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O Livro do Tempo

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

O que se sabe hoje, é infinitamente menos do que na realidade existe!

Decretar resiliência à fatalidade!

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Decretar resiliência à fatalidade

 

Dizia Antoine de Saint-Exupéry que:

“Não há uma fatalidade exterior. Mas existe uma fatalidade interior: há sempre um minuto em que nos descobrimos vulneráveis; então, os erros atraem-nos como uma vertigem.”

Acordamos um dia e resolvemos alimentar a vida de esperança num dia melhor, num percurso de combate a um provavel destino que queiram traçar, que não seja aquele que por decisão própria até consideramos que é esse mesmo que faz parte e a luta prossegue até que no fundo de uma treva surge alguém que diz que estamos entregues ao nosso próprio destino, que é cada um por si e quem puder que se salve, porque a fatalidade da vida não dá para acudir a todos e a partir de agora será sempre assim, ou talvez pior.

Que engano este que nos querem passar, para que sirva de doutrina ou de uma linha de pensamento que alimente fatalidades de destinos históricos, de um povo que consegue sobreviver há tantos séculos, que tem encontrado velhos encostados em decretados pontos de partida, para que fique assinalado como oficial e válido, para quem o aceitar.

O homem, e a mulher, para além de seres sociais, também são seres políticos, porque cada um define a sua trajectória, como um contexto de regras, de princípios, de objectivos, de parametros de movimento em qualquer espaço que decide estar e como seres políticos têm a liberdade de tomar decisões sobre o que é melhor para cada um e nesse processo de tomada de decisões, cabe a identificação do que é melhor e pior para cada individuo.

A evolução da civilização, embora de muito curta abrangência nos ultimos cem mil anos, permitiu já criar raízes à construção de resiliência contra tudo o que não faz parte dos pergaminhos existênciais. Ser resiliente significa não aceitar o que não nos faz bem, ser resiliente significa reagir a todo o contrário de um percurso definido de crescimento evolutivo, independentemente das tentativas de propangandearem fatalidades de destino.

Cada um constrói o seu destino, haja mais ou menos dificuldades.

Resiliência siginifica prosseguir, mesmo com a queda, continuar prosseguindo.

Resiliência não significa aceitar a fatalidade, cara senhora, por mais parecer técnico que seja necessário ladear a beira de um processo de operações.

Dos líderes sempre esperamos esse vislumbre de esperança, a mão que surje, mesmo que as trevas se pintem de negro escuro com luas de sangue, esperança de clamar presença contra todas as fatalidades.

Ninguém aceita enganos nestes dias, de qualquer tipo. Não é possivel que nos enganemos nas escolhas a este ponto. Há uma recusa, inclusivamente pessoal, de assumir esse engano, porque senão, estamos todos engados e andamos todos engados.

Também concordo que quando os grandes desastres acontecem e com consequências inimagináveis ou difíceis de terem sido previstas, é porque nunca se deu a verdadeira importância ao que esteve à volta da mesma, o que a originou. Se de factos vivemos, este processo factual é provavelmente o mais explícito.

O que decide e quem decide o que é importante a uma comunidade, é regido pelo medo pessoal de ser abordado à sua própria incapacidade. Aos líderes não esperamos que tenham medo, que se deixem abordar por tal absurdo de ocasião que só coloca em causa a sua estrutura.

Existem líderes para conduzir a comunidade num caminho de construção de capacidades e competências e se ele tem muitas pedras no seu percurso, então eles, líderes, existem para formar os caminhantes a saberem lidar com as pedras do caminho. Não seria preciso a evocação a Fernando Pessoa para demonstrar a linha desta nação à resiliência mais forte. Os castelos não são construídos pelos seus proprietários, mas são eles que ditam de que pedra são feitos.

Meus senhores, minhas senhoras, devemos ter vergonha quando não sabemos cuidar da comunidade e principalmente quando somos incumbidos de tais responsabilidades. Independentemente das mudanças de paradigma ao real papel de governante, a vergonha apela a uma atitude de responsabilização. Coitados daqueles que acham que a serventia mudou de lugar. As pessoas são adultas, de facto, e conscientes.

A revolta é de vergonha. Sou de um país que é dos mais seguros do mundo, de um país com uma beleza natural que tem conquistado meio mundo e o outro meio está deslumbrado. Sou de um país que tem surpreendido as instâncias financeiras mais importantes, pela sua capacidade de recuperar um país falido. Sou de um país com gentes apreciadas em todo o mundo, pelas suas próprias capacidades.

Quero fazer parte de uma país que trate bem as suas gentes e que esse país se orgulhe das gentes que tem.

Só teremos um grande país, quando o país, os seus responsáveis, estiverem empenhados em fazer das suas gentes, gentes grandes, gentes de envergadura e que ganharam o estatuto de grandes resilientes, de grandes combatantes e não de aceitarem qualquer coisa que lhe queiram servir, sobretudo quando essa qualquer coisa não serve.

Os resquícios do antigamente, o que sobra das sombras, para as sombras dos outros amesquinha a grandeza.

Pobres daqueles que acham que poder é de quem quer.

Façamos deste tempo, não um tempo de fazer, mas um tempo de limpar. Está tudo demasiado sujo, para fazer qualquer coisa e antes de começar a fazer é preciso limpar.

Façamos deste tempo, um tempo de honrar as gentes desta terra, de valorizar o verdadeiro valor de gentes que não tem igual em qualquer outra parte, gentes com eles no sítio, a quem obrigam respeito.

Para além do mais, merecemos melhor, muito melhor e cada vez melhor. Melhores líderes, melhor país, melhor vida, melhores capacidades, melhor paradigma. Merecemos que nos puxem para cima e não quem nos deite para o chão. Se isto é uma luta de boxe, merecemos um treinador que vá lá, que nos ajude a levantar, um treinador que percebe da coisa.

Rubem Alves, Grandes Legados, Grandes Memórias, Escutatória

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Rubem Alves

Grandes Legados, Grandes Memórias

Escutatória

 

Hoje caiu que nem uma surpresa, uma óptima surpresa, numa reunião em que nos juntamos muitos, para que a meio da mesma alguém tivesse sugerido ler este magnifíco texto de Rubem Alves.

Depois disto só apetece mesmo estar em silêncio:

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo o mundo quer aprender a falar...Ninguém quer aprender a ouvir.

Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil.

Diz Alberto Caeiro que...Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.

É preciso também não ter filosofia nenhuma.

Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito.

É preciso também que haja silêncio dentro da alma.

Daí a dificuldade:

A gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor...

Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.

Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração...

E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade.

No fundo, somos mais bonitos...

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64.

Contou-me de sua experiência com os índios. Reunidos os participantes, ninguém fala.

Há um longo, longo silêncio.

Vejam a semelhança...

Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, fica assentados em silêncio...

Abrindo vazios de silêncio...Expulsando todas as idéias estranhas.

Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala.

Curto, Todos ouvem. Terminada a fala novo silêncio.

Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos...

Pensamentos que ele julgava essenciais.

São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.

Se eu falar logo a seguir...São duas as possibilidades.

Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza.

Na verdade, não ouvi o que você falou.

Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala.

Falo como se você não tivesse falado.

Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo.

É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.

Em ambos os casos, etsou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.

E, assim vai a reunião.

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.

E aí, quando se faz silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir.

Fernando Pessoa conhecia a experiência...

E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras...No lugar onde não há palavras.

A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.

No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos.

Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia...

Que de tão linda nos faz chorar.

Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio.

Daí a importância de saber ouvir os outros. A beleza mora lá também.

Comunhão é como a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

A síndrome da Checoslováquia

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A síndrome da Checoslováquia

 

Logo no início do ano de 1993, mais precisamente no que haveria de ser considerado o novo ano do resto da vida da Eslováquia, primeiro dia de janeiro, declarava a sua independência, com o desmembramento da então Republica da Checoslováquia, que por conveniência do conglomerado instalado, permaneceu como tal, até que o muro decidiu ir abaixo.

Vaclav Havel, então Presidente da Republica da ainda Checoslováquia deu o seu acordo para que assim acontecesse e a Eslováquia se tornasse e seja um estado independente.

A exemplo de muitos outros territórios, hoje independentes ou não e integarados no continente europeu ou não, a Eslováquia formou a sua cultura ao longo dos séculos, sempre com o objectivo de ser uma nação autónoma, reconhecida pelo seu próprio modo de vida e que finalmente conseguiu, neste ciclo, a sua autonomia, que não seria possivel de todo, se à frente das nações comuns, estivesse outro responsável que não alguém com atitude de regenerar esse tempo.

As diferenças entre a Eslováquia e a Catalunha são muitos grandes. Primeiro porque a Catalunha pertence a um Estado secular e a Eslováquia pertencia a um novo mundo, mal resolvido.

Mas também podemos referir algum tipo de comparação entre Portugal e a Catalunha e curiosamente ambos os territórios estavam indexados ao Reino de Espanha entre os séculos XVI e XVII e apenas um conseguiu ser independente. Rezam os ditos de então que a única razão por que Portugal conseguiu restaurar a independência e  a Catalunha não, foi o facto de Espanha apenas ter meios para acudir a uma das situações e neste caso deixou ir a parte mais fraca, ou seja, Portugal, não representava uma mais valia para uma integração de valor com o Reino de Espanha.

Os tempos e os seus meios de avaliação são diferentes. Os propósitos e os objectivos continuam sendo os mesmos.

A história, narrada em folhas de papiro e aquela que se conta nas circunstâncias, sempre refere que o mais importante é uma avaliação de conteúdo. Vendo bem as coisas, que benefícios e prejuízos existirão, com as decisões que se colocam em cima da mesa. Que ganhos e perdas se encontrarão nos processos de decisão e cujas consequências assinalarão para sempre uma debilidade existencial de um estado, cujo futuro, sempre se molda de acordo com o que é possivel fazer, nos quotidianos que passam e deixam marcas, de julgamentos esquecidos e apenas recordados nas salas de aula.

Vaclav Havel quase deixou um trauma existencial, mal visto e mal aceite. Os Homens de paz são normalmente excomungados pelo estabelecido e Vaclav Havel encontrava-se entre eles.

Talvez nunca se teria pensado, mas até poderia ter acontecido que a Espanha quisesse saír do espaço onde se encontra a Catalunha, mas isso seria uma não verdade, ou uma não realidade, muito para além de uma razoável compreensão, seria um charco cheio de pedras que até cobririam o dito, deixando de ser um charco. Até dá vontade de rir.

O eterno dilema.

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O eterno dilema.

 

É um jogo de poder e uma guerra de tronos, com meios tão diferentes quanto as mais sensacionais histórias de aventuras, desta vez incorporada na mais dura e crua realidade vivente.

O vilão tem sempre mais e melhores meios, enquanto o bom da fita tem que procurar desmedidamente por meios de subsistência para contrapor os obstáculos, que parecem inultrapassáveis.

Há quem prefira simplificar as coisas e atribuir à dança dos tronos, uma coisa do indivíduo, da essência de cada um, ou o caracter demonstrado perante as diversas atribulações da operacionais.

A guerra entre o bem e o mal é tão velha, embora eu prefira dizer que está muito mais além do que a existência, tão antiga quanto a memória universal possa permitir registos históricos, ou melhor, pensamentos, sim, alcançar o inimaginável do onde tudo isso começou.

Tenho receio que as histórias dos filmes sejam apenas tentativas de revirar a realidade, uma realidade sonhada como se fosse um desejo de alterar o estado de coisas e isto porque aqui a coisa é a sério.

Um certo dia e por episódicamente se ter tornado importante, o amigo dizia, olha sabes que é preferível ser um covarde vivo, do que um herói morto e, embora a argumentação não tenha convencido totalmente, teve como resposta que apesar de tudo, o amigo preferia ser um herói vivo, o que no fundo não deixa de se um espaço ficcionado, onde entra um pouco de filme de animação.

Se considerarmos que as regras do futebol também têm aplicação neste espectro, com certeza que chegaremos também à conclusão que a melhor defesa é o ataque e quem se coloca a defender o resultado, mais cedo ou mais tarde, acaba por perder e sofrer com os golos que acabam por ser marcados.

Na realidade, os bons apenas defendem, não nasceram para atacar, mas sim para preservar, defender de algo que possa alterar um estado de coisas que é considerado como inatacável, ou que não deve ser atacado, ou em última análise que tem a consideração de posse como algo divino com os seus fundamentos de superioridade, para o bem de quem e o que abriga.

Não está preocupado em se munir de meios destrutivos, das últimas tecnologias ou das tácticas mais recentes para destruir. Tem como única preocupação defender e se estamos no mesmo patamar de compreensão de quem apenas defende, mais cedo ou mais tarde, acaba por perder desvantagem de resultado, potencializando perdas consideraveis.

Há meios para uns e outros meios para outros. A repartição é desigual, porque as capacidades não são iguais, os objectivos são bem mais fortes de um lado do que de outro e o alcance tem uma distância terrivelmente díspar. O nível de acesso de uns, guerreia com a dificuldade de conseguir tudo bem dentro dos meios legais, para que não se corra o risco de estar a trabalhar para ilibar um mal.

Dir-se-ia que a sorte trabalha os audazes que se colocam na dianteira e tomam a iniciativa de adequar uma acção boazinha, visivelmente a todos.

Em maus lençois está, quem assume as suas responsabilidades, como cidadão exemplar ou cumpridor, melhor dizendo. A guarda monta-se onde é possivel vigiar, quem está mais à mão e que permite um melhor índice de rentabilidade.

Os complexos bem protegidos, complexos de teias e de muralhas muito altas, com enorme dificuldade de alcance, exigiriam perícias várias, cambalhotas que seriam muito treinadas, com duvidoso passo de alcance e por isso, bem melhor ir ao que está mais facilitado.

Este é o eterno dilema que perdura e perdurará, até que uma decisão altere todo o movimento.

Talvez seja possivel acreditar que a sociedade se instalou nos dilemas dos resgates. Actualmente o meio do resgate existe para simplificar contas. Contas dos outros, contas de linhas infindáveis de créditos incontáveis, que passam de geração e geração, modo carmático para saldar dívidas de gratidão por momentos passados de horrores que ninguém casou, dos que saldam as dívidas.

Um momento errado, um gesto mau, uma deplorável decisão, sempre são comportamentos contra a humanidade, sejam eles de curto ou profundo impacto. Verifica-se que estes comportamentos mudam de posição com os tempos, de tanto clamarem por suas virtudes benéficas, como se de um tratamento termal se tratasse e então teremos a reviravolta do lado negro que passou a ser chamado de lado bom.

Que desproporção de meios!

Em nome dos desígnios, quantas vezes insondáveis!

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Em nome dos desígnios, quantas vezes insondáveis!

 

As decisões deveriam ter forma de serem explicadas, de serem examinadas, para que a capacidade das pessoas ficasse provada, quer por quem as toma, quer por quem as recebe e tem a orbigação de as acatar.

Sempre que se apela aos seres superiores, para tomar uma decisão, que muitas vezes o próprio até tem dificuldade de explicar, dá a sensação que se pretende passar um atestado de burrice às pessoas e isso deve ser evitável, para que não se fique depois a pensar que esse alguém que entende que deve tomar essa decisão, está a empurrar alguma coisa que até parece que é só do seu próprio benefício.

As grandes cruzadas para a libertação da terra santa dos pagãos, neste caso os muçulmanos que estavam a ocupar a terra do país de Jesus Cristo, os locais sagrados, tiveram o seu grande apelo em nome de Deus, com o apoio das linhas mais poderosas do mundo de então.

Estas aventuras ou operações militares, tinham como objectivo efectivo o aumento de poder e alargar de horizontes de actuação dos seus mais directos intervenientes, de um lado e de outro.

O que resta hoje desses acontecimentos, são apenas referências históricas de acções que contribuiram, até aos nossos dias, para aprofundar ódios e mal estar entre duas religiões que representam cerca de um terço da população mundial.

Se todos tivessemos consciência das consequências das decisões que são tomadas, no ecoar do tempo, então aí sim, haveria mais cuidado na estrutura das mesmas, seriam mais estudadas, mais medidas, para que o seu impacto tivesse e tenha os resultados pretendidos, não só no imediato, mas também no caminho do tempo. Isto aplica-se não só às  decisções de curto termo, como também às decisões de grande alcance temporal e o mesmo se aplica às mais simples decisões, aos comportamentos mais rotineiros de um dia comum, como à decisão mais complexa que mexe com a estrutura de uma sociedade inteira.

Na propalação dos ministérios em que se montam as decisões, deve caber uma estrutura digna de quem as toma e para onde são direccionadas. A dignidade é um termo que serve de exemplo, seja qual for o sentido, que veste roupagens concretas, assentes na condução da humanidade.

É muito comum vermos nos dias de hoje, embora com mais cuidado do que em tempos anteriores e aqui a minha dificuldade em localizar a anterioridade desse tempo, principalmente em eventos que mexem com grandes dinheiros publicos, os mesmos envolverem quantidades de dinheiro muito superior ao que seria normal no valor a prestar por esse serviço. Os seus protagonistas tomam decisões em nome do bem estar da população, do desenvolvimento do oaís, sustentando a legitimidade que o povo lhe outorgou para tomar qualquer tipo de decisão, incluindo as indevidas. Se um comportamento destes fossem bem estudado, antes de ser accionado, com certeza que uma parte deles, não o seria, pelas mais diversas razões, incluindo o possivel medo de ser apanhado em qualquer teia que fosse montada e que daí viesse o medo de ser preso, ou devolver o dinheiro que já não possuía.

Sustentar as decisões e comportamentos em nome de algo que não seja o próprio que as toma, normalmente dá mau resultado.

A civilização humana tem ao longo dos tempos criado os seus próprios meios de apredizagem e sustentar a consciência através desses mesmos meios.

O que se sabia no século décimo desta era é bem diferente do que se sabe hoje, incluindo a capacidade analítica dos seres humanos. O homem, e a mulher, desenvolve  ao longo dos tempos, formas de compreender melhor a diferença entre o bem e o mal, entre o que é bem aplicado e o que é usurpado, compreender com mais sagacidade quem toma as decisões para o bem comum ou tomar s decisões para o bem próprio. O que muda apenas são as caracteristicas adaptadas ao tempo.

A exemplo da mentira que sempre tem perna curta, a sustentação das decisões reune em si mesma toda a complexidade onde se alicerçou, onde foi buscar a observação temporal para a justificar, ou a coragem de fazer bem as coisas, de tomar as decisões devidas.

Uma das mais estonteantes e digo assim mesmo pela intrépida ousadia de si mesma, a história de muitas responsabilidades atribuirem a qualidade da governação à qualidade de participação dos eleitores, do povo, do coitado povo que precisa ser governado, aquele que se deixa governar.

Em nome de um desígnio maior, as responsabilidades de diversos quadrantes e mais diferentes pretensões, chamam a si mesmas a coragem de assumir dar a sua vida pelo povo e sempre tudo pelo povo, pese embora quando fechado o ciclo entra a lamentação da falta de reconhecimento de todos, incluindo o povo e o apoio que fugiu para evitar as penas .

O velho mestre diz, é isto meu povo, habituem-se a ter sempre um ambiente de refúgio para alcançar as pretensões. A ideia é fugir entre os pingos da chuva, porque por altura das decisões não há tempo para pensar, quanto mais estudar, sobre as consequências.

O ciclo dos actos é também uma verdade. O senhor da guerra também refere, que a melhor forma de a fazer, é evitá-la, a menos que se identifique com ela ou que a mesma seja inevitável, pelos mais diversos motivos e daí só aplicar as consequências com as práticas mais adequadas.

Em nome de qualquer desígnio, sempre está associada uma consequência.

A filosofia do enquanto der...

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A filosofia do enquanto der...

 

No início a alimentação existia para fazer sobreviver, para alimentar energia física necessária à substituição de queima de calorias, evitar a debilidade do corpo. Hoje a alimentação existe para engordar, mais e mais e enquanto houver comida que chegue para comer e para desperdiçar, assim continuará a ser, numa filosofia de ostentação, de mais, enquanto houver e enquanto der para engordar, não só fisicamente de acrescentar gordura, supérfulo, engordar uma coisa inexistente.

Quem diz alimentação, diz tudo o resto e quando digo tudo, é tudo mesmo sem restrições, porque restringir não é bom para o consumo e a dinâmica é consumir quanto mais melhor, porque isso engrandece todos os espíritos ganhadores de qualquer índice de crescimento, de prosperidade, de tardiamente constatar que enquanto houver disposição para consumir, foi uma farta mesa.

Já passou bastantes anos que tive a oportunidade de escutar Ernâni Lopes numa conferência, uma apresentação sobre economia e negócios e sobre os desafios do futuro. Uma mente brilhante que tivemos entre nós. Na altura não tinha assimilado completamente o significado do que havia sido dito, como: “inclusivamente exploramos e utilizamos o petróleo para queimar, é pobre demais” referia Ernâni Lopes. É como uma conta bancária, se apenas fazemos retirada de dinheiro, chegará o dia em que a conta estará a zeros e pior do que isso, as responsabilidades de pagamentos continuam a recaír sobre uma conta vazia de cumprimento de responsabildade.

A discussão sobre a sustentabilidade do planeta é, neste momento, uma teoria avançada assente numa filosofia do enquanto der, consome-se, quando não houver, logo se vê.

Louváveis são as inúmeras acções sobre a criação de alicerces à sustentabilidade da vida e esta palavra, sustentabiidade, não pode ser mais um termo para um aproveitamento de negócio, só para fazer mais dinheiro , para criar mais endividamento. Sustentabilidade passará a ser, cheguemos ou não a tempo de sustentar o planeta, a obrigação de manter viva a alma disto tudo.

Recordo-me do primeiro ensaio, nos meus tempos, aquele que tive consciência de constatar, que se começou a falar sobre a substituição do mais, para o melhor, que ainda hoje perdura. Ou seja, em vez de apenas considerar fazer mais, a primazia da quantidade, optar por fazer melhor, melhorar os índices, caminhar numa direcção de aprimorar, de melhor aproveitar.

Uma vez mais é necessário ter em consideração que sair da zona de conforto e incentivar a refazer e fazer de novo para melhor, não pode ser apenas para os outros ou para o vizinho. O chico espertismo, quando aplicado, tem de primeiramente assegurar servir o chapeu de quem fez.

Recorde-se Pepe Mujica, mais conhecido por ter sido Presidente do Uruguai de 2010 a 2015, com o seu carocha de trinta anos. Hoje, ninguém em seu perfeito juizo tem um carro utilitário com trinta anos de estrada. Normal hoje é trocar de carro, de preferência todos os anos, na pior da hipóteses até cinco anos e na maioria das vezes. Não porque o carro deixou de ter capacidade de transporte, mas porque passou de moda.

Alguém me dizia que tudo na vida é uma questão de prioridades. Até pode ser assim, com esta definição, porque a prioridade não está em sustentar o planeta.

A Dinamarca está a caminho, dentro de poucos anos, ser completamente auto suficiente em energia, com uma politica efectiva de instalação de energias renováveis, mas quem mais está nesta direcção? Quem mais está tomar as decisões certas para caminhar neste sentido? Estaremos perante formalizações de um sistema ou de facto as coisas estão a mudar e mudarão a tempo?

Desenvolvimento sustentável, com a finalidade de criar um sistema que se regenere. As coisas não morrem por si sós, apenas porque são consumidas, e ponto final, mas existirá um sistema que auto regenerará o meio, a capacidade. Não haverá um processo de apenas subtração. A reposição por meios que afectem positivamente todo o sistema.

O biólogo e professor universitário americano Barry Commoner, dizia: “A primeira lei da ecologia, é que tudo está ligado a todo o resto”. Talvez este seja um conceito de necessidade primária a ter em consideração, para evitar o desmoronamento. Todo este corpo é uno pelo que representa num sistema de interdependências. Há um cuidado acrescido pelos laços que estão a ser cortados.

A tendência de crescimento da população mundial é muito elevada e sabemos que a prazo, não será possivel sustentar todos os seres humanos que habitam na terra. Hoje morrem milhões de pessoas à fome, não porque falta comida, mas porque a comida não chega a essas pessoas. Hoje, há partes do mundo que nada comem de alimentos e outras partes que deitam ao lixo, toneladas de alimentos.

No ano de 1650 estima-se que a população mundial se situava nos 500 milhões de habitantes.

No ano de 1900, seriam cerca de 1,6 mil milhões.

No ano 2000, eramos 6,1 mil milhões (ou seja, em apenas 100 anos, a população da terra cresceu quase 4 vezes).

Estima-se que em 2050, sejamos cerca 10 mil milhões.

Não está apenas em causa a disponibilidade de recursos para sustentar toda a gente, mas e mais importante, assegurar a continuidade do sistema de sobrevivência e essa segurança passa exclusivamente pela criação de um sistema global de regeneração dos meios, todos eles.

A educação consciente, aquela coisa que pega nas pessoas e as leva a se assegurarem que é da sua inteira responsabilidade fazer pela vida no local onde habitam, ou então estamos todos tramados. Como isso é uma tarefa com um alcance inimaginável, ficará como que ao critério de boas vontades, ver no que isto dá. É certo que não é mais possivel continuar com o sistema do, vai-se gastando até ver, ver no que dá e ver se dá e isto não é mais um meio de lá chegar, que é isso que temos vindo a fazer.

Antigamente, já muito antes da actualidade, costumava-se dizer que é nossa obrigação deixar o mundo melhor do que o encontramos. Continua essa obrigação. Os meios que temos à disposição, sem bem superiores e maiores, do que o necessário para que isso aconteça. Não é uma questão de meios.

O que é que a economia tem, para ser governada pelos sentidos?

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O que é que a economia tem, para ser governada pelos sentidos?

 

Imaginemos que a partir de agora, a pasta da economia, será entregue a um psicólogo, ou a um filósofo, ou então a um cientista da área comportamental. O convite é sempre extensivo e aberto a homens e mulheres. Não estou certo que em todos os casos o resultado possa ser o mesmo. Tenho observado que em certas situações, o homem economista não tem conseguido os melhores resultados, pese embora o facto de se tratar de uma figura de relevo académico e social e com provas dadas na sua área de actuação. O mesmo acontece à figura feminina, ao ser mulher e vice-versa quanto ao facto de ser um ou uma economista, apenas porque lhe é atribuída a função, tenha tido capacidade de obter os resultados necessários. Portanto, o género não é importante, mas acredito que o relevo e enquadramento de quem é nomeado, com sorte até pode ter sucesso.

E porque é que a sorte está incluída aqui? Porque sendo a economia uma arte de bem governar a casa, a ciência que estuda e coloca em prática a arte de bem administrar um país, uma empresa, uma área, também é preciso ter sorte para se ser bem sucedido, sendo que a sorte é uma competência inerente à sabedoria de quem sabe. A sorte continua neste sentido, porque todos esperam que não exista um cataclismo que abale o normal funcionamento da economia, ou para sermos mais práticos, todos esperamos que, para que as previsões económicas dêm certo, ninguém dê um espirro maior do que aquele que foi autorizado, caso contrário a economia entra em convulsão. O que muito pouca gente sabe é que a economia é uma parte desta vida que vivemos, débil, insegura,  constantemente segura por escoras, muitas vezes enterradas em areia movediça, porque as bases que tentam segura-la não são grande coisa também

Conheço heróis e heroínas que governam a sua casa com a maior das mestrias, com a arte de fazer omeletes sem ovos, mestres da sobrevivência que nenhuma escola de gestão do mundo ensina, nenhuma mesmo, apenas com o sentido de alimentar a família, ter a garantia que os filhos estão vivos, lutar para que os filhos tenham alguma instrução escolar, fazer do impossivel uma palavra sem sentido, inexistente, porque tudo é possivel, em nome da maior arte que é a arte de fazer sobreviver e lutar pelos objectivos de vida, pelo maior sentido da vida. Deixou de ser importante se estes heróis e heroínas são mestrados, ou diplomados, ou apenas com a formação escolar básica. O que passou a ser importante, é a capacidade e o caracter da pessoa.

Existe um homem no mundo dos negócios que me fascina, na agilidade do pensamento, na leveza do dircurso, na sagacidade de movimentação, na visão do foco, do seu foco. Este homem é Warren Buffet, que teve a sorte de saber lutar pelo que quer, manteve a sorte de não desviar atenções para um superfulo que nunca o atraiu, nem tão pouco de ser uma dos homens mais prósperos do mundo. Também teve a sorte de ter nascido num país cheio de problemas, principalmente quando o mundo estava a atravessar a segunda guerra mundial e saber que não podia esperar favores de alguém que nunca viria, a não ser dele próprio.

Pessoas como o Warren Buffet ou como a Maria, que governa a sua casa com mão de mestre, têm o conhecimento fundamental do sentido que as coisas têm que tomar. Para dar sentido à responsabilidade, é necessário estabelecer parametros de actuação segundo o conteúdo de cada e o conteúdo, fundamentalmente o conteúdo, é preciso sorte para se ter bom, porque se não se tiver sorte em receber um bom conteúdo, então a força de recuperação só estará ao alcance dos grandes heróis e grande parte deles nem os conhecemos.

Hoje, corremos o risco de fazer da economia um ciência intrincada de equações, de complexos teoremas matemáticos e de fascinantes teias neuronais.

Não sou adepto da economia lógica, porque a economia não é uma área de saber lógico.

Não existe nada na economia que nos permita dizer que amanha os proveitos de uma empresa serão de x valor, ou que o índice de crescimento de uma negócio será de y percentagem. Basta uma tempestade que arrase o local, para se dessiparem completamente as previsões, ou ainda mais simples, um concorrente fazer melhor.

Mas, não acho oportuno entrar por esta direcção, porque não é disso que se trata. O equilibrio do meio na direcção dos crescimentos e dos proveitos, está na capacidade de ver e controlar de alguma forma, a imprevisibilidade.

De quem são os grandes sucessos no mundo dos negócios? Dos homens de grande visão estratégica, dos que focam o seu pensamento no rumos dos seus objectivos, dos que estão atentos a escutar as oportunidades da vida, dos que têm tacto para saber tocar as regras do meio e dos que gostam de apreciar para si próprios o sabor das vitórias. Hoje, sentir a vibração do mundo, também se tornou numa virtude de sorte apenas para alguns, dos que sabem gerir o equilíbrio do meio, com as necessidades das suas máquinas de fazer dinheiro.

Não haja ilusões, a proporção reflete o sentido das coisas. O panorama é aquele que está disponível ou se deixa disponível.

O que aconteceria se colocassemos uma pessoa a governar a economia de um país, que não tivesse grandes conhecimentos de economia, mas que fosse um grande economista?

Da mesma forma que temos bons médicos e ao mesmo tempo bons curadores, da mesma forma que temos bons mecânicos de automóveis e ao mesmo são excelentes conhecedores de potenciais falhas do motor, ou então temos o padeiro que faz o melhor pão do bairro e não esquece o forno para não deixar queimar o pão

Da mesma forma que temos um Warren Buffet bem preenchido de conhecimentos tecnicos, porque a sua sagacidade economica é superior.

Não poderia ser de outra forma, caso contrário teriamos um mundo de economistas e se já não há emprego para todos os que estão disponiveis, imagine-se o que seria. Cada um tem que ser bom, naquilo está predestinado. Acontece muitas vezes que, quando se pretende ser algo para o qual não se está preparado, a coisa dá em asneira. Na economia também.

O economista americado John Kenneth Galbraith dizia: “Em Economia, a fé e a esperança coexistem com grande pretensão científica e também um desejo profundo de respeitabilidade.”

A saga de ser humano, numa terra de cachorros.

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A saga de ser humano, numa terra de cachorros.

 

Os dias de verão têm destas coisas, podemos com maior acuidade prestar atenção a determinados detalhes, sem prejuízo das importantes tarefas diárias que uns dias de recarga exigem a qualquer humano que se preze.

Por erro ou omissão, sabe-se lá agora o que terá acontecido, a celebre frase de “quanto mais conheço o ser humano, mais gosto de cães” erradamente atribuida a Eça de Queiróz, não é mais do que um desabafo de Alexandre Herculano. Pese embora a época do romantismo estar sempre presente, foi um dos grandes aprendizados obtido estes dias e isto graças a uma desenvolta conversa que apreciei junto a um jardim público em que vizinhos trocam uma animada conversa de fim de manhã, juntamente com o cachorrinho de um dos presentes, atrelado e bem controlado, porque embora pequeno, não vá o diabo tece-las e começar a importunar por aí toda a gente.

A determinada altura, um dos presentes solta a setença proverbial do dia, quiça dos anais da história recente, proferindo ao som de que se ouvisse claramente: os cães são mais inteligentes do que a maioria do seres humanos.

Acredito que o cachorrinho, se soubesse o que estava a fazer e lhe fosse dado pelo menos um neurónio em perfeitas condições, teria dito que seria melhor os donos terem trazido a casa de banho junto, porque ele estava a sentir-se envergonhado, pela merda que estava a participar.

Com certeza que a maior qualificação, vai para os de casa, aquele que vinha atrelado, que necessita de ser controlado e que ninguém ouve.

O meu espanto vai, também, que após umas muito ligeiras investigações, estes desabafos na relação que o ser humano pretende entre si próprio e os animais, é muito mais abrangente no tempo e na tipologia social. Parece haver uma tentativa de amestrar um ou eventualmente um ao outro. Ao longo da história temos inúmeros casos, só os mais famosos, de grande companhias.

Ainda estou na dúvida se esta classificação de melhor amigo do homem, seres mais inteligentes do que os seres humanos, fiel amigo, não deverá ser identificado apenas o cachorro ou cão, se tem alguma ligação ao facto do animal ser obediente, submisso ou se é assim naturalmente.

Se reflectirmos um pouco, existem também inumeras histórias de animais, do mais variado tipo, desde domésticos, até de entretenimento, que ficam completamente passados dos carretos e viram-se contra tudo e contra todos, principalmente contra o dono, chegando a vias de facto muito dolorosas e muitas vezes terríveis, com consequências devastadoras e aí surjem as notícias de que cão de boa gente, sempre foi bem comportado e obediente, deixou de o ser, para virar cão para abater ou se tiver sorte, vai preso para um qualquer canil. O pobre cachorro tinha cansado de comparações com o ser humano e de tantas vezes ouvir que era mais intelegiente e mais amigo do que o homem ou a mulher. Provavelmente tinha tentado fazer-se ouvir por diversas vezes, mas como não encontrou eco, decidiu revoltar-se. Pobre cachorro, que vida que levava e a troco de deixar de ser obediente e submisso, perdeu-se para a vida,  pelo menos para esta.

Que coisa estranha. Afinal parece que a relação entre os seres humanos, do mais diverso padrão social e até mesmo familiar, passando pelas relações inter raciais, são classificadas pelo nível de obediência e submissão entre os pares.

Fulano é uma excelente pessoa, com um comportamento exemplar, um profissional da mais elevada classificação e mesmo com tudo isto, ainda consegue ser um amigo como já não existe neste mundo, é um exemplar em vias de extinção. E porquê? Porque faz tudo o que o seu classificador diz para fazer, há hora e nas condições que o mesmo assim determina.

Certo dia, a mesma pessoa decide seguir outro caminho, que não em relação ao seu anterior classificador e então o dito fulano passou a ser um desviado, dono de ter cometido um atentado a uma amizade de tantos anos. Como, por cá, costumamos dizer, de fulano bestial com as mais altas condecorações, passou a uma reles besta desclassificada e então aí seria bem melhor ter um cachorro, de preferência daqueles que come pouco, porque a trabalheira não seria muita.

Recuso-me a pensar e admitir que a comparação possa ser deste âmbito, nivelar-se a um desconhecimento completo do que são os animais e o respeito que deveremos ter por eles, como admitir que homens e mulheres não tenham a capacidade de reagir aos tratamentos que lhe são dados.

Naquele dia, tive a tentação de perguntar à pessoa, se lhe desse um valente de um murro na cara, se ele iria gostar, mas não quis aventurar-me a uma falta de inteligência, que com certeza iria me chocar ainda mais.

Parece haver uma grande dificuldade, neste contexto de tratamento de relação, seja ela próxima, seja com desconhecidos, em atribuir a mesma qualidade que é atribuido ao cacharro.

Vejamos, muitas das vezes que os animais reajem com violência, mesmo sendo principescamente tratados, ou até mesmo nos parametros reais, reagem mal pelo cansaço de serem tão bem tratados, imagine-se isso com homem e com mulher e não precisam ser casados, bastou o cansaço.

Esquecemo-nos com facilidade, nós os eleitos humanos, donos de pensamento próprio, que os ditos foram criados para gerar pensamento diferente, todos entre si. Actualmente, dos sete mil milhões de cabeças pensantes existentes na terra, não existem duas iguais, como também não existem duas formas de reacção iguais. Por vezes até apetece reagir como cachorrinho, mas outras vezes tem que a reacção é mais de acordo com a personalidade do reagente.

Quem sabe um dia, talvez mais próximo do que se possa pensar, o jardim estará cheio de gente a dizer que quanto mais passeia o cachorro, mais gosta do ser humano. As perspectivas sempre se adequam a cada circunstância.

Também acredito que o Alexandre Herculano possa ter tido aquele desabafo, porque o dia não terá sido muito bom, nas sua perspectiva.

Os longos caminhos das decisões tardías.

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Os longos caminhos das decisões tardías.

 

Quando chegamos a um determinado ponto do percurso, temos a tentação de dizer que a melhor escola é a escola da vida, é o espaço onde se aprende tudo, coisas que nem imaginavamos poderem ser possiveis e outras nem por isso. A vida nos faculta sempre o melhor diploma e ficamos com a melhor licenciatura e doutoramento. Pena é que muitas vezes demora muito tempo, mas também temos a tentação de dizer que uns aprendem mais rápido do que outros.

Esta história da transferência do Neymar Jr. no futebol, do Barcelona para o PSG, onde foram ditas todas as sentenças favoráveis e desfavoráveis, ditos imprevisiveis em relação a um comportamento perfeitamente normal, mas com uma balança equilibrada do outro lado, dos que compreendem o enquadramento.

Desde quando o futebol é um simples desporto? Senão um dos maiores negócios que existe neste ciclo e provavelmente da História. De desporto passou a veículo.

Veio a comprovar-se que de facto o Barcelona não queria o Neymar Jr. a jogar no seu clube, porque demorou demasiado tempo a absorver o choque e outro tanto a tomar uma decisão, que já não era da empresa, mas sim de quem decidiu comandar os seus próprios destinos.

O futebol é um campo fértil e por excelência de tentar fazer casamentos de água com azeite, onde os negócios estão sempre latentes, despojados de campos enormes de comportamentos emocionais. Compram heróis, para lhe chamarem mercenários. Alavancam decisões, nas decisões das massas, para fazer durar actos de heroismo.

Vejamos, os comportamentos são exactamente os mesmos, seja dos clubes, seja dos jogadores, toda a gente joga o seu jogo de negociar pela melhor vantagem.

As perdas e os ganhos se medem pelo nível de tratamento que se dá. Pede-se e ganha-se de acordo com o que se quer.

Uma das formas que temos para avaliar a intensidade da importância é a clareza e a rapidez da resposta.

Quando um homem pede uma mulher em casamento, isto segundo os critérios do século passado e não pode estar muito longínquo,  se passar o primeiro segundo sem resposta, logo é identificada uma imensidão de dúvidas. É nesse mesmo segundo que é tomada a decisão se o casamento se realiza ou não, se a coisa vai para a frente, ou se ficou alí mesmo.

Que crueldade, as dúvidas. As incertezas são assim mesmo, servem para testar a importância do enquadramento, clarear as garantidas certezas, que afinal ninguem estaria certo até o choque rebentar.

A grande dúvida persiste nos grandes conselhos dados pelos outros à grande plateia. Quanto mais ouço dizerem ao povo que é necessário saír da zona de conforto, mais vejo os homens do palanque, confortavelmente nos seus sofás de adormecer a testar quem ouve.

Costumo dizer que, grande parte das perdas, se deve às decisões tardías que se tomam. Gente que aponta o dedo aos males do mundo, grandes teorias que devem atravessar a complexidade indicifrável da gente que tenta viver um dia de cada vez e grande parte das vezes é esta gente que toma as decisões, os senhores das grandes teorias impraticaveis, instalados nas suas zonas de conforto, porque cansa levantar do sofa para praticar o acto.

Esta história do Neymar Jr., serve mesmo para entreter, para passatempo de fazer passar o tempo, nas questões essênciais, onde as decisões têm que ser tomadas a tempo e horas e não foram de um prazo que já não tem mais efeito.

Partindo do princípio que tudo o que nasce, morre ou se transforma, este planeta, que chamamos de casa comum, também está nesse processo e provavelmente na fase inicial ou que precedeu o seu nascimento e um pouco o seu desevolvimento, os seus habitantes não tinham conhecimento que tal processo poderia ser possivel a uma coisa tão grande quanto esta, ou seja, que pudesse acontecer um fim final ou fim transformador.

A história recente diz-nos que nas ultimas dezenas de anos, existe um forte movimento na Terra, para alterar comportamentos e dessa forma exercer algum controle sobre a preservação, sustentabilidade e longevidade do planeta que habitamos, que teimosamente chamamos de casa comum, mas muito pouco ou nada o identificamos como lar e a discussão centra-se na realidade se queremos ou não ter casa para morar ou se é melhor deixar rebentar com isto, até para ver o que acontece e na melhor das hipóteses é aproveitada a oportunidade para mostrar aos grupinhos que tanta birra fizeram para alterar tanta coisa, que afinal a razão morreu solteira.

Há dezenas de anos, que tentam alterar o processo e a forma como devemos viver por cá neste espaço, sem grandes avanços, alguns com certeza felizmente, quase sempre e na quase totalidade devorados pelos habituais recuos. Há dezenas de anos, que se demora a tomar decisões, tardiamente percepcionadas que mais parece uma não verdade encarada com ligeireza, com indentificação de pseudo factos contrários, ancorados nos mais largos disparates, de acordo com as necessidades de quem defende o facto encontrado para melhor justificação.

E, assim andamos, de pé em pé, ano após ano, brevemente a medir o tempo pelos séculos a perguntar que mundo é que vamos deixar para os nossos filhos. Mais grave, que temos a obrigação de garantir as melhores condições de vida aos descendentes, aos vindouros, à continuidade da espécie, porque a memória que deixarmos não perdoará as hesitações.

Quem estiver por fora, num gesto de apreciação, largo um riso bem aberto e diz, esta gente só pode estar a brincar.

O assédio moral ou a reconversão de um conceito milenar.

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O assédio moral ou a reconversão de um conceito milenar.

 

Há cerca de três semanas tive a oportunidade de ler um relatório sobre o assédio moral no trabalho, do qual ressaltam para mim, as seguintes conclusões:

Este tipo de informações tem uma base cada vez mais forte de estatísticas, mais fiaveis, mais completas e mais abrangentes.

A transversalidade social e de género.

São muito difíceis as condenações, pela dificuldade de obtenção de provas.

Como apoiante moral do nosso actual Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, digno-me reverênciar as suas sábias palavras dos últimos dias, a propósito dos últimos incendios em Portugal e que, sem pretender sublinhar ipsis verbis, observa que a grande diferença entre estes desastres no tempo do antigamente e na actualidade, é que a agora informação sobre os acontecimentos está disponivel e acessivel a todos.

De facto esta é a única diferença.

Quais as diferenças entre os grandes incêndios e o assédio dito moral? É mesmo e só a cor do lume que emerge da queimada e provavelmente um tem mais reuniões e conferências de imprensa, do que o outro. Tudo se resume a estatísticas, constatações, base legal eleita para proteger os eventos e eventuais.

Os significados literais de assédio e suas derivantes, foram encontradas directamente no dicionário e que resumem de uma forma inquestionável a direção actual:

Nome masculino

Conjunto de operações que visam a conquista de uma posição inimiga, cerco, sítio.

Perseguição insistente em geral com o objectivo de conseguir algo, importunação.

Assédio moral

Pressão psicológica exercida sobre alguém com quem se tem uma relação de poder.

Assédio sexual

Conjunto de actos ou comportamentos, por parte de alguém em posição priviligiada, que ameaçam sexualmente outra pessoa.

Que grande atrevimento chamar-lhe assédio moral, nome pomposamente diminuido para não chocar conceitos, ou seja, estão a tentar dizer que isto não passa de um assalto à moralidade da pessoa, diminuindo assim o impacto nos resultados. Quão pobre é. Quase apetece dizer que é bem melhor, com esta designação, não desmoralizar as tropas.

Lacunas nas estatísticas habituais:

Quantos mortos têm sido consequência do assédio moral?

Quais os custos directos para o estado (ou seja, para todos nós) que todo este processo gera?

Quantas famílias têm sido destruídas com as operações de assalto à dignidade humana e respectivas consequências?

Nos locais e nos espaços onde são praticados, quais os resultados práticos e reais, que têm trazido?

A  exemplo da problemática falta de provas para gerar condenação, os dados relativos a estas questões estão ensombrados pela legitimidade que supostamente esconde uma dinamica activa, dispersa por todas as áreas, algumas das quais de difícil digestão, ou seja, como é possível.

Todos os crimes são precedidos de actos, que são classificados como provas, que não se conhecem, até se conhecerem.

O povo hebreu foi subjugado no antigo Egipto durante anos a fio, subjugado à escravidão, a quem foi retirado qualquer direito a uma vida minimamente digna, impedindo, desta forma, direito à sua existência, como povo com as suas tradições e com uma cultura diferenciada.

Nestes tempos não havia leis. Bastava o desejo do senhor.

Milus é um adolescente com 16 anos e frequenta a escola do bairro onde mora. Tem sido recorrentemente atacado à sua dignididade, a ponto de ter, por várias vezes, decidido por fim à vida.

O que acontece com o Milus, acontece com milhares ou milhões de crianças e adolescentes, por todo o mundo.

A escola é um meio pequeno, muito pequeno, que não seja possivel prevenir e corrigir estes comportamentos.

Isto não é bullying. A isto se chama atentar contra a vida humana, no espaço temporal de criar os alicerces da vida, onde a escola e os pais e a sociedade deveriam assumir o papel de desenvolvedores de consciências.

Na realidade, qual o objectivo de diminuir ou até mesmo eliminar o Milus? Não era porque o Milus era fraco, mas sim porque o Milus fazia sombra aos ditos mais fortes, que se sentiam ameaçados pela sua relevância. Na realidade queriam ser como o Milus.

Mais sério é o facto de se criar em continuidade um ambiente de impunidade e desresponsabilização de comportamentos classificados socialmente como inaceitáveis, dependendo das condições de actuação.

O sistema cria filtros.

As práticas têm consequências mais visiveis, provavelmente, no ambiente profissional. As história são conhecidas, as consequências são evidenciadas. Os resultados tendem a desaparecer com o tempo, o que leva a perguntar, então porquê?

O dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues dizia: “os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”.

Estava quase com tendência para acreditar que Nelson Rodrigues, como já não está entre nós desde 1980 e tanta água já correu debaixo da ponte desde então, a frase teria ficado um pouco desactualizada, mas não, parece o oposto. Parece? Só isso? Vejam meus senhores o que para aí vai.

Quando alguém não evolui, dizemos que é incompetente, porque as suas competências não foram actualizadas. É como o software de um computador que tem que ser actualizado.

Provavelmente, o software não necessita de actualização, porque excede as competências de um hardware ainda mais fossilizado.

Aparentemente, o espectro apenas mudou de nome.

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