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O Livro do Tempo

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

Os cidadãos de fora

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Os cidadãos de fora.

 

Antigamente tinhamos os juizes de fora, hoje temos os cidadãos de fora.

Os juizes de fora, assim chamados porque não poderia haver um juizo em causa própria e se considerava que um juiz a dirigir um tribunal na sua própria terra, seria considerado tendencioso pelas ligações pessoais que pudesse carregar consigo. Assim se chamavam juizes de longe, localizados o mais longe possivel da terra onde ficariam a sentenciar.

Velhos tempos esses, em que eram consideradas condicionantes que pudessem afectar as decisões das populações, que não passam de velhas mesmo, ficaram pela idade e com essa idade histórica, não cabem mais nos novos conceitos, classificados de avançados para um mundo que correu mundos para chegar até aqui. As pessoas não entendem mesmo que o mundo não pode esperar que se adaptem as coisas, é preciso arranjar novas coisas para o mundo novo que inventa todos os dias.

Por aí ficaram os juizes de fora, nobre façanha de uma história feita de Homens, para Homens, que se complementam, que fazem parte de um mesmo legado.

Achei curioso ler outro dia que a nossa passagem nesta vida, serve para mostrar quem somos. Esta atira forte.

Será uma sorte o esforço de tentar perceber a direcção de onde e para onde, onde qualquer proveniencia e qualquer destino afecta o que já está definido, sendo certo que já somos, sem qualquer redimir de transformação.

Curiosamente os cidadãos que são e apelam ao palco do próximo, numa tentativa de aperaltar situações que são as deles, mas não são as deles.

Eles são essencialmente porta vozes de novas ribaltas, com palcos montados para cinco minutos e então ouve-se: os portugueses estão de parabens por este notável acontecimento, os portugueses têm direito a saber os seus direitos, nós iremos fazer tudo o possivel para que os portugueses fiquem orgulhosos de nós, os portugueses não podem esperar mais pela informação que tanto tarda.

O rol de dedicatórias estrangeiradas não tem fim, são cidadãos do mesmo naipe, a falar para iguais desiguais, com a atenuante de que o planeta é diferente.

Até pode ser uma questão de forma fonética, mas eu não acredito que assim seja. É claro que somos todos desiguais, uns são mais altos e outros mais baixos, uns mais gordos e outros mais magros, uns mais inteligentes e outros mais com dificuldade para aprender.

O mundo precisa de líderes, o mundo está com falta de liderança, hoje já não se fazem lideres. Isso sim, a fábrica está encerrada, provavelmente temporáriamente, mas existe a compreensão sobre a razão porque o mundo carece tanto de liderança, ou lideranças. O paradigma do líder mudou para parte incerta, sendo certo que está perdido no tempo, no espaço e mesmo na definição das raízes, que se ensaia mudar para conceitos renovados, só renovados mesmo, ou seja, de novo, feitos de novo, aí sim feitos de novo para adequadas partes certas.

Convenhamos, de portugueses para portugueses, uns estão dentro e outros estão dentro mas, uns são cidadãos e os outros são os portugueses que necessitam de orientação.

Os juizes que vinham de fora, deram lugar aos cidadãos que estão dentro, mas estão fora.

A fugacidade do momento de cidadania, inteligentemente desenvolvida no paradigma da nova civilização. Vá lá, de português para português, ou de outro qualquer para um igual qualquer em qualquer parte do mundo, a propósito de quê estariamos a falar sobre isto, se a razão ensaiada não tivesse uma proposta de consumo para alimentar os cinco minutos de vazio. É isso mesmo.

Procuram-se valores? Não venham com essa de que os valores não existem, é claro que estão bem aí, firmes e fortes, não interessa saber onde estão, mas estão inviolados. Queremos liderança, o mundo necessita de liderança forte, necessita de cidadãos que se comprometam, de cidadãos que estejam dentro? Provavelmente ficará para os anais da história.

Calmamente entremos na fase de reflexão, para compreender que os desígnios mudaram.

Essa história dos juizes de fora não é do meu tempo, mas tenho uma certa saudade desse tempo.

Convenhamos que o tempo dos cidadãos de fora só é do meu tempo se assim entender que seja.

Ambos os de fora são pronúncio de que estamos vivos, num mundo que só alguns dizem que não está assim tão vivo como isso, mas cada um forma o mundo de acordo com as suas perspectivas e se a incidência de luz estiver de feição à foto de posteridade.

Não sejamos tão sarcásticos com as luzes, cada um tem a luz que procura e o importante é que o regulador de intensidade esteja sempre à mão, para que o calor não queime.

Os Juizes de fora, deram lugar aos cidadãos de fora.

As práticas da teoria.

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 As práticas da teoria.

 

Entre os séculos XVI e XVII, viveu um dos mais notáveis cientistas da história da humanidade, Galileo Galilei, que descobriu e deu a conhecer ao mundo de então, que o planeta Terra era apenas parte de um sistema e não o centro do sistema.

Em Janeiro de 1642, tinha chegado ao final o percurso de Galileo, mas com a convicção de dever cumprido, que tinha anunciado ao mundo, o que estava disponível, as teses da verdade, independentemente das teorias existentes e do que teria sido correcto considerar.

Passados quase quatrocentos anos, a Igreja vem pedir perdão ao mundo, pela atrocidade cometida, pelos males causados, pelas mentiras ditas, pela manipulação feita, mas já acontecido, tudo o que não deveria ter acontecido, aconteceu da forma mais perversa, para que o sistema não tivesse sido afectado.

Podemos considerar que, Graças a Deus, a Igreja evoluiu e reconhece o seu pecado, com o sentimento de pena por não poder voltar a trás e refazer uma realidade que não deveria ter acontecido.

Nenhuma teoria da conspiração será relevante ou mesmo válida, até que a sua invalidade aconteça e as práticas de validade são determinadas pelo acontecimento mais importante, em prol de uma doutrina relevante, para quem a determina.

Na actualidade, Karylawo está preso por não concordar pela forma de governação do seu país. Há dez anos que está impedido de ser um homem livre e participar na forma de alterar esse estado de coisas e dar ao seu povo melhores condições de vida.

Dentro de quatrocentos anos, a História estará, provavelmente, a redimir-se de um novo acontecimento já repetido.

Se Karylawo tiver sorte, a História fará a sua memória.

Os complexos sistemas sociais, que envolvem a complexidade humana, aquela que o individuo detém por si só e faz parte de um grau de actuação de conjunto com determinações, são pilares fundamentais para avaliar a existência, ou identificar se será necessário pronunciar sobre a existência de correntes contrárias.

O que existe é favorável à evolução, suporta o desenvolvimento, inclusivamente social, favorece a dignidade de homens e mulheres, com apenas uma condição.

A teorica discursiva das dificuldades da mudança, instalam-se aí mesmo. Mais do que as dificuldades, é a completa impossibilidade.

Treina-se o desapego a conceitos ultrapassados, mas ninguem quer sair da sua zona de conforto.

Inventam-se conceitos, adequados à ocasião, com algum tipo de objectividade de sentido disperso, para criar movimentação.

Colam-se rótulos ao indivíduo, para que a marcação seja avivada na hora própria e se sirva uma prática actualizada.

A velha escola mantém a teoria. Está definido que o descritivo teórico serve os superiores interesses da humanidade e assim deve ser.

As práticas são adequadas e ajustadas ao tempo da sua aplicação.

As façanhas das conspirações são servidas a pratos cheios, como elemento do visado.

Que se engane quem pensa que a figura de conspirador é para definir o agressor. Essa figura está inteiramente dirigida à defesa do atingido, porque faz parte do descritivo da teoria.

Esse poder de clamar aos ventos os rótulos, com a capacidade de fazer ecoar nos mais sólidos relevos, assim o determina.

No fazer é que está o ganho, para que a defesa possa atacar com a precisão de eliminação.

As teorias da conspiração nunca existiram, o que existe mesmo é um imaginário fértil de ideias sempre prontas a defender o indefensável, sempre prontas a eliminar tentativas de instalação em espaços já ocupados.

Ninguém em seu perfeito juizo, cede terreno, para que fique em inferioridade.

Por isso se inventaram as teorias da conspiração, que servem alertar o mundo dos malefícios da existência de quem não serve.

Promove-se os locais mais inóspitos, tal como cenas de filmes mais marcantes, onde a sinistralidade é feita dirigir para alas mais esquerdas, se actuais.

Galileo Galiei descobriu que a Terra não é o centro do Universo, mas sim parte de um sistema maior e assim estaria a reduzir o poder a uma insiginificância temerária, difícil de arrumar.

Encontramos centros de universos capazes de criar teorias de conspiração, a cada esquina!

A idade crítica da inocência

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A idade crítica da inocência

 

O Reboredo é um personagem digno de ser apreciado. Está hoje com mais de setenta anos e pautou toda a sua existência pela sua luta contra, o que classifica, está tudo mal e faz saber em alto e bom som que está mesmo tudo mal.

Começou por dizer aos pais, alguns anos após a sua entrada na idade de uma maior consciência, que a data que nasceu foi mal escolhida, não deveria ter nascido no mês de novembro, mas sim no mês seguinte, porque seria muito melhor para ele. Hoje, aparentemente, não teria grande parte dos problemas com que se depara hoje.

Passou as diversas fases da vida, desde a escola, até à várias profissões, cujos trabalhos lhe foram permitindo ganhar a vida e o pão que sempre ele amassou, porque a farinha de era feito, tinha sempre defeitos. Pobre Reboredo, nunca chegou, pelo menos até aos dias de hoje, a encontrar a melhor farinha para fazer o pão que tanto apreciava, que nem o próprio sabia qual o bom sabor, mas o paladar de dizer que era mau esse pão, que estava mal cozido, sempre lhe encheu a barriga de satisfação.

Está tudo mal.

Nunca isso deveria ter sido feito dessa forma.

Eu bem disse que isso não iria resultar, mas nunca niguém me quis dar ouvidos. Assim o Reboredo tem contribuído para a sua existência, como importante cidadão, contribuinte directo para o desenvolvimento do seu país e da sua comunidade.

Hoje, ultrapassados que estão os primeiros setenta passos de existência, Reborado acha que deveria ter nascido novamente, para mostrar ao mundo como se faz as coisas, porque o Reboredo pertence aquele grupo que nasceu com o dom especial de dizer ao mundo qual o único caminho que deve seguir.

Estou certo que veremos o Reboredo morrer na hora errada, no local errado e posteriormente se queixar a São Pedro, que ele não teve culpa nenhuma do que aconteceu, porque o mundo não seguiu os seus conselhos.

Pobre Reboredo.

Formataram o Reboredo dessa forma, numa divina inocência crítica a quem se acha no direito de apelar aos comandos de uma actualizada versão de habitante do restelo.

Inocentemente é a amplitude que se oferece, em forma de contribuição de cidadania.

Claro que não existe essa consciência. Seria ir demasiado longe nas pretensões.

Os apelos esporádicos para inverter algum do sentido, que visualmente esta a remoldar este panorama, se esvaziam em saco roto, porque isso não vende, vende muito pouco, dá pouca receita e as pessoas não entederiam o que é isso.

O sentido de responsabilidade que eleva uma empreitada dessa natureza, levaria a chamar novamente Hercules a entrar em odisseias que obrigariam os deuses a intervir.

É muito difícil fazer, colocar em prática, deitar mãos à obra, para concretizar.

A história do sobreiro é bem o exemplo disso mesmo. Hoje, é muito difícil gerir investimentos de quarenta ou cinquenta anos, de retorno e tal é a dificuldade que até o próprio sobreiro esta a ser testado para que o seu retorno de investimento seja encurtado para cerca de um terço do tempo. Se o Reboredo tivesse a oportunidade de opinar sobre essas mesmas experiências, teria decidido mesmo que se fosse com ele o sobreiro nunca teria existido.

Convenhamos que até dá muito jeito, deixar estar as coisas como estão, porque a realização das coisas para o dia seguinte requerem mesmo esta dinamica.

O Reboredo não vê mais as caravelas partir do Tejo, mas o Tejo por lá continua, bombando água vinda  de Espanha e do interior de Portugal.

Engane-se quem pensa que o Reboredo é portugês. O Reboredo é cidadão do mundo, dono disto tudo e com uma respeitável bagagem intelectual, cujo dever é ensinar ao mundo, as bases do seu invejável conhecimento, a ponto de fazer lei.

O nosso Reboredo passou a ser heroi, porque soube adaptar-se ao que foi chamado e nem ousou contrariar a fundamental designação do estabelecido.

Dá vontade de dizer, grande Reboredo. Estar tudo mal e antecipar a vontade de designar obervatórios, passou ser desígnio heróico.

O Reboredo não está cá, nem nasceu finalmente, para estar com o trabalho de comprovar ou fazer o que quer que seja. O Reboredo, na sua inocência, cavalga os trilhos de um panorama que é só dele.

Está tudo mal Reboredo, a ponto de não ver o que se passa.

Acredito que no fundo, no fundo, o Reboredo tem a ambição de apreciar as coisas boas e de passar a aplaudir as coisas bem feitas e contribuir para a construção do seu país, mas também sei que, se o Reboredo ainda aí não chegou é porque manifestamente não sabe como lá chegar. Teve pouca instrução e a que lhe deram esteve direccionada para este comportamento.

Está tudo mal e pronto.

Deixem de existir, porque isso não leva a lado nenhum.

Quem sabe ainda veremos a conversão do Reboredo.

Mudam-se as idades e com elas as inocências.

Essa definição de ser social, existe mesmo?

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Essa definição de ser social, existe mesmo?

 

Vivemos tempos conturbados. Se eu existisse há seiscentos anos, pois seria desde esse tempo que estava a ouvir isso.

Terá sido mesmo uma conturbação muito especial, como é um choque de galáxias, que fez nascer o local por onde todos andamos, por caminhos que procuramos que sejam, os nossos nunca dantes navegados.

Ser social, não podemos existir como sendo uma ilha. Claramente é muito mais difícil. Os conceitos e os comportamentos são maioritariamente ditados por circunstâncias, sendo que a natureza humana é muitas vezes contrariada por necessidades circunstânciais e de acordo com tendencias.

Hoje o ser é mais individual, dito solitário, porque individualmente é uma coisa de estatuto, que se ganha por inerência da decisão da visita aos oitenta ou setenta e tal anos de permanência, em termos médios claro.

Sugere perguntar se certas coisas são criadas para dar apoio a esse ser solitário, ou o ser solitário refugia-se nessas coisas que são criadas?

A imaginação leva para a maior concentração da tendência.

Como pertenço à velha escola, pelo menos por enquanto, continuo a acreditar que somos mesmo um ser social, independentemente de ser com redes ou sem elas mesmo. De preferência social mesmo, do contacto directo com as pessoas, dos desafios que o jogo representa, do olhos nos olhos, sem nada que possa interferir numa confratenização dita social em todo o seu esplendor.

Não direcciono os meus interesses para as ferramentas que existem, para além do que sejam isso mesmo e espero que sejam cada vez mais sofisticadas, para que os meios de comunicação nos facilitem a vida por seres únicos capazes de tomar decisões.

A sociedade, com os seus elementos, sem os quais não seria possivel chamar de sociedade, necessita de se inventar projectando uma evolução para o passado, com as ferramentas do futuro de hoje.

Dará muito jeito não ter tanto trabalho, daria muito jeito sim, mas a estrutura social contempla que o seu protagonista não perca a identidade.

Sinais patológicos de cura

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Sinais patológicos de cura.

 

O mundo entrou em depressão, não a tipologia dos anos vinte do século passado, mas a patológica, a que corre da cabeça aos pés e leva para o hospital para curar.

Ao que nós chegamos, internar o mundo num hospital, como de um animal se tratasse, porque a besta está completamente em desatino, perdeu a noção das coisas e tem comportamentos desorientados, onde inclusivamente os seus membros estão a funcionar de uma forma desarticulada.

A comunidade médica vem advertindo nos últimos anos, que a depressão é já a doença do século, matando muita gente e com graves sinais de alastramento e nos dias que correm, os ares ganharam via de velocidade estonteante e a propagação tem sido muito rápida.

O que vemos, sinais de tempos em recuperação por tempos provavelmente de uma saudade que se quer chegar.

As dependências são muitas para largar tudo e arriscar entrar num vazio de nada, onde nem sequer existe um brinquedo que faça animar a malta.

Andam todos cansados uns dos outros. O espaço de cada um está vazio e quer se preencher de algo que não se sabe o que é, mas que precisa de ser preenchido, porque a última moda tarda a chegar e a ansiedade custa a controlar e isso faz sentir um isolamento que é tão fácil de estar, enquanto a moda perdurar.

Custa, cada vez mais, acreditar que o ser humano é um animal social. O que temos visto, sinais espalhados em todas as latitudes, é ver um ser humano só, verdadeiramente só e isolado no seu casulo, de um espaço que se defende com unhas e dentes e quando se deixa entrar alguem, esse tempo está definido como limitado, porque ultrapassado esse tempo, a depressão da companhia tende a desenvolver-se e tomar conta de uma vida.

Mais do que a depressão individual, vivemos uma depressão colectiva. O mundo necessita de motivação para ter a sua missão de vida. A enércia dependente de segundas indicações não reconhecidas, mas obrigadas a seguir, sem um mínimo de reconhecimento do que aí contém, prova seguir ano após ano pisadas obrigatórias que destrói a saúde e a filosofia da existência do mundo.

Em nome de um colectivo que não existe, erguem-se sermões sumptuosos, com conteudos devastadamente vazios, refrões coloridos de chamadas à glória de um patriotismo iminentemente oco. Pasmem-se todos aqueles queiram passar nos bastidores e se deparam com a realidade.

O confronto com a realidade mal preparada, recusa de ser aceite, porque não foi para isso que aderimos.

Dir-se-à que é do caos que nasce a ordem. Grande mentira. O que nasce do caos é uma nova ordem, que requer autenticação, para que essa nova ordem seja válida nos seus propósitos e na direção para a qual nasceu.

As novas ordens que nascem, ao longo dos tempos, tem sugerido corecções de caminho, inclusivamente aquelas que derivaram e continuam a derivar de caos ocasional, caso contrário já não teriamos assento gravitacional neste recanto do universo.

Somos células de um corpo em que estamos integrados e estes são sinais de doença que começam a ser identificados.

As reações a “o mundo está louco” quando nos apercebemos de determinados comportamentos, são sinais de uma patologia maior, mais abrangente. O tempo de identificação não é o mesmo que determinado para homem e mulher. As contagens têm uma vida própria.

O mundo sempre soube se erguer do caos por ele instalado e criado novas ordens. A patologia agora é mais séria, mais profunda, porque vivemos num estado mais desenvolvido e temos acesso a um nível superior de compreensão e daí a nova doença do século ser mais profunda e mais difícil de curar.

Recuso terminantemente a ideia de que somos máquinas com capacidade de programação. Somos seres vivos com capacidade de iniciativa e capacidade de reação, isso sim.

Nenhuma máquina tem capacidade de inicitiva, a menos que o Homem a programe para reagir mediante determinados parametros.

O fardo da humanidade não pode ser considerado pesado nunca, quando existe clareza e capacidade para o seu espírito de missão, que é o que não existe neste momento.

Nunca em nenhuma circunstância a patologia foi maior do que a cura. A doença só se encontra em estado de benefício, quando lhe é permitido, quando os caminhos para a debelar resolveram desinstalar critérios contrários aos que estão definidos.

Somos cerca de sete mil milhões de pensamentos e formas de acção diferentes. Quanta diversidade, para que critérios colectivos possam dar certo no mesmo grau. Acho que aí entrariamos no tentar conseguir quase o impossível. Os resultados nunca podem ser os mesmos, iguais, para tanta gente junta e diferente.

Falta acção para que tudo isto resulte em pleno de suas capacidades e essa coisa de depressão seja individual, seja colectiva, seja tratada como uma coisa de nada é maior do que a capacidade de cada, no benefício de todos.

Embra tenha dúvidas se continuamos a ser um animal social, de uma coisa sei, não existe isolamento capaz de se sobrepor à doença.

A lenda do mais forte

 

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A lenda do mais forte

 

Nos idos tempos de mais jovem, corria um célebre programa radiofónico, que se chamava, “dos fracos não reza a história”, que relatava, muitas vezes com uma ironia nortenha de rua, as sagas de quem se afirmava no mundo do musculado, independentemente do local onde poderia se encontrar o músculo.

Hoje não temos o dito programa, porque os protagonistas decidiram ocupar o seu lugar. Se acharam donos e senhores desse espaço e sem mais delongas, se auto imposeram como a lenda somos nós e nenhum programa é mais importante. Nós somos o programa.

A lei das lendas para quem trilha caminhos de mais forte, com a supremacia de domínios e benefícios, direccionados para gestos e movimentos ao vento de sopros maiores, ou pelo menos localizados em patamares difíceis de atingir, a menos que se permitam deixar permitir, deixando que tudo pode acontecer de acordo com quem envia os ventos e define as suas direcções.

Arrumem-se seus inoportunos, calaceiros, principalmente caloteiros, aqueles que não pagam o que devem, que juraram fidelidade ao grupo, ao sistema, nem que seja para sua própria defesa. Difícil de pensar nos dias de hoje que o episódio fosse passar directamente na televisão para mundo ver e ficar estefacto com o que estava a assistir. É claro que também eu fiquem completamente siderado. Impensável ver em apreciação de camâra lenta, quase roçando um debate arbitral. Que cena foi, memorável, difícil de retirar dos anais da história.

Enganam-se, não é apenas um caso.

Um famoso jornalista da nossa praça, distinto escritor, classificou a violência doméstica, não como tal, porque não justifica tal minoridade de sub importância.

É violência ipsis verbis, quando é detonado literalmente um mais fraco fisicamente, mulher ou homem, abusados de uma impreparação para o que não vieram ao mundo.

Com certeza.

Ou ainda não saímos da pré-história, ou estamos de regresso a esses tempos.

Foram criadas lendas à volta do mais forte, na tentativa de cimentar lei eterna. Chego a pensar que sim. Ainda o genoma está mal identificado, corre um certo vagar de tempo, que ainda não permitiu saber as raízes deste mal, que é únicamente social. Recuso-me a aceitar que seja humano.

O mais forte queria se tornar lenda.

Triste a figura que passeia todos os dias nossos olhos.

O que vemos de mais forte, num feudalismo actualizado pela posse de faculdades temporárias e usadas, nesses ditos ventos de sopros alheios.

O que de forte e fraco se torna a lenda, em ápices de uso.

O que foi forte e é usado, o que é forte e se deixa usar. Difícil é ter a consciência plena dos actos, a importância na sociedade, o elemento humano que passeia meia dúzia de anos por esta aventura, muito provavelmente inesperada, com um acordar tardio, normalmente acima dos setenta anos e tardiamente arrependido de males que só se quer curados e perdoados, como se Deus estivesse à disposição numa última hora meio desgraçada, porque o momento estava a chegar e era necessário garantir um lugar no paraíso, quando o inferno esteve sempre presente.

Estas lendas, nomeadamente as que exigem primeiros planos de fotos, exigem julgamentos da história, como se heróis se tratasse.

São grandes e pequenas, estas lendas, as que vemos na televisão e as que passeiam no dia a dia.

São lendas, porque não são reais. São apenas isso mesmo.

A vida desprezível de uma lenda que pretendeu se inventar num contexto virtual, agora este sinonimo é mais real, numa coisa que não se consegue apalpar ou tocar, que existe pelas exigências de uma agenda muito própria.

O que falamos e participamos no desenvolvimento de conceitos de liderança, fora de uso, fora de contexto similar ao que vem formulado numa vida de percepções aprendidas, seja em livros, seja proveniente do berço nascido, com a humildade de um pobre ou de um rico de recursos.

Provavelmente é mesmo necessário arranjar e com urgência, mais um ou mais planetas, para distribuir estes sete mil milhões, antes que sejam mais e seja tarde.

A ferocidade da escassez de espaço faísca na inaptitude do conhecimento e da tolerância.

A competência humana, vai muito mais além do que a animalidade de circunstância.

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