria estima, ao reconhecimento pessoal.

Muitas vezes os comportamentos de lamento, são precedidos de tentativas de controle de situação, para atingir finalidades com operações de manobras. Isto é tanto mais verdade, quanto mais perto do poder se estiver, o que vem a revelar um sinal de inteligência maior por parte do Papa, nesta difícil missão de governar o Vaticano.

A importância das instutuições seculares é tão maior, quanto a dificuldade de tentar desfossilizar conceitos e critérios de instuição, seja com o Vaticano, seja com qualquer outra .

É, com certeza, um sinal muito positivo, por a rapaziada a pensar e a trabalhar por sua própria iniciativa, porque o capacidade de fazer, a iniciativa de desenvolver acção engrandece a alma e prospera a vida.

Quem sabe, instituições, com mais ou menos secularidade, irão pedir autorização ao Papa para utilizar a mesma placa à porta do escritório.

Como se, não acreditar, fosse viável.

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Como se, não acreditar, fosse viável.

 

É o debate do costume, quando se ouve por aí alguns entendidos dizendo que não acreditam em nada, não acreditam em Deus, este é o primeiro passo para se demarcar a posição do eu sou diferente da populaça que anda sempre atrás de coisas que não existem, depois não acreditam na existência da vida, não acreditam na espiritualidade, mas, pasme-se, acreditam no futebol, nos golos fora de série que são marcados, acreditam na sua própria força de vontade e finalmente, por vezes acreditam em milagres, de qualquer tipo; quem diria que os não acreditantes pudessem chegar a um destino que, com certeza, é tão inóspito para músculos cerrados.

Eu acredito, tenho Fé!

Pois é, cada um tem o que lhe diz respeito, porque Fé não está apenas atribuído a instituições religiosas, nem à espiritualidade e muitos menos a quem se diz dono da verdade, possuidor de forças indestrutíveis, ou até mesmo aos gurus  da Fé. A Fé que eu acredito, que é a minha identificação como ser humano, tem raízes humanas do, também estamos por cá para cumprir uma missão.

Até pode ter algum grau de veracidade, sempre tem com certeza na prespectiva individual, ou mais do que veracidade, identificar âmbitos crediveis que cada um se apresenta perante a Fé, perante a suprema ligação ao Poder.

Como existem muitos que dizem que são agnósticos e outros que se dizem ateus e ainda outros que apenas acreditam no materialismo, tambem afirmo que nada disso existe.

Acreditar não é apenas um acto místico, é sobretudo uma presença natural, física, material e espiritual. Todos nascemos, fruto de uma força, que acreditou em cada um de nós.

As empresas nascem porque se acredita que o plano de negócios a ela atribuído é a base de viabilidade e futuro. O atleta de alta competição ganha troféus, porque acredita que o seu potencial desportivo pode levá-lo a grandes reconhecimentos e cada um dos quase sete mil milhões de seres que cá estão, estão de facto cá, porque no fundo acreditam que a coisa funciona, ou mesmo e no extremo pode vir a funcionar, mesmo com dificuldades.

São incontáveis a quantidade de  histórias que existem um pouco por todo o mundo, sobre factos de sucesso de pessoas que conseguiram realizar o que desejavam e o que planearam e com grande incidência pessoas de poucos recursos, com grandes limitações a acessos, mas que conseguiram chegar onde queriam.

O único factor determinante em qualquer processo, é acreditar. Quantas vezes já ouvimos o, se eu não acreditar em mim, quem mais acreditará.

O não acreditar é um não facto, é uma falha de um sistema integral ao ser humano, é a mesma coisa que dizer que fulano não tem fala e que sem a sua fala, fulano está completo. O mesmo se passa com o poder de acreditar.

Vivemos uma casa comum, mais relativa do que pensamos ou mesmo imaginamos. A diversidade desta casa comum é tão mais igual, quanto as capacidades que nos são entregues e não nos é dado o direito de recusar a atribuição.

Quando não se acredita, recusa-se ao próprio, está a colocar-se a negação do ser no patamar mais absoluto que a humanidade possa recusar. Não acreditar, não é viável.

A reflexão sobre o sucesso e o falhanço de projectos e causas, está no quanto a individualidade abraça o critério, na capacidade que tem de acreditar.

Vejamos, os ditos elementos cheios de recursos, que aparentemente só dariam para ter sucesso: O Brasil é um dos países com mais e mais valiosos recursos naturais do mundo, contrariamente à Suiça, que de recursos naturais tem muito pouco. Entendam-se de recursos naturais, o que na fórmula clássica vem da terra, apenas. Ainda não chegamos à parte mais importante, que é nos classificarmos a nós próprios, como a melhor qualidade de resursos. Mas até há quem diga que não possivel comparar entre estes dois países, porque o seu tempo de existência é muito desigual. Então comparemos entre o Brasil e os Estados Unidos, que são dois países do mesmo novo mundo.

A história de Jean-Marie Roughol, um sem abrigo francês, que foi ajudado por uma alta figura do estado para começar a escrever, com sucesso, é envolta de uma singular capacidade de renovação da humanidade, em prol do indivíduo.

Não vale sequer prestar atenção na força que cada um acredita, mas só é possivel inverter estes processos, quando se acredita que é possivel e que acontecerá mesmo.

O mundo é feito de relações, ligações, inter ligações, com direitos e deveres nas suas consequências.

A cada indivíduo está atribuido o direito e o dever de intervir, no que a sua capacidade ditar para a memória do seu percurso, porque não acreditar, não é viável.

E se a cimeira da ética, se tivesse realizado antes da cimeira do clima?

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E se a cimeira da ética, se tivesse realizado antes da cimeira do clima?

 

“Estou cada vez mais convencido que chegou o momento de encontrarmos uma maneira de pensarmos a espiritualidade e a ética, acima da religião!

Esta citação de Dalai Lama, é profundamente coadjuvada por Grandes líderes mundiais, por Grandes pensadores que têm atravessado a humanidade, por Grandes seres humanos que cá estão e outros que partiram.

Foi citado Dalai Lama, como poderia ter sido citado o Papa Francisco, ou Daisaku Ikeda, ou Martin Luther King, ou Nelson Mandela, ou Jesus Cristo.

Também estou convencido que o grande motivo desta convergência de esforços no sentido de levar a humanidade à prática de valores éticos, está relacionada com uma forte identificação na grande distância entre o que falado e o que é, na realidade, praticado.

Não tenhamos ilusões que esta desconexão ou falta de ligação entre as doutrinas, as filosofias que enraízam as nossas crenças, se passa apenas a um nível social superior, porque trata-se de um comportamento transversal a todo o ser humano, em que a organização social pouco ou nada está relacionada com esta prática. Reflecte-se, isso sim, na vida social, no convívio diário, nas relações humanas.

Estas descoordenação de atitude comportamental tem a sua raíz em cada um de nós, no comportamento individual. Engane-se quem pensa que toda esta parafrenália desconvexa, está posicionada nas grandes organizações, ou nos segmentos macro da sociedade. Basta olhar para as passagens que temos no dia-a-dia, na rua, no local de trabalho, na escola, no restaurante e até mesmo na própria casa, a sua origem é bem simples e de enorme amplitude.

Porque estamos habituados a olhar estas coisas para o lado, para, olha, estás a ver, eu não te disse, aí tens o exemplo, é para ali, então é sempre aquela gente ou gente deste tipo que faz sempre estas coisas, como é possivel...

E, os grandes enganos estão sempre assim, ao lado, porque é sempre o outro que se embrulha nestas grandes causas, causadores dos males da vida.

O Ruben tem uma das filhas na universidade, já num estado avançado, inclusivamente a própria universidade decidiu inclui-la num grupo de estudos avançados, coordenados por membros professores da própria universidade. O grupo está com enormes dificuldades em continuar o trabalho, porque alguns dos seus professores sempre colocam dificuldades à progressão dos alunos integrantes e esta colocação de dificuldades é feita de diversas formas, seja por repetir continuadamente os trabalhos sem objectivos concretos, seja pela criação de obstáculos no desenvolvimento do prórpio trabalho.

A própria criação de um ambiente sob pressão psicológica, para a qual os alunos não estão preparados, levou a situações extremas.

E porque acontece isto? Não vou incluir aqui o facto de se tratar de uma escola, nem o facto de se tratar de professores. Este exemplo está muito para além do factual isolado.

Cada um posiciona a importância das suas coisas nos lugares que cada um tem para posicionar. O lugar de cada importância está reservado aos aspectos da vida que cada um lhe tem atribuido.

Da mesma forma que não pode pedir a um advogado que faça cirurgias médicas, também não podemos pedir ao grande jogador de futebol, que seja dos melhores nadadores do mundo.

Toda a prática cultiva-se, seja com uma profissão, seja com uma cultura, sejam os valores e não temos visto grande interesse neste processo, de cima a baixo, ainda gera pouco proveitos cultivar uma atitude ética e digo ainda porque acredito que, depois dos grandes desafios e acordos feitos sobre o clima, iremos ter o grande desafio da ética, que levará a humanidade a debater e acordar sobre o desafio da ética para a sobrevivência do mundo.

Provavelmente, se tivessemos começado por este ponto, teriamos melhores resultados a outros níveis, nomeadamente sobre o clima.

Se a questão do clima é pouco importante, vide a quantidade de anos que se levou para negociar um acordo, que continua com sobressaltos, imagine-se como seria negociar a simples possibilidade de realizar uma cimerira da ética.

Criamos o hábito de fazer grandes acordos, quando já é demasiado tarde, ou acordar demasiado tarde para evidências tão reais, que até dá medo mexer no que está.

A história da escola, dos professores e do grupo de alunos, não passa de um factor de impreparação, ao que comumente se habitou chamar de incompetência, onde existe medo de perder espaço para jovens em ascenção, num mundo onde cada vez mais escaceia o trabalho.

A impreparação está na mediania dos que estão responsáveis pela nossa educação, nossa e dos nossos.

O resultado, ficará atribuido à mediocridade do ambiente que se vive, na qualidade de vida que teremos pelos esforços e desesforços feitos.

Grandes Legados, Grandes Memórias! Helmut Khol.

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Grande Legados, Grandes Memórias!

Helmut Kohl.

Tenho uma especial admiração por toda a gente que é inclusiva, que tem no seu carácter o dom de incluir, de reconhecer, de juntar, de tocar a reunir, de não permitir dispersões no que é essencial, de fazer juntar e em minha opinião Helmhut Kohl, o antigo chanceler da Alemanha, reunia e reune o caracter de um Homem superior.

Atravessei no seu tempo duas etapas da sua vida que considero marcos históricos e humanos, que serão eternamente intocáveis, a reunificação da Alemanha e a estruturação da União Europeia.

Recordo com profundidade, uma frase, que de certa forma foi difundida nos meios de comunicação social, durante a crise europeia de 2008, que terá pedido a Angela Merkel, para que não destruisse a sua Europa, numa altura em que a Europa revia, provavelmente ainda não terminou o processo, mas, revia o seu conceito de estar no mundo.

De todos os elogios feitos a Helmut Kohl, destaco o que considero ser o elemento maior deste Homem, a sua visão estratégica, que colocou ao serviço da Alemanha e da Europa, para que hoje se mantenham mais fortalecidos.

Visão foi coisa que não lhe faltou, soube ver em antecipação os benefícios de tais investimentos, o que traria de maior a estes dois espaços, no contexto global.

Quando em 1990, o processo de reunificação da Alemanha se iniciou, Helmut Khol enfretou grandes resistências dentro do seu próprio país. Foi com certeza uma despesa financeira enorme, mesmo para um país como a Alemanha, mas não seria a mesma Alemanha hoje, sem a reunificação. Teriamos uma Alemanha mais fraca e por consequência uma Europa mais débil e isso Helmut Khol teve a coragem de ver.

Durante os seus dezasseis anosde governo e enquanto chanceler da Alemanha, providenciou à Europa os alicerces necessários para se tornar um lugar melhor, mais seguro e próspero. A Europa de hoje, deve muito a Helmut Khol, o facto de hoje ter na sua estrutura, capacidade própria de afirmação.

Também conseguiu ver, com esta postura, que a Alemanha seria mais forte, se a Europa se tornasse mais forte, que a Alemanha se tornaria cada vez mais uma potência mundial, se a Europa fosse definitivamente um continente de afirmação própria, sem medos dos constrangimentos da última guerra.

Helmut Kohl morreu há poucos dias, mas a sua memória perdurará nos fortes alicerces da Alemanha e da Europa.

Helmut Kohl não era um alemão comum, um alemão qualquer, mas não vejo no alemães a arrogância predita. O alemão que cada um tem dentro de si próprio, cada um o esmaga ou o acarinha da forma como quer.

Embora Daya seja de uma época completamente diferente, identificou na perfeição Helmut Kohl, “mantenha-se humilde, sê destemido e trabalha, trabalha, trabalha, trabalha...”

Os cidadãos de fora

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Os cidadãos de fora.

 

Antigamente tinhamos os juizes de fora, hoje temos os cidadãos de fora.

Os juizes de fora, assim chamados porque não poderia haver um juizo em causa própria e se considerava que um juiz a dirigir um tribunal na sua própria terra, seria considerado tendencioso pelas ligações pessoais que pudesse carregar consigo. Assim se chamavam juizes de longe, localizados o mais longe possivel da terra onde ficariam a sentenciar.

Velhos tempos esses, em que eram consideradas condicionantes que pudessem afectar as decisões das populações, que não passam de velhas mesmo, ficaram pela idade e com essa idade histórica, não cabem mais nos novos conceitos, classificados de avançados para um mundo que correu mundos para chegar até aqui. As pessoas não entendem mesmo que o mundo não pode esperar que se adaptem as coisas, é preciso arranjar novas coisas para o mundo novo que inventa todos os dias.

Por aí ficaram os juizes de fora, nobre façanha de uma história feita de Homens, para Homens, que se complementam, que fazem parte de um mesmo legado.

Achei curioso ler outro dia que a nossa passagem nesta vida, serve para mostrar quem somos. Esta atira forte.

Será uma sorte o esforço de tentar perceber a direcção de onde e para onde, onde qualquer proveniencia e qualquer destino afecta o que já está definido, sendo certo que já somos, sem qualquer redimir de transformação.

Curiosamente os cidadãos que são e apelam ao palco do próximo, numa tentativa de aperaltar situações que são as deles, mas não são as deles.

Eles são essencialmente porta vozes de novas ribaltas, com palcos montados para cinco minutos e então ouve-se: os portugueses estão de parabens por este notável acontecimento, os portugueses têm direito a saber os seus direitos, nós iremos fazer tudo o possivel para que os portugueses fiquem orgulhosos de nós, os portugueses não podem esperar mais pela informação que tanto tarda.

O rol de dedicatórias estrangeiradas não tem fim, são cidadãos do mesmo naipe, a falar para iguais desiguais, com a atenuante de que o planeta é diferente.

Até pode ser uma questão de forma fonética, mas eu não acredito que assim seja. É claro que somos todos desiguais, uns são mais altos e outros mais baixos, uns mais gordos e outros mais magros, uns mais inteligentes e outros mais com dificuldade para aprender.

O mundo precisa de líderes, o mundo está com falta de liderança, hoje já não se fazem lideres. Isso sim, a fábrica está encerrada, provavelmente temporáriamente, mas existe a compreensão sobre a razão porque o mundo carece tanto de liderança, ou lideranças. O paradigma do líder mudou para parte incerta, sendo certo que está perdido no tempo, no espaço e mesmo na definição das raízes, que se ensaia mudar para conceitos renovados, só renovados mesmo, ou seja, de novo, feitos de novo, aí sim feitos de novo para adequadas partes certas.

Convenhamos, de portugueses para portugueses, uns estão dentro e outros estão dentro mas, uns são cidadãos e os outros são os portugueses que necessitam de orientação.

Os juizes que vinham de fora, deram lugar aos cidadãos que estão dentro, mas estão fora.

A fugacidade do momento de cidadania, inteligentemente desenvolvida no paradigma da nova civilização. Vá lá, de português para português, ou de outro qualquer para um igual qualquer em qualquer parte do mundo, a propósito de quê estariamos a falar sobre isto, se a razão ensaiada não tivesse uma proposta de consumo para alimentar os cinco minutos de vazio. É isso mesmo.

Procuram-se valores? Não venham com essa de que os valores não existem, é claro que estão bem aí, firmes e fortes, não interessa saber onde estão, mas estão inviolados. Queremos liderança, o mundo necessita de liderança forte, necessita de cidadãos que se comprometam, de cidadãos que estejam dentro? Provavelmente ficará para os anais da história.

Calmamente entremos na fase de reflexão, para compreender que os desígnios mudaram.

Essa história dos juizes de fora não é do meu tempo, mas tenho uma certa saudade desse tempo.

Convenhamos que o tempo dos cidadãos de fora só é do meu tempo se assim entender que seja.

Ambos os de fora são pronúncio de que estamos vivos, num mundo que só alguns dizem que não está assim tão vivo como isso, mas cada um forma o mundo de acordo com as suas perspectivas e se a incidência de luz estiver de feição à foto de posteridade.

Não sejamos tão sarcásticos com as luzes, cada um tem a luz que procura e o importante é que o regulador de intensidade esteja sempre à mão, para que o calor não queime.

Os Juizes de fora, deram lugar aos cidadãos de fora.

As práticas da teoria.

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 As práticas da teoria.

 

Entre os séculos XVI e XVII, viveu um dos mais notáveis cientistas da história da humanidade, Galileo Galilei, que descobriu e deu a conhecer ao mundo de então, que o planeta Terra era apenas parte de um sistema e não o centro do sistema.

Em Janeiro de 1642, tinha chegado ao final o percurso de Galileo, mas com a convicção de dever cumprido, que tinha anunciado ao mundo, o que estava disponível, as teses da verdade, independentemente das teorias existentes e do que teria sido correcto considerar.

Passados quase quatrocentos anos, a Igreja vem pedir perdão ao mundo, pela atrocidade cometida, pelos males causados, pelas mentiras ditas, pela manipulação feita, mas já acontecido, tudo o que não deveria ter acontecido, aconteceu da forma mais perversa, para que o sistema não tivesse sido afectado.

Podemos considerar que, Graças a Deus, a Igreja evoluiu e reconhece o seu pecado, com o sentimento de pena por não poder voltar a trás e refazer uma realidade que não deveria ter acontecido.

Nenhuma teoria da conspiração será relevante ou mesmo válida, até que a sua invalidade aconteça e as práticas de validade são determinadas pelo acontecimento mais importante, em prol de uma doutrina relevante, para quem a determina.

Na actualidade, Karylawo está preso por não concordar pela forma de governação do seu país. Há dez anos que está impedido de ser um homem livre e participar na forma de alterar esse estado de coisas e dar ao seu povo melhores condições de vida.

Dentro de quatrocentos anos, a História estará, provavelmente, a redimir-se de um novo acontecimento já repetido.

Se Karylawo tiver sorte, a História fará a sua memória.

Os complexos sistemas sociais, que envolvem a complexidade humana, aquela que o individuo detém por si só e faz parte de um grau de actuação de conjunto com determinações, são pilares fundamentais para avaliar a existência, ou identificar se será necessário pronunciar sobre a existência de correntes contrárias.

O que existe é favorável à evolução, suporta o desenvolvimento, inclusivamente social, favorece a dignidade de homens e mulheres, com apenas uma condição.

A teorica discursiva das dificuldades da mudança, instalam-se aí mesmo. Mais do que as dificuldades, é a completa impossibilidade.

Treina-se o desapego a conceitos ultrapassados, mas ninguem quer sair da sua zona de conforto.

Inventam-se conceitos, adequados à ocasião, com algum tipo de objectividade de sentido disperso, para criar movimentação.

Colam-se rótulos ao indivíduo, para que a marcação seja avivada na hora própria e se sirva uma prática actualizada.

A velha escola mantém a teoria. Está definido que o descritivo teórico serve os superiores interesses da humanidade e assim deve ser.

As práticas são adequadas e ajustadas ao tempo da sua aplicação.

As façanhas das conspirações são servidas a pratos cheios, como elemento do visado.

Que se engane quem pensa que a figura de conspirador é para definir o agressor. Essa figura está inteiramente dirigida à defesa do atingido, porque faz parte do descritivo da teoria.

Esse poder de clamar aos ventos os rótulos, com a capacidade de fazer ecoar nos mais sólidos relevos, assim o determina.

No fazer é que está o ganho, para que a defesa possa atacar com a precisão de eliminação.

As teorias da conspiração nunca existiram, o que existe mesmo é um imaginário fértil de ideias sempre prontas a defender o indefensável, sempre prontas a eliminar tentativas de instalação em espaços já ocupados.

Ninguém em seu perfeito juizo, cede terreno, para que fique em inferioridade.

Por isso se inventaram as teorias da conspiração, que servem alertar o mundo dos malefícios da existência de quem não serve.

Promove-se os locais mais inóspitos, tal como cenas de filmes mais marcantes, onde a sinistralidade é feita dirigir para alas mais esquerdas, se actuais.

Galileo Galiei descobriu que a Terra não é o centro do Universo, mas sim parte de um sistema maior e assim estaria a reduzir o poder a uma insiginificância temerária, difícil de arrumar.

Encontramos centros de universos capazes de criar teorias de conspiração, a cada esquina!

A idade crítica da inocência

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A idade crítica da inocência

 

O Reboredo é um personagem digno de ser apreciado. Está hoje com mais de setenta anos e pautou toda a sua existência pela sua luta contra, o que classifica, está tudo mal e faz saber em alto e bom som que está mesmo tudo mal.

Começou por dizer aos pais, alguns anos após a sua entrada na idade de uma maior consciência, que a data que nasceu foi mal escolhida, não deveria ter nascido no mês de novembro, mas sim no mês seguinte, porque seria muito melhor para ele. Hoje, aparentemente, não teria grande parte dos problemas com que se depara hoje.

Passou as diversas fases da vida, desde a escola, até à várias profissões, cujos trabalhos lhe foram permitindo ganhar a vida e o pão que sempre ele amassou, porque a farinha de era feito, tinha sempre defeitos. Pobre Reboredo, nunca chegou, pelo menos até aos dias de hoje, a encontrar a melhor farinha para fazer o pão que tanto apreciava, que nem o próprio sabia qual o bom sabor, mas o paladar de dizer que era mau esse pão, que estava mal cozido, sempre lhe encheu a barriga de satisfação.

Está tudo mal.

Nunca isso deveria ter sido feito dessa forma.

Eu bem disse que isso não iria resultar, mas nunca niguém me quis dar ouvidos. Assim o Reboredo tem contribuído para a sua existência, como importante cidadão, contribuinte directo para o desenvolvimento do seu país e da sua comunidade.

Hoje, ultrapassados que estão os primeiros setenta passos de existência, Reborado acha que deveria ter nascido novamente, para mostrar ao mundo como se faz as coisas, porque o Reboredo pertence aquele grupo que nasceu com o dom especial de dizer ao mundo qual o único caminho que deve seguir.

Estou certo que veremos o Reboredo morrer na hora errada, no local errado e posteriormente se queixar a São Pedro, que ele não teve culpa nenhuma do que aconteceu, porque o mundo não seguiu os seus conselhos.

Pobre Reboredo.

Formataram o Reboredo dessa forma, numa divina inocência crítica a quem se acha no direito de apelar aos comandos de uma actualizada versão de habitante do restelo.

Inocentemente é a amplitude que se oferece, em forma de contribuição de cidadania.

Claro que não existe essa consciência. Seria ir demasiado longe nas pretensões.

Os apelos esporádicos para inverter algum do sentido, que visualmente esta a remoldar este panorama, se esvaziam em saco roto, porque isso não vende, vende muito pouco, dá pouca receita e as pessoas não entederiam o que é isso.

O sentido de responsabilidade que eleva uma empreitada dessa natureza, levaria a chamar novamente Hercules a entrar em odisseias que obrigariam os deuses a intervir.

É muito difícil fazer, colocar em prática, deitar mãos à obra, para concretizar.

A história do sobreiro é bem o exemplo disso mesmo. Hoje, é muito difícil gerir investimentos de quarenta ou cinquenta anos, de retorno e tal é a dificuldade que até o próprio sobreiro esta a ser testado para que o seu retorno de investimento seja encurtado para cerca de um terço do tempo. Se o Reboredo tivesse a oportunidade de opinar sobre essas mesmas experiências, teria decidido mesmo que se fosse com ele o sobreiro nunca teria existido.

Convenhamos que até dá muito jeito, deixar estar as coisas como estão, porque a realização das coisas para o dia seguinte requerem mesmo esta dinamica.

O Reboredo não vê mais as caravelas partir do Tejo, mas o Tejo por lá continua, bombando água vinda  de Espanha e do interior de Portugal.

Engane-se quem pensa que o Reboredo é portugês. O Reboredo é cidadão do mundo, dono disto tudo e com uma respeitável bagagem intelectual, cujo dever é ensinar ao mundo, as bases do seu invejável conhecimento, a ponto de fazer lei.

O nosso Reboredo passou a ser heroi, porque soube adaptar-se ao que foi chamado e nem ousou contrariar a fundamental designação do estabelecido.

Dá vontade de dizer, grande Reboredo. Estar tudo mal e antecipar a vontade de designar obervatórios, passou ser desígnio heróico.

O Reboredo não está cá, nem nasceu finalmente, para estar com o trabalho de comprovar ou fazer o que quer que seja. O Reboredo, na sua inocência, cavalga os trilhos de um panorama que é só dele.

Está tudo mal Reboredo, a ponto de não ver o que se passa.

Acredito que no fundo, no fundo, o Reboredo tem a ambição de apreciar as coisas boas e de passar a aplaudir as coisas bem feitas e contribuir para a construção do seu país, mas também sei que, se o Reboredo ainda aí não chegou é porque manifestamente não sabe como lá chegar. Teve pouca instrução e a que lhe deram esteve direccionada para este comportamento.

Está tudo mal e pronto.

Deixem de existir, porque isso não leva a lado nenhum.

Quem sabe ainda veremos a conversão do Reboredo.

Mudam-se as idades e com elas as inocências.

Essa definição de ser social, existe mesmo?

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Essa definição de ser social, existe mesmo?

 

Vivemos tempos conturbados. Se eu existisse há seiscentos anos, pois seria desde esse tempo que estava a ouvir isso.

Terá sido mesmo uma conturbação muito especial, como é um choque de galáxias, que fez nascer o local por onde todos andamos, por caminhos que procuramos que sejam, os nossos nunca dantes navegados.

Ser social, não podemos existir como sendo uma ilha. Claramente é muito mais difícil. Os conceitos e os comportamentos são maioritariamente ditados por circunstâncias, sendo que a natureza humana é muitas vezes contrariada por necessidades circunstânciais e de acordo com tendencias.

Hoje o ser é mais individual, dito solitário, porque individualmente é uma coisa de estatuto, que se ganha por inerência da decisão da visita aos oitenta ou setenta e tal anos de permanência, em termos médios claro.

Sugere perguntar se certas coisas são criadas para dar apoio a esse ser solitário, ou o ser solitário refugia-se nessas coisas que são criadas?

A imaginação leva para a maior concentração da tendência.

Como pertenço à velha escola, pelo menos por enquanto, continuo a acreditar que somos mesmo um ser social, independentemente de ser com redes ou sem elas mesmo. De preferência social mesmo, do contacto directo com as pessoas, dos desafios que o jogo representa, do olhos nos olhos, sem nada que possa interferir numa confratenização dita social em todo o seu esplendor.

Não direcciono os meus interesses para as ferramentas que existem, para além do que sejam isso mesmo e espero que sejam cada vez mais sofisticadas, para que os meios de comunicação nos facilitem a vida por seres únicos capazes de tomar decisões.

A sociedade, com os seus elementos, sem os quais não seria possivel chamar de sociedade, necessita de se inventar projectando uma evolução para o passado, com as ferramentas do futuro de hoje.

Dará muito jeito não ter tanto trabalho, daria muito jeito sim, mas a estrutura social contempla que o seu protagonista não perca a identidade.

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